Deslize | Propaganda do governo do Estado erra nome do centro de cultura de Conquista e causa reações

Imagine um outdoor, em pleno Pelourinho, em Salvador, com os dizeres “Fundação Residência Amado”, e assinado pelo governo da Bahia ou pela Prefeitura de Salvador. Tamanho seria o constrangimento que, sem qualquer dúvida, alguém seria apresentado como culpado, acompanhado de uma advertência muito séria.

Um equívoco desse tipo denotaria, senão desconhecimento do governante ou da sua equipe de comunicação sobre o equipamento cultural, unidade de preservação da memória do escritor Jorge Amado, um dos maiores nomes da literatura brasileira e sul-americana, bem como, ao deixar de tratar o escritor pelo nome com que assinou suas obras e tornou-se conhecido no mundo todo, uma ofensa à memória do escritor.

Isso sem contar que revelaria falta de cuidado com a cidade, o espaço onde se localiza o equipamento, a Fundação Casa de Jorge Amado. Nestes tempos em que tudo ganha memes e discussões acirradas nas redes sociais e nos botecos, ensejaria a pergunta: Mas, Rui Costa (ou ACM Neto) não sabe o nome de um dos mais importantes espaços de cultura e memória da capital, governada por um e administrada pelo outro?

Pois isso foi feito com o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, tratado em peças de propaganda do governo do Estado como Centro Cultural Jesus Lima, provocando reações nas redes sociais. O vereador Luís Carlos Dudé, um dos que se manifestaram, disse que se trata de um absurdo. No perfil do Instagram, Dudé publicou uma foto do outdoor e escreveru: “Falta de respeito com a história da população conquistense. O nome não é Centro Cultural Jesus Lima, mas sim Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. A impressão que temos é que o Governo do Estado da Bahia desconhece essa informação. Tem em vários pontos da cidade outdoors com erro, onde aparece apenas o sobrenome do homenageado. O grande poeta tem nome e sobrenome, e uma história respeitada por todos. Que vergonha este outdoor!”

Haverá os que dirão que nada há de mais nisso. Trocaram apenas a forma de designação do espaço cultural, mas tanto faria se Centro de Cultura ou Centro Cultural, podem dizer. E que se o nome do poeta Camillo, em nossa opinião, maior que Elomar Figueira e do tão homenageado que já institucionalizado Glauber Rocha, é de Jesus Lima, estará contemplada a sua identificação.

Ora, poderão dizer não poucos, são tempos de comemorar chegada de avião, não de gastar energia e tempo para criticar uma falhazinha dessa, quando o governo do Estado faz tanto pelo município, com aeroporto, hospital, viatura, policlínica, Case, barragem…

“Isso deve ter sido obra de um estagiário da agência de propaganda”, defenderá alguém. Pode ser. Mas, convenhamos, a lista de pessoas que têm que aprovar a propaganda não é pequena e, com toda certeza, não tem estagiário. É uma falha diplomática, no mínimo. Uma deselegância. Já era para ter sido suspensa, os outdoors retirados das ruas, os banners excluídos do blogs, os spots recolhidos das rádios.

É tempestade em copo d’água, sim. Mas, não maior nem menor do que aquela que sacudiu o copo d’água da política quando a prefeitura tirou os outdoors do governo do Estado do caminho do Aeroporto Glauber Rocha. Desta vez, porém, espera-se que a Comunicação governamental mande retirar ela mesma, não por desrespeito, pelo contrário, por consideração. O próprio investimento feito pelo governo Rui Costa na requalificação e modernização do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima justifica mais cuidado.

 

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