Não é difícil pensar em uma explicação para o fato. Imagine a seguinte situação: o dia da semana é um domingo, o relógio já marca 20h00 e você começa a ouvir aquela musiquinha vinda da TV que indica que o programa Fantástico está começando. É quando bate um certo desespero e você se dá conta de que seu domingo está acabando e que amanhã é segunda-feira.

Seguindo a mesma linha, cientistas da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto analisaram 173.982 mil internações motivadas por distúrbios cardiovasculares. Os resultados mostraram que a segunda-feira é o dia mais propenso para se infartar, com 17% dos casos. Mas por que o risco de se morrer na segunda-feira é tão maior que nos outros dias da semana?

De acordo com a psicoterapeuta Ana Paula Madeira, sentimentos como estresse, descontentamento com a vida e com a rotina ou motivos financeiros costumam aflorar mais fortemente neste período de transição entre domingo e segunda-feira. “É quando a gente se despede do lazer e da tranquilidade do final de semana e volta a dar atenção aos problemas do dia a dia”, analisa Ana Paula.

Os estudos confirmam: o horário com o maior número de registros de infarto é entre 9 horas da manhã e meio-dia da segunda-feira.

“Na verdade, o estresse deveria ser algo positivo, porque ele foi criado para que, numa situação de defesa, a gente libere neurotransmissores, que são substâncias que nos deixarão mais rápidos, mais atentos e mais vigilantes”, explica o cardiologista Fernando Bassan. Presidente do Departamento de Doenças Coronarianas da Sociedade de Cardiologia do Rio de Janeiro (Socerj), ele destaca que o problema é que hoje o estresse tem se tornado algo constante. “As pessoas vivem sob estresse, com esse efeito da liberação de mais adrenalina. Isso faz com que a pressão sanguínea aumente mais, que a pessoa fique mais ansiosa e nervosa, aumentando a frequência cardíaca e levando a uma piora do quadro geral”.

Some, a isso, o excesso de demanda diário, principalmente de trabalho. “Essa pessoa vai dormir mal. E onde uma pessoa estressada vai buscar prazer para aliviar esse estresse? Na alimentação. Uma pessoa estressada costuma comer mal, faz pouca atividade física, dorme mal… as coisas vão acontecendo numa sequência”, alerta o cardiologista.

“Todo tipo de sofrimento mental acaba resvalando no corpo, provocando mal-estar, dores e até mesmo doenças”

Segundo a psicanalista Marízia Arreguy, a influência das emoções sobre o nosso corpo é fortemente constatada na escuta psicanalítica. “Todo tipo de sofrimento mental acaba resvalando no corpo, provocando mal-estar, dores e até mesmo doenças”, comenta.

Mas, calma! Não é motivo para você começar a sentir palpitações no peito e a respiração ficar ofegante. Ana Paula explica que não é todo mundo que corre esse risco. Estudiosa do campo da Bioenergética, ela destaca que o problema geralmente acontece com pessoas que não investem tempo para olhar para suas emoções e trabalhá-las.

“Em algum momento da vida, uma pessoa pode se sentir insatisfeita com o rumo que as coisas tomaram, seja no campo profissional ou pessoal. O que diferencia os propensos a sofrer um infarto dos não-propensos é a forma com a qual se dedicarão a olhar para esse incômodo, se o usarão como alerta para buscar ajuda, rever essa insatisfação e encontrar novas possibilidades, novos rumos para sair desse lugar ou se internalizarão esse sofrimento sem buscar ajuda”, afirma.


PUBLICADO ORIGINALMENTE POR INSTITUTO DE LONGEVIDADE MONGERAL AEGON. LEIA MATÉRA COMPLETA CLICANDO AQUI.