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Administração Pública Política

Conquista | Vereadores e servidores criticam reajuste zero. Sindicatos falam em perseguição

Antes de publicar a matéria, procuramos o prefeito Herzem Gusmão para falar do assunto. O gestor está em Salvador e não obtivemos resposta. Também enviamos solicitação de posicionamento à Secretaria de Comunicação (Secom) da Prefeitura e esta nos informou que iria conversar com o secretário de Administração, Kairan Rocha, e que amanhã enviará uma nota ao BLOG.

Uma audiência pública na manhã desta terça-feira (13) na Câmara de Vereadores debateu a questão salarial dos servidores da Prefeitura de Vitória da Conquista. O tom das críticas ao governo municipal, que não enviou representante, foi duro. Os servidores se queixam de falta de diálogo e não aceitam a resposta da administração ao pedido de negociação. Para o governo, está decidido: não tem qualquer aumento, nem mesmo o reajuste inflacionário.

A audiência foi promovida pelos vereadores Márcia Viviane Sampaio e Valdemir Dias, os dois do PT, e teve a participação de mais três vereadores: Fernando Vasconcelos e Coriolano Moraes, do mesmo partido, e Cícero Custódio, do PSL, além de dirigentes dos três sindicatos que aglutinam a categoria, Sinserv, Simmp e Sindacs.

O vereador Coriolano Moraes fez uma apresentação sobre o orçamento municipal e garantiu que a Prefeitura tem recurso financeiro para dar o aumento e “só não dá se não quiser”. O vereador criticou a equipe de governo e disse que “ser secretário não é sentar na cadeira e alisar a cadeira. Não é status é trabalho”. Coriolano finalizou lembrando que “ou o orçamento está errado, ai não é culpa da Câmara, ou a arrecadação está sendo frustrada e não estão divulgando” e provocou os participantes afirmando que, como secretário de Educação, enfrentou duas greves e tudo o que era feito era questionado, mas, agora vê todo mundo calado, sem discutir. “Não tem movimento. O silêncio dos bons me preocupa”.

Para Valdemir Dias o governo Herzem Gusmão não valoriza os servidores municipais. “Total desvalorização que esse governo tem com os servidores públicos. Ele tem o servidor como inimigo”, apontou, indicando que o orçamento da Secretaria de Educação tem crescido, mas os servidores não estão sendo favorecidos com esse crescimento. “Porque não repassam aos servidores ao menos a inflação?”, questionou ele. “Não é ideologia partidária, são dados técnicos”, disse o parlamentar, que já foi secretário das pastas de Educação e Administração.

O vereador petista disse que o governo não dá reajuste porque gasta os recursos com o pagamento de consultorias. “Nossos recursos estão sendo exportados principalmente para empresas de Salvador. Fizemos um levantamento no próprio site da Transparência”, alertou ele, ressaltando que a Prefeitura já gastou, durante a gestão de Herzem, mais de R$63 milhões em contratos sem licitação. “Estamos denunciando na Justiça. Não pode uma administração pública conceber uma situação dessa”, reclamou o edil.

PERSEGUIÇÃO

Falando em nome do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserv), o vice-presidente José Marcos Amaral lamentou a ausência do Governo Municipal na discussão. “A gente chega pensando que o governo iria estar aqui na Mesa e o Governo não tem compromisso nenhum com o servidor municipal”, criticou o sindicalista, que se queixou também da a ausência de outros vereadores. A Câmara tem 21, mas na audiência só estavam cinco. Para José Marcos, a ausência dos parlamentares demonstra que não estão preocupados com a situação dos servidores.  “A gente não está aqui fazendo campanha política. Não dá mais pra aguentar isso”, reclamou ele da falta valorização dos trabalhadores por parte da Prefeitura Municipal.

Na mesma linha discursou a representante do Sindicato do Magistério Municipal Público (Simmp), Ana Cláudia da Mata. Ela disse que o secretário de Administração, Kairan Rocha Figueiredo, prometeu participar da audiência e apresentar dados solicitados pelo sindicato, mas nenhum representante da Prefeitura compareceu.  Segundo a sindicalista, os servidores estão de “saco cheio” do tratamento dispensado à categoria pela gestão municipal. Além da falta de reajuste salarial, Cláudia afirmou que os servidores vêm sofrendo ameaças, perseguição e desrespeito. A lista inclui o não-repasse dos reajustes do Governo Federal, concedidos em 2018 e 2019 e a recusa em reconhecer o direito de gratificação por nível de pós-graduação, apesar de existir uma lei que regula essa situação.

“Estamos em todas as comunidades, até onde a polícia não consegue chegar. Somos multiplicadores e formadores de opinião por isso vamos começar mudando nossos representantes”, afirmou Rita Suzana Silva, presidente do Sindicato dos Agentes Comunitários de Endemias  (Sindacs), ao reclamar da ausência da maioria dos vereadores na audiência. E falou em perseguição e não medo como motivo para que os servidores estejam calados, como disse o vereador Coriolano Moraes. “Não estamos silenciados por falta de coragem, é por estamos sendo perseguidos. Precisamos sustentar nossa família, recebemos entre um salário, um salário e meio e qualquer coisa que tira faz falta” e convocou que os servidores se movimentem. “A luta de classe ainda é transformadora de uma sociedade e vai continuar sendo”.

 

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