Anúncios
Política Sociedade Turismo e Lazer

A arremetida do Boeing da Gol, o clima de Vitória da Conquista e a vocação do novo aeroporto para polêmica

“Esse aeroporto não vai sair do papel, não passa de um sonho de boteco”, uma frase parecida com esta, supostamente dita pelo ex-vice-governador da Bahia, então secretário de Infraestrutura, Otto Alencar, em fevereiro de 2012, foi a primeira grande polêmica relacionada com o Aeroporto Glauber Rocha, inaugurado no último dia 23 de julho.

A ideia de construir um novo aeroporto em Vitória da Conquista é antiga. Já tinha sido defendida pelo ex-prefeito José Pedral Sampaio, mas, os passos iniciais começaram a ser dados em 2010 e as obras começaram no dia 20 de fevereiro de 2014. Desde então, como acontece com todo projeto que demora para se tornar realidade, com o atraso nas obras, o novo aeroporto foi tema de discussões e mote principal nas cinco campanhas eleitorais que ocorreram até 2018, para o ataque ou para a defesa.

Até que chegou a hora da inauguração. Foi quando ocorreu a maior de todos as polêmicas, que envolveu o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o governador do Estado, Rui Costa. De tão comentado, todo mundo sabe o que aconteceu em Vitória da Conquista em torno do dia 23 de julho. Na data marcada, só veio Bolsonaro, que aproveitou para tentar amenizar discurso considerado ofensivo feito contra os nordestinos na semana anterior. Já o governador da Bahia se queixou de armação política para lhe constranger e não compareceu. O assunto rende até hoje.

Mas, outros ingredientes vêm se somando à interminável discussão. Um dos mais recentes foi a declaração de Rui Costa de que a rotatória construída para integrar a BR 116 ao acesso ao aeroporto é “complicada e perigosa”. Foi o suficiente para ser cobrado – e xingado, porque não teria sido eficiente na defesa do viaduto.

FALTA DE ESCLARECIMENTO

Se não bastasse, com o inverno rigoroso deste ano, menos de um mês depois que o aeroporto entrou em operação, pelo menos três voos já atrasaram e na noite de ontem (17) um Boeing 737-700 da Gol, que fazia o voo G3 1688 e pousaria no Glauber Rocha às 23h25, teve de arremeter e seguir para Salvador, “em virtude das más condições meteorológicas”, segundo a empresa aérea. Tudo isso devidamente repercutido pelos blogs. Mais discussão nas redes sociais. Mais cobrança.

É como se tivesse ocorrido uma espécie de propaganda enganosa. Muita gente – quase todo mundo – entendeu e acreditou que o moderno aeroporto teria modernos instrumentos que acabariam com antigos problemas.

Imaginava-se que desde o início de seu funcionamento o novo aeroporto teria o tal do ILS (o inglês Instrument Landing System), o Sistema de Pouso por Instrumento, que serve para orientar o piloto na hora do pouso, sem que ele precise de elementos visuais. Mas, isso deve demorar. Por enquanto, o máximo que existe no Aeroporto Glauber Rocha, além do que havia no antigo, são um Indicador de Trajetória de Aproximação de Precisão (PAPI), sistema de iluminação de orientação visual que auxilia o piloto na aproximação final para pouso, e uma Estação Meteorológica de Superfície (CAT 3), que fornece dados meteorológicos, transmitidos aos pilotos, visando maior segurança nas operações de pouso e decolagens.

Ou seja: nos próximos quatro ou cinco anos, a aposta é de que a localização do aeroporto e as melhores condições de pista sejam suficientes para reduzir atrasos e cancelamentos. Isso significa que, durante muito tempo, descer de avião em Vitória da Conquista, continuará dependendo do tempo que estiver fazendo.

E assim, de celeuma em celeuma, tendo como motes a distância o atraso da obra, a paternidade do projeto, a rotatória, a falta de um viaduto, a vinda do presidente, a ausência do governador, as placas de outdoor retiradas, a placa de inauguração sem o nome do prefeito, os atrasos por causa do tempo, a arremetida, o sonho de boteco vai virando conversa de boteco.

Leia texto completo, com mais análises e detalhes, clicando aqui.


FOTO DESTAQUE: PISTA DE POUSO DO AEROPORTO GLAUBER ROCHA VISTA DA CABINE DE UM AVIÃO. (MANU DIAS/ GOVBA)

Anúncios

1 comentário em “A arremetida do Boeing da Gol, o clima de Vitória da Conquista e a vocação do novo aeroporto para polêmica

  1. Giorlando, como já havíamos comentado anteriormente, o Glauber Rocha representa um grande avanço para a cidade, que passou a contar com um aeroporto moderno e de grande capacidade.
    Reitero a informação de que estamos bem servidos com os procedimentos de pouso por instrumentos existentes. Para se ter uma ideia, uma aeronave pousando ILS em Salvador pode descer até 200 pés (60 metros) de altura,com uma visibilidade horizontal de 1200 metros; no Glauber, utilizando o procedimento baseado em satélites, a aeronave desce até 250 pés (75 metros), com uma visibilidade horizontal de 1300 metros. Ou seja: uma diferença de apenas 50 pés (15 metros) na altitude de decisão e de 100 metros na visibilidade. Percebe-se, com esta comparação, que a instalação de um ILS do tipo existente em Salvador não representaria nenhum ganho.
    E o ILS que permite o pouso com teto zero e visibilidade zero? Nem Guarulhos, o primeiro aeroporto do Brasil e o segundo da América Latina em movimento, possui um ILS desses. O que lá se encontra instalado, e apenas em uma das cabeceiras (a de maior movimento), é o ILS que permite aproximações até uma altura de 50 pés (15 metros), com uma visibilidade de 200 metros. Se as condições meteorológicas forem muito adversas, também haverá cancelamentos e atrasos em Guarulhos.
    Quanto à polêmica da inauguração, creio que foi despropositada e criada artificialmente, pois quem capitaneou todo o processo foi o Governo do Estado. Da escolha e desapropriação da área, passando pelos estudos de impacto ambiental, elaboração de projetos, execução da obra, homologação do aeródromo junto aos órgãos reguladores (ANAC e DECEA), até chegar à concessão, tudo foi feito pelo Estado. Era só uma questão de dar a César o que é de César.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: