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Eleições Política

Eleições 2020 | Vitória da Conquista deverá ter quantidade recorde de candidatos a vereador

No dia da eleição, embora seja proibido, candidatos e partidos derramam milhões de santinhos nas proximidades das seções eleitorais. O chão fica forrado daqueles pequenos pedaços de papel com a foto dos pretendentes a uma cadeira na Câmara ou ao cargo de prefeito. São muitos. No caso de Vitória da Conquista, centenas de candidatos. E incontáveis santinhos para marcar os caminhos da eleição.

Nas eleições de 2016, 27 partidos participaram das seis coligações que concorreram à eleição de prefeito. Já para disputar as 21 cadeiras da Câmara de Vereadores, foram 25 partidos em 10 coligações proporcionais e mais PT, PSB, PSC e PPS que saíram sozinhos. Concorreram 365 candidatos, uma média de pouco 26 por coligação ou partido. Aquela foi a última eleição em que as coligações na disputa de vereador eram permitidas. Ao se juntarem em um só, os partidos podiam inscrever até 200% das vagas da Câmara. Em Conquista são 21 cadeiras, então podiam ser 42 candidatos por coligação. O partido sozinho, só podia ter 50% a mais, ou 32 candidatos.

Para o próximo ano as coligações não serão mais permitidas na eleição proporcional. Os partidos podem se juntar para formar coligações na eleição majoritária, de prefeito, mas terão que marchar sozinhos na disputa pelas cadeiras da Câmara de Vereadores. E o número de candidatos será o mesmo que valia para os partidos que saiam sem coligação: 150% da quantidade de cadeiras.

Pela nova regra, os partidos fortes devem se dar melhor, já que têm mais condição de atrair e lançar candidatas e candidatos com mais chances. O que complicará os projetos de muitos pré-candidatos e dos partidos será a necessidade de um número maior de concorrentes em cada chapa, porque sem ajuda dos votos de candidatos de outros partidos que compunham a coligação, os partidos terão que alcançar sozinhos o quociente eleitoral, que é a divisão do número de votos válidos pelo número de cadeiras da Câmara.

Hoje, Vitória da Conquista conta com 226.091 eleitores, especialistas e jornalistas consideram o crescimento desse eleitorado até maio, quando ainda pode ocorrer inscrição de eleitor, e estimam que cerca de 228 mil estarão aptos a votar nas eleições de 4 de outubro do ano que vem. Se os números ficarem próximos dos registrados na eleição de 2016, quando o eleitorado era de 230.598 eleitores e os votos válidos foram 165.166, ou 71,62% do total dos eleitores do município, pode-se prever cerca de 163 mil votos válidos em 2020, dividindo esse número por 21 cadeiras de vereadores, o quociente ficaria em cerca de 7.775 votos, menos que na eleição anterior. E é esta a quantidade de votos que um partido vai precisar para eleger um vereador. E assim por diante: para dois, mais de 15 mil votos; 3, quase 23 mil…

Para não ficarmos com dados muito distantes, já que depois da eleição de 2016 houve um recadastramento eleitoral, vamos tomar os números do primeiro turno da eleição de presidente, ocorrida no ano passado. O eleitorado era de 221.827 eleitores e foram 169.558 votos válidos, ou 76,43% do total. Por esse percentual, a conta mudaria e o quociente subiria e passaria dos oito mil votos.

QUOCIENTE

Como a eleição se dá levando em conta o quociente, se um candidato alcançar sozinho ou passar desse mínimo exigido, outros se beneficiam, seguindo a ordem dos mais votados, mesmo que com poucos votos. Ou, ainda, se a soma dos votos de todos for suficiente para alcançar o quociente, estará eleito o mais votado, mesmo que a votação dele seja mais baixa que a os demais candidatos das outras coligações ou partidos.

No ano que vem, os candidatos enfrentarão um dilema: ficar em um partido com mais nomes fortes, portanto, com melhores chances de alcançar o quociente e garantir sua presença entre os eleitos ou buscar um partido cheio de candidatos medianos e tentar tirar vantagem de ser o mais votado?

Em qualquer caso, para ter mais chance de êxito, os partidos terão que tentar preencher todas as vagas, ou seja: colocar 32 candidatos na disputa. Quanto mais candidatos, mais chance de alcançar o quociente, seja para garantir a eleição dos mais cotados, seja para possibilitar que candidatos com boa votação, mas abaixo dos chamados campeões de votos.

PUXADORES DE VOTO

Nas eleições para vereador de Vitória da Conquista ainda não aconteceu de um candidato ter votos suficientes para se eleger e puxar outros. Há um registro na eleição de deputado federal de 1990. O médico Clóvis Assis foi candidato pelo PDT, mesmo partido do ex-governador Waldir Pires, que teve a maior votação da história da Bahia, até então, com 147.689 votos, e assegurou a eleição de Clóvis, que teve apenas 7.246 votos.

Porém, há registros de eleitos graças à votação dos demais, mais do que pelas próprias, como as eleições dos vereadores Hermínio Oliveira (Cidadania), com 1.341 votos, e de Jorge Bezerra (SD), com 1.351 votos. Outros 14 candidatos com votações maiores ficaram de fora. Hermínio concorreu numa chapa pura, sem coligação, quase completa (31 candidatos) e todos foram votados. O segundo lugar teve 879 votos, longe da votação do eleito. Na média, foram 278,9 votos por candidato. Pode-se dizer que foi uma chapa montada para reeleger Hermínio.

A situação de Jorge Bezerra não foi muito diferente. A chapa poderia ter 42 candidatos, já que era uma coligação com o PEN, mas saiu com 32. A média foi de 312 votos e só não dá para dizer que a chapa foi montada para eleger Bezerra porque o candidato Von, que ficou em segundo lugar, chegou a 1.067 votos, colocando em risco o êxito do vereador eleito. O terceiro teve 997 votos, os demais bem abaixo.

Outro exemplo de eleição beneficiada com votos da chapa, com o candidato eleito estando bem abaixo dos demais vitoriosos, foi Davi Salomão (PRTB, mas concorreu pelo PTC), que teve menos de mil votos e se elegeu. A coligação dele teve cinco partidos, 39 candidatos e 9.104 votos. O mais votado foi Segundinho Bezerra, o único com mais de mil votos – 1.548 -, mas o TSE anulou a eleição dele. David, o segundo lugar, com 969 votos, se beneficiou e conseguiu a vaga. Esta coligação teve um fato curioso: além do mais votado ter a votação anulada pela Justiça Eleitoral por irregularidades na inscrição, outros dez também não tiveram seus votos computados pelo mesmo motivo, totalizando 2.697 votos anulados.

E o que acontecerá se todos os partidos que participaram da eleição de 2016 lançarem candidatos a vereador em 2020? Duas coisas significativas: um número recorde de mulheres, pois toda chapa tem que obedecer à lei que determina o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo; e recorde de candidatos. Foram 29 partidos participantes das últimas eleições municipais, se todos lançarem candidatos e preencherem a chapa, serão 928 candidatos. Essa hipótese, contudo, é quase impossível de acontecer. Pelo menos 14 partidos não terão candidatos a vereador e dos 15 que sobrarem, nem todos terão chapas completas. Mesmo assim, deverão ser, pelo menos, 50% de nomes a mais que na disputa de 2016, podendo chegar a 550 candidatos.

Agora, multiplique esse número por uns 10 mil santinhos para cada um.

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