“Ladrão”, “vagabundo”, moleque”, “bate em mulher” | Espetáculo degradante no Senado Federal. Veja o vídeo

De vez em quando, perto de nós, na Câmara Municipal, vereadores esquecem onde estão e desandam a se xingar, gritar, com ataques pessoas entre si e a terceiros, fugindo ao respeito mútuo e ao público presente. Não é regra, mas é comum. Recentemente, o músico Xangai, artista prestigiado nacionalmente e uma figura exemplar de cavalheirismo, se espantou com a virulência dos discursos durante sessão em que se comemorava, justamente, a aprovação de uma lei que instituía o Dia Mundial da Paz e da Conciliação (22 de julho) em Conquista. Na oportunidade, Xangai disse que “a raiva é um punhal apontado para o próprio peito”. Falou que ouviu pronunciamentos tranquilos, mas a muitos mais exaltados. “A estes recomendo humildemente que amansem o coração para que a ideia possa ser mais absorvida por todos os outros, inclusive os que têm pensamento contrário”.

O clima de guerra, no entanto, não é exclusivo de câmaras de vereadores. Chega a ser pior nos parlamentos mais acima, inclusive na denominada Câmara Alta do Congresso Nacional, o Senado. Um exemplo ocorreu na manhã de terça-feira (10), em sessão da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), durante sabatina ao indicado para embaixador na Bósnia e Herzegovina, Lineu Pupo de Paula, com a presença de um amigo dele, o ex-senador Romero Jucá, que foi líder no Congresso nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma e Michel Temer. Foi quando o senador Telmário Mota (PROS-RR), conterrâneo de Jucá, pediu a palavra ao presidente Nelsinho Trad (PSD-MS) e usou do microfone para falar do ex-senador.

“Faço parte desta Comissão e vim ficar aqui, mas lamento que aqui, na vaga dos senadores, esteja um lobista, ex-senador, um cara envolvido em corrupção. Desse jeito, é impossível ficar aqui. Me retiro”, disse Telmário e se levantou para sair da sala.

O presidente da comissão pediu ponderação ao senador do PROS e explicou que o ex-senador Jucá é amigo do sabatinado, ao que Telmário rebateu dizendo que Jucá deveria ficar “lá no lugar dos visitantes”. De volta, o ex-senador respondeu: “Você é um palhaço”.

“Palhaço é você, ladrão!”, devolveu Telmário, e Jucá disse que ladrão era o outro, que “foi preso”. Trad avisou que estava suspensa a sessão, mas o vergonhoso bate-boca continuou. Jucá disse que Telmário bate em mulher, “uma vergonha”, enquanto o senador repetia, “você é ladrão, você é ladrão”. Jucá insistiu: “Bate em mulher”. Telmário reagiu e disse: “Nela, não. Nela eu não bato. Em cabra eu bato e você é ladrão”, enquanto andava na direção de Jucá, que mexia no celular, sentado.

“Sua mulher foi presa. Você que é ladrão. Ela foi presa lhe sustentando”, acusou Romero Jucá, para um Telmário muito nervoso, que respondeu: “Você é ladrão, vagabundo ladrão”. O desafeto dele permaneceu sentado, disfarçando o nervosismo com o uso de celular e Telmário foi embora.

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Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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