Vitória, Raíssa, Sthefani | Mortes por atropelamento crescem e, mesmo com alta arrecadação de multas de trânsito, Conquista não tem campanhas educativas

Sthefani morreu atropelada por um motorista bêbado.

Só haviam se passado 51 dias desde que a menina Vitória Barbosa Braz teve seu passeio de bicicleta interrompido de forma violenta por um caminhão que ela não viu. A menina andava pela Avenida Paraná quando, segundo informações publicadas pelos blogs locais, atravessou na frente do caminhão e o motorista também não a viu. Chegou a ser atendida pelo Samu 192, mas não resistiu ao choque. Ela tinha 12 anos, devia pesar cerca de 40 quilos. O caminhão não pesava menos de 10 mil quilos.

Não tinha nem completado um mês que um jovem dirigindo em alta velocidade, fez uma curva brusca, perdeu o controle e pegou em cheio a jovem Raíssa Alves Ferreira, de 18 anos, quando ela andava alegre com amigos pela Avenida Olívia Flores, depois de sair de uma festa. O atropelador de Raíssa tem 20 anos e também estava na festa onde ela e os amigos se divertiam. Ela morreu quando estava a caminho do ponto de ônibus que a levaria para casa. Teste de bafômetro constatou que o motorista que atropelou e matou Raíssa estava embriagado, segundo a polícia.

Não há normalidade em atropelamentos. Não existe nada escrito que diga que eles vão acontecer e ceifar vidas inocentes e sonhadoras, como a da menina Márcia Sthefani Santos Brito, de apenas 7 anos. Portanto, não é coerente que era a vez dela. Mas, ontem (28), Márcia Sthefani estava se sentindo segura ao lado dos pais – e, assim como Vitória, também estava em uma bicicleta – em um dos lados do anel viário, esperando para atravessar, quando um luxuoso Honda Civic, veloz e sem razão, deu fim à vida da menina, a deixar mãe e pai desesperados e inconsoláveis. Perderam a filha que só queria crescer.

No primeiro caso, o motorista do caminhão foi ouvido pela polícia e liberado para responder em liberdade por homicídio culposo, sem intenção de matar. Infelizmente, ninguém fala mais nisso.

Pela morte de Raíssa, o motorista está preso. Além de ter dirigido embriagado, foram encontradas drogas no Renault Sendero que ele conduzia, de acordo com a polícia. A família e os amigos de Raíssa não estão querendo deixar o caso morrer. Fazem protestos, mantêm contato com a imprensa, buscam, a todo custo, evitar que o causador da morte dela fique impune.

O dono do Honda Civic que matou Márcia Sthefani também está preso. Era outro que estava embriagado, segundo a polícia. Populares tentaram linchá-lo, os policiais da PRF e da PM impediram, em nome da lei. Lei que esses motoristas não cumprem, forçando a alteração da lei da vida, a interromper o crescimento e o sonho de três meninas, porque Raíssa, com 18 anos, ainda era uma menina. Com ressalva do motorista do caminhão, a causa maior dessa tragédia é o álcool. E a falta de educação.

Neste momento cabe a pergunta: tendo arrecadado com multas quase R$ 9 milhões desde janeiro de 2017, qual a campanha de educação de trânsito feita pela Prefeitura de Vitória da Conquista? Nós respondemos: nenhuma. A semana nacional de trânsito deste ano (18 a 25 de setembro), por exemplo, passou praticamente apagada, como as faixas de pedestres pela cidade, onde semáforos defeituosos ameaçam despencar sobre os transeuntes e tudo o que se sabe que foi feito nestes 34 meses foram instalação de câmeras e mudanças de direção/mão em vários pontos, nas criações dos chamados binários.

Prevenir e educar também são obras de um governo. Porque pode ajudar a salvar vidas, mesmo que não salve carreiras políticas.

OUTRAS MORTES NO TRÂNSITO DE CONQUISTA EM 2019

Rairan Gama, de 27 anos, natural de Nova Canaã, teria recebido uma fechada de um carro, na altura da Praça do Gil, e perdeu o controle da moto, batendo em um poste. Morreu na hora. O caso ocorreu no dia 19 de janeiro deste ano.

No feriado de 1º maio, dia do trabalhador, um carro de passeio invadiu o sinal vermelho e atingiu a moto de Paulo Henrique Ribeiro Santos, que trabalhava como motoboy e o matou. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os dois ocupantes do carro, um Renault Kwid, tinham 25 e 17 anos e estavam alcoolizados. Paulo Henrique, morreu no local.

No dia dos namorados, Gabriel Rodrigues, de 20 anos, e Darlene Alves Teixeira, de 23 anos, moradores do Nova Cidade, desciam a Avenida Rosa Cruz, quando bateram em uma picape Strada que vinha da Rua Braulino Santos. Com o impacto, Darlene foi arremessada contra um poste, bateu a cabeça e morreu. Ela ia para uma entrevista de emprego na garupa da moto do namorado.

No dia 11 de julho, uma moto e um ônibus colidiram em um dos trechos urbanos do anel viário na saída de Vitória da Conquista para Barra do Choça. O motoqueiro, Daniel de Jesus Santos, de 24 anos, morreu na hora. Não há notícias sobre o andamento das investigações.

Além destes casos, aconteceram este ano, em Vitória da Conquista, dezenas de acidentes de trânsito, com atropelamentos e colisões entre carros e motocicletas, os dois registros mais comuns.

ARRECADAÇÃO COM MULTAS EM CONQUISTA

2017 – R$ 2.817.198,38
2018 – R$ 3.159.444,22
2019 – R$ 2.986.350,18 (até o dia 26 de setembro. No momento que esta matéria está sendo escrita – às 16h29 de domingo, 29, o Portal da Transparência da Prefeitura de Vitória da Conquista está fora do ar).
TOTAL – R$ 8.962.992,78


FOTO: O OLHAR DE SONHO DE STHEFANI, DESFEITO.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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