Opinião | Policlínica fechada para Vitória da Conquista: guerra política prejudica população

Dona Maria de Lurdes tem 47 anos e mora no bairro Ibirapuera. Depois de um longo tempo de espera, ela conseguiu no fim de julho uma consulta médica pelo SUS. Ela reportou ao médico que sentia dor em uma das mamas e ele disse que poderiam ser cistos, sem maiores consequências, tranquilizando-a, mas requisitou um exame de imagem para terem a certeza. Dona Maria, que já teve três filhos e trabalha de doméstica, foi uma das pessoas que viram a propaganda do governo estadual sobre a Policlínica, em que uma mulher parecida com ela dizia que recebera o melhor tratamento .

No começo, ela ficou preocupada porque tinha ouvido que o prefeito de Vitória da Conquista não queria que a policlínica atendesse os moradores da cidade. Depois, ela soube que Herzem Gusmão tinha mudado de opinião e fez o convênio para Conquista entrar na policlínica. Então, Dona Maria de Lurdes foi com a requisição à unidade de saúde e tentou marcar a mamografia. Estava com medo do resultado, mas feliz por ter a oportunidade de fazer o exame e poder se tratar logo, se algo ruim fosse diagnosticado. Ficou torcendo para que pudesse ser atendida logo, sabia que, “se por acaso fosse uma coisa ruim”, quanto mais cedo mais chance de cura.

Mas, passou setembro e ela não conseguiu marcar para fazer a mamografia. Sua esperança, no entanto, apesar da angústia, não morreu. Ela, que vê muita televisão, ficou sabendo que outubro é o mês dedicado à prevenção do câncer de mama, chamado de Outubro Rosa, e achou que seu exame na policlínica seria marcado também por causa disso. Até que disseram a Dona Maria de Lurdes que a policlínica não vai mais atender a população de Vitória da Conquista. A requisição dela está na fila para fazer logo que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) encaminhar para uma das clínicas da cidade.

A esperança Dona Maria começa virar desespero. Ela comenta com as amigas que a dor não passa e ela está com medo do que pode ser. É consolada, as amigas dizem que não há de ser nada e que o exame dela também não vai demorar. Com a fé que tem desde menina, ela respira fundo, mas, se entristece quando alguém diz que a policlínica, apesar de estar instalada em Vitória da Conquista fechou as portas para Vitória da Conquista por causa de um enfrentamento entre o prefeito de Vitória da Conquista e do Belo Campo, que o governador Rui Costa, que inventou e construiu a policlínica pensando no povo diz que não é mais com ele. “E o povo se prejudica por causa de política?”, questiona, com a voz embargada entre revolta e tristeza.

Dona Maria de Lurdes é uma personagem fictícia. Mas, é uma personagem possível. O resto todo é realidade: a policlínica estrangeira; a briga de Herzem e Quinho [José Henrique Tigre, prefeito de Belo Campo e presidente do Consórcio Interfederativo de Saúde]; o silêncio de Rui Costa; o desrespeito; o desprezo.

Não há como negar a negligência da administração municipal ao ter aderido à Policlínica sem criar as condições orçamentárias. Assim como a palavra calote pode parecer pesada, porém, foi isso o que Prefeitura de Vitória da Conquista fez. Entretanto, a Secretaria Municipal de Saúde e o próprio prefeito Herzem Gusmão assumiram compromissos públicos de resolver a situação burocrática. E reclamaram de falta de diálogo e negociação. A direção do Consórcio que administra a policlínica não acreditou e fechou a unidade para a população conquistense. Alega que a policlínica funciona como uma espécie de condomínio e que todos os condôminos precisam assumir suas partes, para não pesar sobre os demais.

Mas, é complicado entender isso. Condomínio? E se Herzem bater o pé e continuar fora? E se a Prefeitura não pagar as parcelas atrasadas e nem os meses vindouros, a população vai continuar passando na porta da policlínica sem poder entrar? E as Donas Marias de Lurdes e sua necessidade de ginecologista, mastologista, mamografia, densitometria, ressonância magnética, tomografia, ultrassonografia…?

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

1 thought on “Opinião | Policlínica fechada para Vitória da Conquista: guerra política prejudica população

  1. Vamos priorizar a população! E a população pode ajudar comparecendo as reuniões do Conselho Municipal de Saúde que acontece sempre as segundas quarta-feira do mês, as 14:00 horas no polo de educação. Sem mobilização social não tem como andar pra frente.

Comente