Herzem não ouve Conselho, diz Onildo Oliveira, que defende novo projeto para Vitória da Conquista

Em 2015, a alguns meses de começar a campanha eleitoral do ano seguinte, Onildo Oliveira Filho, empresário dono do Labo, era um dos mais cotados para ser o nome alternativo às duas opções mais fortes então, o atual prefeito Herzem Gusmão (MDB) e o candidato do PT (ainda não havia sido escolhido). O prefeito era Guilherme Menezes, que deixaria a prefeitura depois de quatro mandatos, dos cinco que o partido dele teve. Herzem vinha de duas eleições de prefeito e duas de deputado. Onildo não se dizia pré-candidato, falava que participava do processo para viabilizar um projeto que estivesse acima de nomes e partidos e representasse uma ideia compartilhada.

O empresário conversou com vários políticos e partidos e acabou ele mesmo assumindo um, o PSDB. Quando ele entrou no ninho tucano, muita gente deu como certa sua candidatura, mas Onildo continuou conversando à direita e à esquerda, em busca de apoio para o seu utópico projeto, em que, segundo ele, não são os nomes que importam, mas o que se pode fazer pelo município – e todo mundo junto, se possível. Não deu. O PSDB tinha outros planos e Onildo deixou o partido. Muito contrariado.

Na eleição, ajudou a colocar Herzem Gusmão (MDB) na prefeitura. E quem conversa com Onildo diz que, durante esses 34 meses da gestão do emedebista, as impressões dele variaram muito. Da expectativa à decepção, da aposta à desistência, depois novamente apostando, para depois se contrariar. Tem quem diga que, agora, ele teria se firmado na última condição, apesar de reconhecer ações da gestão. O problema seria a forma que Herzem conduz o governo e a política.

A posição de questionamento recolocou Onildo Oliveira na lista dos pré-candidatáveis, como uma das alternativas para representar a tal terceira via que vem sendo articulada por quem não quer a continuidade do governo Herzem Gusmão e nem a volta do PT ao poder. Nos vários encontros que reúnem gente que já apoiou o PT, com gente que já foi da gestão de Herzem e outro tanto que já esteve dos dois lados e diz não querer mais nenhum deles, o nome de Onildo soa com esperança.

Junto com o presidente da Cooperativa Mista Agropecuária Conquistense (Coopmac), Jaymilton Gusmão, o empresário aponta como opção viável, nome capaz de ir ao segundo turno e vencer a eleição. Jaymilton diz que não quer e desautoriza quem insiste em colocar o nome dele na lista. Para saber se Onildo tem a mesma reação, o BLOG enviou a ele algumas perguntas por e-mail. O objetivo é tentar entender de que projeto ele fala e saber se ele aceitaria ser o condutor da ideia, na condição de candidato a prefeito.

Começamos tomando como gancho uma fala de Onildo a um blog local, em que ele diz que nenhum prefeito de Conquista fez uma gestão levando em consideração um projeto coletivo, de cidade. Perguntamos a ele se isso significa que acredita no surgimento de alguém com condição de representar esse projeto já na eleição do ano que vem. Onildo disse que sim. “Com certeza”, enfatizou.

Diante da afirmação, que responde duas coisas ao mesmo tempo – que ele também trabalha para chegar a um nome alternativo para 2020, a tal terceira via, e confirma a insatisfação com o prefeito Herzem Gusmão -, surge outra pergunta: se ele considera que o prefeito Herzem Gusmão não cumpriu esse papel e demonstra decepção com isso, por que ainda está no conselho consultivo [formado por alguns empresários e profissionais que apoiaram o prefeito para discutir com ele ações prioritárias]? Na resposta, Onildo é incisivo e explica um das razões por que ele não faz a mesma aposta que fez em Herzem em 2016. “O conselho nunca foi do candidato ou do prefeito. Foi criado para ser da cidade e aconselhar o prefeito, coisa que, infelizmente, nunca teve oportunidade”, revelou.

Se tem esse ponto de vista sobre a atuação do prefeito Herzem Gusmão, faria alguma ressalva (positiva) em se tratando do trabalho da Prefeitura no município? Onildo aprovaria a administração de Herzem Gusmão em que ponto e em que ponto acha que ela é falha? A resposta foram várias perguntas.

“Por que não partimos para discutir um novo projeto? Por que precisamos ficar sempre criticando ou elogiando antigos e atuais gestores? Não acha que um projeto sobre o que pretendemos fazer já demonstra a diferença e as pessoas podem fazer a comparação e escolher o que acha mais correto?”, perguntou Onildo, evitando a avaliação. Preferiu não ser direto. Como em 2015, quando deu algumas declarações enigmáticas como: “Meu medo maior é tirarmos o PT e colocarmos uma outra via que pode ser tão autoritária quanto”, o empresário deixa no ar o que pensa, de fato, sobre a gestão do prefeito que, segundo ele, não ouve o conselho e nem  conseguiu colocar em prática um projeto coletivo, em que Vitória da Conquista estivesse acima de pessoas e partidos.

NOVA IDEIA DE GESTÃO

No entanto, deixou para o fim da resposta uma frase em que usa um verbo forte no início, provável indicador de que, desta vez, ele não desiste do projeto no meio do caminho, como foi em 2016. “Pretendo com o maior número possível de pessoas e construir uma ideia nova de gestão, uma gestão participativa e colaborativa”, anunciou. Mas, desse “maior número possível de pessoas” deve sair um nome para capitanear o projeto. Quem seria? Onildo poderia ser o candidato? Se sim, em que condição? Se não, por quê?

O estilo se mantém. Ele diz e não diz, deixa à avaliação de cada um. Sobre se é ele é o pré-candidato diz que “não podemos sair de um nome para um projeto, este é o modo operante tradicional e, na minha opinião, criticado por todos. Também permite autoritarismo, decisões equivocadas, isolamento do gestor, prepotência, facilita à corrupção, etc.”. Para ele, essas condições serão afastadas se o projeto for coletivo. “Novamente, defendo a construção de um pacto administrativo com o esboço de um projeto para a cidade e uma proposta de gestão compartilhada. Você já me disse que é utopia. Eu acredito que quando acreditamos em algo de forma compartilhada a utopia pode se transformar em realidade ou transformar a realidade”.

O BLOG pediu para Onildo explicitar melhor o que seria a “proposta de gestão compartilhada” que ele defende. Quem poderiam ser os atores desse compartilhamento? Para o empresário não há uma escolha, podem ser atores do compartilhamento “todos que ajudarem a construir o projeto. O candidato será aquele que melhor representar o conjunto, aquele que tiver a confiança da grande maioria”.

Insistimos para saber até onde vai a disposição pessoal de Onildo Oliveira para tornar realidade a ideia que ele defende.

BLOG – Não sendo “do nome ao projeto”, mas “do projeto ao nome”, considerando que isso se concretize e sendo você uma das pessoas qualificadas que defendem a proposta, se o coletivo/comunidade entender que é esse o caminho, definir o projeto e o convidá-lo, você está disposto a ser a pessoa com a responsabilidade de gerir o projeto?

ONILDO – É claro que vamos ter o gestor, durante o processo de construção sairá o nome mais qualificado e de confiança. Este é o momento de unirmos esforços para aglutinar as melhores cabeças. Um nome, neste momento, nos faria iguais aos outros. A nossa força está exatamente em reconhecer que não queremos ter chefe, líder, tutor ou rei. Todos podem e devem ser protagonistas”.

Finalmente, Onildo dá uma explicação sobre como imagina a gestão, dentro do projeto compartilhado que defende: “A gestão também pode ser discutida e decidida por um colegiado, o Gestor será quem assina e assume a responsabilidade legal, mas não precisa decidir sozinho, pela sua intuição ou vontade”.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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