As falas de Eduardo e do general, as reações nas redes e uma conversa em um restaurante

No domingo passado, em um restaurante bem frequentado de Vitória da Conquista um empresário conversava com duas pessoas sobre política e intenções. Disse que se o presidente Jair Bolsonaro não destituir o Supremo Tribunal Federal (STF) até o dia 3 ou 4 de novembro será tarde demais e esse pessoal vai esculhambar de vez o país. Esse pessoal, ele explicou, são o STF e o Congresso. Sim, ele disse “destituir” e que se isso não acontecer, quem cairá será o próprio Bolsonaro.

Isso foi quatro dias antes de o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PLS), filho do presidente, em uma entrevista, ameaçar a democracia com um novo AI-5 e milhares de pessoas darem razão a ele nas redes sociais, botecos, restaurantes e residências pelo Brasil. Foi antes de o general Augusto Heleno, ministro da Segurança Institucional, avalizar a famigerada proposta de Eduardo Bolsonaro e dizer que “tem que estudar como fazer”. É bom prestar atenção de quem estamos falando: ministro da Segurança Institucional, general.

O pai de Eduardo, o presidente da República, disse lamentar a fala do filho. Jair Bolsonaro disse mais: “Quem quer que seja que fale em AI-5 está sonhando. Está sonhando. Está sonhando”. É bom prestar atenção de novo. O presidente falou que é um sonho. E ele sabe com o que sonham o Eduardo e tantos outros que o seguem e apoiam. Nas redes sociais não foram poucas as pessoas que deram razão ao deputado filho do presidente.

Segundo um levantamento feito pela Torabit, uma plataforma de monitoramento digital, a ideia de Eduardo Bolsonaro foi rejeitada por 96% dos internautas que falaram do assunto. Infelizmente, não é um dado tão certeiro. As reações à postagem da matéria do BLOG em diversos grupos do Facebook foram, em sua maioria, contra, mas, não foi pequeno o número de pessoas a favor. “Concordo, tem que dar um basta nesta imprensa suja”, disse um internauta. Outro concordou usando termos religiosos: “Fogo no diabo da cabeça aos pés!”. Mais um bradou: “Se fizer o que estão fazendo no Chile pode me convocar”. Uma disse: “Toca logo o foda-se no rabo desses canalhas, meu presida. Demorou. TMJ (Tamo junto)”. Para obter o apoio de outro: “Se houver baderna, tá mais que aprovado”.

O homem no restaurante de Vitória da Conquista, representando o perfil dos bolsonaristas e falando sobre o sonho mencionado pelo presidente – antes de conhecer as falas de Eduardo e do general – disse que o prazo de Bolsonaro para destituir o STF é dia 4. Sem apelos a teorias da conspiração, não dá para descartar a conexão entre o que foi dito no restaurante e as reações nas redes socias com as atitudes dos Bolsonaro, que não estão para brincadeira. A ideia tem ressonância, o que a torna mais ameaçadora.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

1 thought on “As falas de Eduardo e do general, as reações nas redes e uma conversa em um restaurante

  1. Concordo amigo, outrora falávamos que a democracia era boa pois se o político não prestasse poderíamos tirá-lo, hoje o extremismo pede para queimar quem é contra, as informações via whats app e mídia tiram o raciocínio do cidadão, que acredita em tudo o que ver primeiro.

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