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Cancelamento de shows em Vitória da Conquista é visto como censura. Prefeitura nega


Únicos shows programados para as comemorações do aniversário da cidade, as apresentações dos grupos Afrocidade, Dona Iracema, Mulamba e Francisco, el Hombre e da dupla Achiles Neto e Marcus Marinho foram cancelados pela Prefeitura de Vitória da Conquista, que alegou problemas operacionais. Os shows encerrariam a Semana Municipal dos Direitos Humanos, neste domingo (10).

A explicação para o cancelamento na véspera das apresentações não foi bem recebida e nas redes sociais comentários desconfiados apontam para um gesto de censura do governo municipal, devido à identificação de posturas de esquerda nos grupos. Nas redes sociais circularam muitos comentários supondo que a decisão teria sido resultado da preocupação de que os shows se transformassem em ato político na esteira da repercussão da saída do ex-presidente Lula da prisão e em protestos contra o presidente Jair Bolsonaro.

Em sua conta no Twitter, a banda Francisco, el Hombre postou uma reprodução do ofício recebido da Prefeitura noticiando o cancelamento e lamentou o ocorrido, “já que toda logística estava pronta e estávamos muito ansiosos com a nossa primeira vez”, além de uma mensagem dizendo: “Assim que entendermos tais problemas operacionais, podemos responder com certeza do sobre o ocorrido”.

O BLOG procurou a Prefeitura de Vitória da Conquista em busca de mais informações que pudessem esclarecer quais os problemas operacionais ocorridos a ponto de levar ao cancelamento, na véspera, dos shows marcados com bastante antecedência. Em resposta, a versão oficial foi mantida, no entanto, ninguém na Prefeitura soube dizer qual teria sido, especificamente, a dificuldade operacional. Segundo a Secretaria de Comunicação (Secom) não houve problema nem de palco, nem de som, por exemplo, apenas houve a decisão de cancelamento. Não teria havido censura por causa de posicionamentos políticos das bandas, pois, “se fosse assim, eles nem teriam sido contratados”.

Também falamos com Achiles Neto, que apresentaria o projeto Caim, ao lado de Marcus Vinícius, e com Felipe França Gonzalez, produtor da Francisco, el Hombre. Achiles disse que, ao receber o comunicado da Prefeitura de que o show estava cancelado, enviou e-mail solicitando mais informações, mas não obteve resposta. Para o artista, “seria importante uma manifestação do poder público municipal pra gente conhecer melhor as razões do cancelamento”.

Marcus Marinho e Achiles Neto (Caim) | Foto: Duane Carvalho

Achiles considerou a explicação de problemas operacionais insuficiente, especialmente porque foi feito um dia antes do evento. Ele disse ter ficado sabendo que o grupo Afrocidade já estava na estrada, a caminho de Conquista, quando foi informado do cancelamento.

Também Felipe Gonzalez achou que o motivo alegado deveria ter sido mais bem explicado. No ofício, recebido por e-mail, a Prefeitura apenas diz que questões operacionais impediram a realização dos shows programados. “Simplesmente, recebemos este ofício”. Dissemos ao produtor da Francisco, el Hombre, que estão circulando nas redes versões de que poderia ter sido censura, com o objetivo de evitar críticas a Bolsonaro. “Não tenho dúvidas de que seja isso”, afirmou Felipe.


FOTO DESTAQUE: BANDA FRANCISCO, EL HOMBRE. FOTO: RODRIGO GIANESE

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