Nilton Gonçalves, Ilza Matos, Moderato Cardoso e Paulo Hortélio | De homenagens e nomes em prédios e ruas


Certa feita um amigo muito culto, ligado à área do Direito e da Justiça, comentou: “Nilton Gonçalves foi advogado de defesa a vida toda, lutando para soltar presos. Depois de morto, virou nome de cadeia. Uma injustiça…”. Referia-se ao notável advogado e ex-prefeito de Vitória da Conquista, que se notabilizou pelo seu destacado desempenho nos tribunais de júri nesta comarca e em outros municípios da Bahia, que hoje dá nome ao primeiro presídio da cidade, inaugurado em dezembro de 1993.

O segundo presídio, chamado de conjunto penal, inaugurado em 2017, ainda não tem nome. O deputado estadual Fabrício Falcão (PCdoB) apresentou projeto de lei na Assembleia Legislativa da Bahia nominando o estabelecimento penal de Paulo Hortélio. O homenageado também era advogado e foi o primeiro defensor público a atuar em Vitória da Conquista, função que exerceu até se aposentar, além de ter sido curador da 5ª Vara Cível e Vara da Infância e Juventude, sem nunca ter assumido qualquer causa privada.

No final de setembro, a Câmara de Vereadores aprovou projeto de lei do vereador Luís Carlos Dudé (PTB) dando à Travessa Góes Calmon o nome Ilza Viana Matos, que em vida prestou relevantes serviços a Vitória da Conquista, como dentistas e vereadora, tendo sido a primeira mulher a presidente o legislativo conquistense. Para o vereador e seus colegas, a Travessa Góes Calmon é aquela via que começa na esquina da Rua 2 de Julho e vai até a esquina com a Rotary Club, com uma interseção da própria Góes Calmon. A Prefeitura está transformando os dois trechos em alameda. O primeiro, da Góes Calmon à esquina do Rotary Club já está pronta. A outra parte está em obras.

Ocorre que, para homenagear Ilza, a Câmara de Vereadores, retirou a homenagem a Moderato Cardoso, um dos empreendedores que viveram em Conquista no século XX, pai do ex-deputado Leônidas Cardoso e do empresário Pedro Cardoso. A lei que mudou o nome da Travessa Góes Calmon para Moderato tem o número 639 e foi sancionada pelo então prefeito Murilo Mármore, no dia 7 de abril de 1992. Moderato veio de Palmas de Monte Alto, com menos de dois anos, chegando a Vitória da Conquista em 1910 e a homenagem dos vereadores se justificou pela contribuição dada o desenvolvimento do município.

O BLOG do Anderson, que levantou a história, diz que os familiares de Moderato lamentaram a medida dos vereadores mudando o nome da via, embora considerem que Ilza Matos merece a homenagem. “Nós ficamos tristes de um lado e felizes por outro”, disse Leônidas Cardoso ao Blog do Anderson.

Anderson também diz que o vereador Fernando Jacaré (PT) informou que a alteração só pode acontecer mediante aceitação popular: “50% dos votos mais 1”. Não é o caso. Só é preciso consulta popular, de acordo com o inciso XVII, artigo 7º, da Lei Orgânica do Município, se for em razão de cassação de homenagem, o que não foi o caso. A Câmara de Vereadores não cassou a homenagem a Moderato Cardoso. Foi uma derrapada, barrigada, na linguagem jornalística, falta de conhecimento e pesquisa, na realidade.

A prova de desconhecimento que levou ao erro é o próprio projeto de lei do vereador Luís Carlos Dudé. Ele, simplesmente, não sabia que já havia um nome para aquela via. Acreditava que ainda se chamava Travessa Góes Calmon, como diriam os mais antigos, “se fiou na placa na parede”. Como dito acima, o nome mudou em 1992.

Para piorar um pouco o equívoco, a Prefeitura mudou o nome da ex-vereador Ilza Viana Matos, colocando Ilza Vieira Matos na placa da obra. Nisso, Dudé e a Câmara, pelo menos, acertaram.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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