Um governador apostando corrida consigo mesmo. E a saúde, Rui?


Na manhã de ontem (sexta-feira, 6), o governador Rui Costa se sentiu mal quando realizava um ato de inauguração em Jequié. Não foi nada de mais. Segundo o blog Blitz Conquista, o governador chegou a se deitar no piso, mas, após alguns minutos, se levantou e prosseguiu com a agenda, inclusive discursando.

Antes, segundo uma pessoa que acompanhava o governador cidade narrou ao BLOG, na inauguração da Escola da Polícia Militar, Rui Costa decidiu cobrar um pênalti em momeno de descontração, no campo de gramado sintético da escola. Chutou bem e fez o gol. Depois, decidiu trocar de posição com o goleiro e foi para debaixo das traves. Para não tomar o gol se esticou todo para não deixar passar a bola (veja a foto). Foi um grande esforço e ele demorou um pouco caído no gramado. Se levantou com ajuda de alguns presentes.

Pode ter sido só o calor. Rui conhece a temperatura de Jequié – a esposa dele, Aline, é da cidade – mas, não deve ter se hidratado bem. Mas, o fato é que, o governador passou mal.

Rui deu a si próprio o apelido de Correria. Sem querer, é um contraponto com o Galego, como os fãs chamam Jaques Wagner, que é dono de tranquilidade ímpar, do falar ao andar. Ambos competentes, Rui e Wagner escrevem história na política baiana, um tendo sido um excelente governador o outro correndo para fazer mais ainda. Uma correria que já o levou a quase 300 cidades baianas, em mais de 500 viagens ao interior. Desde o primeiro mandato, ele veio a Vitória da Conquista 16 vezes.

Há cerca de dois meses um político aliado reclamava que o governador mudou o local da assinatura de uma ordem de serviço de uma estrada, deixando de fazer o ato na cidade onde as obras começariam e estava instalado o canteiro, escolhendo fazer na outra ponta, porque a segunda cidade não tinha sido visitada por ele ainda.

Rui aparece em fotos e vídeos de manhã cedo em algum ponto de Salvador, à noite já está em Recife ou Fortaleza ou Teresina presidindo o Consórcio dos Estados e no dia seguinte aparece numa cidade do interior inaugurando uma obra, assinando uma ordem de serviço ou lançando uma pedra fundamental. Na mesma semana poderá estar embarcando para um périplo de negociações em busca de investimentos para a Bahia na Europa ou na China. Ou da Europa para a China. As viagens internacionais antes eram em favor do estado, especificamente, agora, elas também atendem à demanda regional, pela representação do Consórcio de Estados.

Quando venceu a primeira eleição, Rui Costa fez uma caminhada para comemorar em Itabuna. Servia, também para começar a campanha de Dilma no segundo turno. Em Itabuna, se não houver uma caminhada, atravessando toda a Avenida do Cinquentenário, não houve campanha. É obrigatório andar na Cinquentenário durante e depois da eleição, se for o vencedor, claro. E Rui teve as duas. Na comemorativa ele não andava, corria. E parecia tomado por uma força extranatural. Abraçava pessoas que vinham até ele, desviava da rota para subir calçadas, entrar em lojas. Tudo num pique de atleta. Foi assim do Jardim do Ó, até o final do Pontalzinho, em mais de uma hora de caminhada, em razão da multidão a ser abraçada pelo caminho. E Rui Costa tinha 51 anos, naquele 17 de outubro de 2014.

A certa altura, ao voltar para a avenida, depois de abraçar uma mãe e a filhinha que estava no colo dela, Rui teve um leve desequilíbrio na transição do meio-fio para o asfalto. Incontinenti, no afã de ajudá-lo, eu o segurei pelo braço, como se tivesse força suficiente para impedir uma queda do governador eleito da Bahia. Na verdade, não precisou do meu gesto, ele só balançou, mas não caiu. Então, virou-se para mim e disse, ríspido: “Quer me segurar por quê? Me solta. Me deixa andar”. Não tive tempo de explicar que quis apoiá-lo e não o segurar (por que o faria?), mas ele correu mais e eu fiquei para trás, decidido a, desde então, não mais ajudar político nenhum que esteja caindo.

Em Jequié, Rui Costa, já aos 56 anos, não caiu, mas deitou. Deve ter sido o calor. Foi o calor, pronto. Acordou muito cedo, comeu algumas frutas, um leve café e foi para a correria. Não merendou e, naquele calor da Cidade do Sol, o corpo cobrou. A pressão arterial caiu, segundo a assessoria.

No mês passado, o governador tirou férias. Foi para o exterior, destino não informado. Pode-se dizer que descansou. Tomara. Mas, ninguém pode desprezar que, com tanto pique, até Rui Costa cansa. O governador aposta corrida consigo mesmo, tem uma meta. A maior parte da Bahia compartilha do projeto dele. O governador quer ser candidato a presidente da República. Antes, quer eleger a maioria dos prefeitos do estado. E para isso, corre para mostrar trabalho. Muito trabalho. É bom para a Bahia.

Mas, e a saúde, Rui?

 

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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