Ano novo começa a corrida para a Câmara de Vereadores de Conquista. E não vai ser fácil


Em tese, a eleição para vereador, no dia 4 de outubro do ano que vem, será mais difícil para todos os candidatos e partidos, com o fim das coligações. Até 2016, os partidos poderiam se agrupar, tonando-se um único, o que favorecia aos nomes mais conhecidos e mais fortes eleitoralmente. Isso se dava por que o número de candidatos das coligações equivalia ao dobro do número de cadeiras da Câmara, como são 21 vereadores, podiam ser 42 candidatos por coligação, mas, principalmente, porque a permissão do agrupamento partidário possibilitava a formação de chapas com o intuito carrear votos para ajudar os chamados cabeças.

Na eleição de 2020, o número de candidatos por partido será apenas 50% a mais que a quantidade de cadeiras, ou seja, 32. E cada partido terá que buscar seus votos sozinho. Isso na eleição de vereadores, porque as coligações continuam valendo para a eleição de prefeito. O quociente eleitoral, que é a quantidade de votos que um partido precisa para eleger um vereador, será calculado da mesma forma, dividindo-se os votos válidos pelo número de vagas. Tomando como referência o eleitorado de novembro de 2020 (227.907), a média de abstenção das quatro últimas eleições (18,55%) e dos votos válidos das três últimas eleições para a Câmara Municipal (92,46%), estima-se que o quociente fique em torno de 8.200 votos.

Nunca, em Vitória da Conquista, um candidato conseguiu sozinho os votos necessários para se eleger vereador, sempre foi necessário somar os votos de outros candidatos da mesma chapa, mais os votos de legenda (quando o eleitor vota no número do partido).

Nas eleições de 2016, 28 partidos participaram das seis coligações que concorreram à eleição de prefeito. Já para disputar as 21 cadeiras da Câmara de Vereadores, foram 25 partidos em 10 coligações proporcionais e mais PT, PSB, PSC e PPS que saíram sozinhos e elegeram sete vereadores, quatro do PT, os demais um cada. Se repetirem a mesma votação em 4 de outubro que vem têm a chance de repetir a quantidade de eleitos. O MDB, que praticamente saiu só (o PMB, coligado, só teve 32 votos) também elegeria a mesma quantidade, isso considerando o eleitorado atual e os percentuais médios mencionados acima.

Já o PCdoB teria alguma dificuldade para eleger os mesmos dois que tem hoje. Tampouco o DEM, que, apesar de ter a vereadora mais bem votada e o sexto colocado, a votação do partido em 2016 ficou bem abaixo do quociente. Isso sem contar que Lúcia Rocha e Álvaro Pithon veem suas votações caindo desde a eleição de 2008, no caso da vereadora, e 2012, no caso do vereador.

Os demais partidos com representação na Câmara – PP, PTB, PL, PSL, Republicanos, Solidariedade e PRTB – tiveram poucos candidatos e poucos votos em 2016, se beneficiando das coligações, e devem ter dificuldade para completar as chapas para a disputa. Ter o maior número possível de candidatos é condição essencial para a eleição de um vereador. Em 2016, foram 365 postulantes. Dividindo esse número pelos 14 partidos com assento na Câmara, o resultado (26) não completaria as respectivas chapas. Pode faltar gente. E voto.

RENOVAÇÃO

À medida que as eleições vão se aproximando, contas vão sendo feitas e surgem as especulações sobre o índice de renovação da Câmara de Vereadores. Sem pesquisa específica, o BLOG não faz qualquer estimativa, mas as apostas variam de sete a dez vereadores que podem não retornar, incluindo Márcia Viviane, que, comenta-se, não deve se candidatar. Saber os percentuais de renovação desde 2004 pode ajudar nas estimativas, mas, cada eleição é uma nova história. A média é de 54%. Isso daria uma mudança em 11 cadeiras.

Na eleição de 2004, 68% dos vereadores ficaram fora, em grande parte porque uma decisão judicial reduziu o número de vagas de 19 para 14. Considerando apenas as vagas disputadas, o índice de renovação naquela eleição foi de 57,14%, ainda muito alta. Em 2008, oito dos vereadores não conseguiram se reeleger, também 57,14%. Em 2012, o número de vagas subiu para 21, mesmo assim sete vereadores (47%) ficaram fora. Na eleição de 2016, 11 não se reelegeram (52,3%), mas quatro não concorreram (Ademir Abreu, Arlindo Rebouças, Gilzete Moreira e Irma Lemos).

Já para 2020 tudo, ainda, é especulação.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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