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Opinião | Cinderela e a lenda da terceira via na política conquistense

Quase todo mundo conhece o conto de fadas Cinderela ou A Gata Borralheira. Ou pelo menos a parte sobre o príncipe sair pelo reino procurando um pé que coubesse no sapato de cristal deixado nas escadarias do castelo por uma moça bonita com quem ele dançara e que fugiu logo que o sino do relógio tocou avisando que era meia-noite. Cinderela correu para aboletar-se na carruagem feita de abóbora por uma fada e já chegou em casa nos mesmos farrapos com que a madrasta e as meias-irmãs más a faziam se vestir. (Este resumo é de uma das versões, de Charles Perrault, de 1697. Na dos Irmão Grimm não há fada e varinha, mas, pombinhas brancas).

Vamos trocar o príncipe por Vitória da Conquista, o baile por reuniões intermináveis, o sino do relógio com o calendário eleitoral, a carruagem feita de abóbora pelo partido político, o sapatinho pela candidatura a prefeito e Cinderela o provável candidato que pode concorrer pela chamada terceira via, uma pretensa alternativa às opções MDB – o atual prefeito Herzem Gusmão – e PT – dizem que José Raimundo.

Não é a primeira vez que essa história acontece. Teve isso em 2016, em 2012, 1992, 1988… E o sapato nunca coube direito no pé de ninguém. Quando coube, era um só e mancas, as candidaturas da terceira via não chegaram a lugar nenhum

O relógio já deu a última badalada da meia-noite. Mas, o conto da terceira via, diferente da lenda de Cinderela, parece não ter fim. Quase todo dia tem um capítulo novo no Blog do Massinha, que arrisca de quem pode ser o pé em que caberá o sapatinho de cristal da candidatura.

Em termos de voto ou densidade eleitoral, alguns ainda estão como Cinderela antes de a fada lhe transformar em princesa com a varinha de condão: em farrapos. Sua carruagem ainda é uma abóbora. Mesmo assim, estavam no baile, acreditam ter dançado com o príncipe e sonham que o sapato lhe caiba no pé.

Mas, como no conto, não passa de fantasia. No caso atual, estimulado pelas mesmas ambições daqueles que a quem querem impedir de se casar com o príncipe. Cinderela era apenas uma moça boa, rejeitada pela madrasta e pelas meias-irmãs, com as quais nunca teve boa convivência ou compartilhou bons momentos. Já os personagens da fantasia da terceira via já se deram bem com a madrasta e com as irmãs más. Em algum tempo, fustigaram uma gata borralheira qualquer vista como adversária. Comeram na mesma mesa, brincaram com os mesmos brinquedos.

A terceira via é um condomínio de políticos contrariados, que querem apressar uma chance de chegar aonde chegaram – com apoio deles – os que hoje eles querem afastar ou impedir de vencer a eleição. Nisso não há juízo de valor moral, avaliação de caráter, honestidade cotidiana, competência, educação, simpatia, etc. É, meramente, uma opinião sobre o caminho proposto, a ideia e de como ela é conduzida.

Há, entre todos os que participam do baile, os que pensam de forma coletiva, que desejam ver acontecer no reino um projeto de gestão e democracia melhor os que foram apresentados ou realizados nos últimos 23 anos. Mas, estes que pensam assim, não foram ao baile calçando sapatinhos de cristal, não estão com os pés pendurados na janela desejando ter a mesma forma do sapatinho da candidatura na eleição de outubro. Outros tantos estão. Dançaram com o rei no baile passado e no de 2012, no de 2008 e até antes, agora, entretanto, não gostam mais da música. E sonham fazer no castelo uma festa com DJ próprio a partir do ano que vem.

Qualquer pessoa pode não gostar do PT e do MDB. Pode não gostar de Guilherme Menezes, José Raimundo e Herzem Gusmão. Não há condenação para quem acredita que o PT deixou coisas por fazer ou que falhou no diálogo ou que o eleitor perdeu a confiança no partido. Nem será jogado aos jacarés do fosso sob a ponte quem pensa que Herzem se atrapalhou (e ainda se atrapalha) muito, deixou de cuidar de áreas importantes e repetiu o erro da falta de diálogo. Mas, negar as importantes modificações empreendidas no município sob a liderança dos governos municiais petistas e a capacidade de seus três principais nomes (Guilherme, José Raimundo e Waldenor), responsáveis por um salto na qualidade urbana de Conquista em 20 anos, ou rejeitar que Herzem fez a correta aplicação dos recursos que encontrou ao assumir, que visualiza Vitória da Conquista mais à frente e que também dá respostas efetivas às demandas da cidade em termos de urbanismo, é ferir de morte a sensatez, a coerência e a honestidade intelectual.

Ser terceira via por não querer nem a volta do PT nem a continuidade do governo do MDB é uma justificativa simplória demais. Superficial. Encobre o verdadeiro desejo da maioria (que é uma minoria bem pequena) dos que fazem essa aposta: conquistar o poder. Seja para o PSD, de Otto Alencar, seja para o PP de João Leão. A meta vem de fora, visa 2022, inclusive.

Não há nenhuma dúvida de que uns três nomes dos que já foram mencionados como opções para a tal terceira via são competentes no que fazem, respeitados no seu meio e podem ser considerados capazes de conduzir a gestão pública do terceiro maior município da Bahia e um dos mais importantes do Brasil. Mas, eles já disseram que não querem. E não vamos citar seus nomes porque isso é desnecessário – e até desgastante. Os que insistem não querem melhorar o reino, embora possam até fazê-lo, porque, como dissemos antes, não está em análise suas capacidades profissionais, empresarias, pessoais, mas a intenção camuflada na fantasia, de mudar o guardião do castelo, colocando lá uma cinderela nova, mesmo que a carruagem já tenha virado abóbora.

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