Sobre coronavírus | Sim, temos direito ao pânico. E à informação tempestiva


Os governos trabalham para evitar o pânico diante do gigantesco aumento dos casos suspeitos de coronavírus no mundo. No Brasil, em alguns dias, os registros saíram de três para mais de 180, considerando apenas os números que o Ministério da Saúde admite. Perto de nós, que moramos em Vitória da Conquista, no início da semana, Jequié apresentou sua primeira ocorrência de suspeita. Uma freira que chegara da Itália foi internada no Hospital Geral Prado Valadares com sintomas parecidos com os do novo vírus, o covid-19. Felizmente, descartado.

Em Itabuna, quatro pessoas da mesma família, também com passagens pela Itália, foram recebidas em hospitais locais, como situação semelhante. Uma criança de um ano e quatro meses e seus pais ficaram internados no Hospital Manoel Novaes, uma das avós da criança no Calixto Midlel. Todos já receberam alta.

O papel responsável da imprensa é noticiar todos os registros, das suspeitas, das confirmações e dos descartes, os resultados negativos. Não pode se submeter à burocratização da informação pretendida pelos órgãos de comunicação dos governos, a pretexto de evitar pânico. Se há cinco casos suspeitos em Vitória da Conquista desde ontem, isso já deveria ter sido noticiado e esclarecido. As pessoas têm direito de saber – em tempo hábil – que há uma ameaça perto de suas casas, de seus filhos, suas famílias. Não se está lidando com coceira ou bicho-de-pé, mas com uma epidemia global, presente nos cincos continentes e que já emite sinais perto de nós.

Quando soubemos do caso suspeito em Jequié fizemos contato com um assessor do governo do Estado. Ele desconsiderou, chamou de boato e optou por colocar na conta da política. Argumentamos que havia sido confirmada pelo secretário de Saúde do município, que não poderia estar espalhando notícias falsas. Ele insistiu que se tratava de um boato gerado em razão de “disputas políticas locais”.

Em outro momento, quando surgiu a informação sobre as internações em Itabuna, o assessor disse que tinha dezenas de boatos para trocar e que determinados jornalistas daquela cidade não deviam ser levados a sério. Não foi apenas ele. Com a nossa preocupação em acompanhar os casos, informar a população as suspeitas e os descartes delas, com as fontes oficiais, nossas solicitações de dados já são recebidas com um impaciente “de novo?”.

Em um país em que fontes oficiais omitem informações, onde dengue, zika e chikungunya se alastraram e ainda atingem milhares de brasileiros, a imprensa tem a obrigação de ir atrás de tudo e informar o máximo que puder sobre cada caso. Falamos de informar, com tempestividade – e seriedade. Isso não é alarmismo. Não é sensacionalismo.

Este BLOG, por exemplo, não especula, não inventa, não antecipa. Não se importa com furos, mas com a informação a tempo de avisar as pessoas, de deixá-las alertas, cientes. Soubemos da possibilidade dos casos de gente com suspeita do novo coronavírus na cidade no começo da manhã, mas não publicamos nada até falar com quem poderia confirmar (ou negar) as internações. Mas, logo que foram admitidas, é nosso dever publicar. E esperamos publicar, logo mais, que as suspeitas não se confirmaram como coronavírus.

Por isso, apelamos às autoridades e às assessorias de comunicação e imprensa que não burocratizem a informação, não a tratem como objetos com dono e não escolham a quem informar primeiro. Esse mau costume é ruim para a sociedade.

E, mais importante, a população tem direito de ficar assustada, em pânico, que seja. Já é privada de muita coisa (informação, saúde, direitos…), não usem o pânico como pretexto para lhes tirar o direito de se preparar para o pior. Ou para a boa notícia de que tudo não passou de mais um susto.

CUIDADOS A TOMAR NA PREVENÇÃO DO CORONAVÍRUS

FONTE: HCOR SÃO PAULO

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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