Conquista | Força de Lúcia Rocha faz pré-candidatos a vereador fugirem de chapa com ela e gera especulação sobre união com o PT

Lúcia Rocha teve 14,54% dos votos dados a candidatos a deputado estadual em 2018, em Vitória da Conquista. Foram 23.090 votos, ficando abaixo de Zé Raimundo (PT) e acima de Fabrício Falcão (PCdoB), com quase o dobro da votação. A excelente votação dela fez chover sugestões e convites para Lúcia ser candidata a prefeita. Mas, fiel a sua forma de atuar, ajudando pessoas e comunidades em todo município, ela sempre argumentou que uma eleição à Prefeitura seria complicada, enquanto se reeleger para a Câmara de Vereadores seria quase certo, o que lhe permitiria manter o trabalho social que faz, facilitado pelo mandato de vereadora.

A mudança na lei eleitoral, que acabou com as coligações para eleições proporcionais, impôs, no entanto, a Lúcia Rocha, uma situação delicada. Vereadores de mandato e pré-candidatos que sonham com a eleição não querem estar na mesma chapa que ela. Contam que Lúcia tem uma eleição fácil, pois sempre é a mais votada, o que implicaria, na visão dos que resistem a seu nome, em menor chance dos demais. Para o leitor entender melhor: para eleger um vereador em Vitória da Conquista serão necessários entre 8 mil e 8,5 mil votos. Esse número é resultado da divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras da Câmara, que são 21.

Na eleição de 2016, Lúcia Rocha obteve 3.784 votos. Com a projeção obtida na eleição de 2018, quando ela teve mais de 23 mil votos, os concorrentes dela acham que ela terá mais de quatro mil na eleição deste ano, ficaria precisando de quantidade igual para se reeleger vereadora. Como poucos dos candidatos que querem uma vaga na Câmara de Vitória da Conquista tem potencial para mais de 1,5 mil votos*, acham que estando na mesma chapa que Lúcia Rocha seus votos a ajudarão e eles teriam menos possibilidade de eleição. Acreditam que têm mais chance se a chapa for recheada de candidatos de 600, 500, 300 votos, porque assim, eles – os de apenas 1.500 votos -, se elegerão.

Lúcia Rocha é filiada ao DEM, que já tem cerca de 20 pré-candidatos a vereador, mas alguns deles fazem as contas acima e temem que ela seja a única eleita. Calculam que a competição fica acirrada com os mais fortes, de potencial de votação oscilando entre mil e 1,5 mil votos, mas teriam mais competividade sem a vereadora na chapa. Segundo a presidente do DEM em Vitória da Conquista, Sheila Lemos, Lúcia é muito bem-vinda, pois, de acordo com Sheila, contribui com seu potencial eleitoral para o crescimento da chapa como um todo. O DEM calcula eleger de dois a três vereadores, com a presença de Lúcia entre os candidatos a vereador.

Este é o cenário em relação à campeã de votos nas eleições de vereador de Vitória da Conquista. Mas, não é o único em que o nome de Lúcia Rocha circula com destaque. Nos últimos dias surgiram comentários de que ela poderia deixar o DEM e migrar para um partido da oposição ao prefeito Herzem Gusmão, aproximando-se do PT e tornando-se um nome forte para a vice de Zé Raimundo, que deve ser lançado oficialmente neste sábado (14), como candidato do partido. Lúcia também poderia ir para o PSC. Mas, o que causou mais impacto foi a notícia, divulgada por alguns blogs da cidade, de que ela teria sido convidada para a chapa petista. O PT nega oficialmente o convite.

Mas, nem o PT e nem o grupo de Herzem podem negar que um movimento de Lúcia nessa direção pode desequilibrar a eleição. Pessoas ligadas ao partido de Zé Raimundo e Rui Costa chegam a prever a eleição decidida no primeiro turno. Mas, assim como o PT negou oficialmente o convite, Lúcia também não disse que ele houve. Informou ao BLOG que está estudando os caminhos, que tem a prioridade da reeleição e, por isso, terá uma conversa com o prefeito Herzem Gusmão (MDB) antes de decidir para onde vai ou se fica no DEM.

O prazo é o dia 3 de abril. Não está longe e a cidade começa a demonstrar pressa para saber como vai estar o cenário da eleição majoritária. O que se fala nos bastidores é que Herzem não pode perder Lúcia e que, por outro lado, havendo como ajustar, o PT cometeria uma insanidade se abrisse mão do que foi chamada de uma “chapa imbatível”. Por enquanto, o PT está às voltas com a pressão do PCdoB, que quer porque quer a vice, com o intuito de encaixar o ex-vereador e advogado Andreson Ribeiro.

* Na eleição de 2016, apenas 21 candidatos tiveram mais de 1.500 votos, destes, 17 se elegeram. Os outros quatro tiveram abaixo desse número e um deles teve menos de mil votos.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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