Coronavírus | Uesb, SEC e Prefeitura de Conquista apostando na sorte e na fé

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“Não sou da área da saúde e nem gestor público, mas me parece que a UFPA, instituição onde trabalho, comete um erro em determinar, por hora, ‘manter as atividades acadêmicas regulares’. Pressupõe-se que isso deva ser feito enquanto não surgirem casos da doença COVID-19 na instituição. Isso foi estabelecido pelo Grupo de Trabalho sobre o novo coronavírus, justamente estabelecido.

Bom, acompanhei atentamente o debate ocorrido na Itália nas últimas semanas, inclusive desde o surgimento da contaminação nesse país e pude ver que a estratégia local era a de manter a vida normal até que o país ingressasse no estágio da contaminação comunitária, com isolamentos pontuais dos focos contaminados. Na televisão e nos jornais, os especialistas locais sugeriam o contrário: que os governos e instituições se antecipassem, reduzindo drasticamente a circulação de pessoas. O resultado é o que vimos, o descontrole da contaminação”.

O texto acima é de autoria do Professor Doutor Fábio Fonseca, de Belém, Pará. E expressa, basicamente, o que vai a seguir, minha preocupação.

O curso de Direito da Uesb, o qual eu faço aos trancos e barrancos, porque tenho que escolher entre trabalhar para sobreviver e lutar pelo diploma – e, na maioria das vezes, a luta pelo diploma perde -, tem me ajudado a pensar mais, juntando os cânones à prática da vida.

O excelente professor Cláudio Carvalho, de Direito Ambiental tratou, em uma das poucas aulas que pude ver, de precaução e prevenção. Hoje, diante da nota tecnicista da reitoria da Uesb, me vi pensando no que Cláudio ensinou.

A Uesb fez uma aposta. Diante da pandemia do novo coronavírus, para não complicar mais o calendário que a instituição deixou atrasar, lá atrás, antes da atual gestão, optou por tomar medidas que não interfiram diretamente na rotina acadêmica, e deixou claro que vai esperar para ver o que precisa fazer a mais. Como se dissesse, a exemplo da UFPA mencionada por Fábio Fonseca, que vai esperar o coronavírus chegar à beira dos muros da universidade para alterar a vida na Uesb.

Na extensa nota, à semelhança de um artigo acadêmico, decide a reitoria, entre outras medidas, suspender por 30 dias, eventos associados à universidade que tenham mais de 100 pessoas, incluindo formaturas. Não ponderou a Uesb que um único corredor de salas, como o que frequento, junta bem mais que 100 pessoas a cada turno? Fica a parecer que as medidas foram apenas uma resposta, diante do que já têm feito outras instituições, como a Uesc, que adiou o inicio das aulas de graduação, ou o IFBA que suspendeu as atividades.

No âmbito do estado da Bahia, a Secretaria de Educação também está a esperar. Opção pelo risco. O chamado custo-benefício. E as escolas permanecem lotadas e assustadas. Os pais, em casa, nem se fala. Por enquanto, dicas de higiene, lavar as mãos, espirrar na dobra do braço – e os mesmos bebedouros.

O argumento é evitar o pânico. Mas, a população já está em pânico!

A Prefeitura de Vitória da Conquista optou por linha parecida. Com casos suspeitos surgidos entre seus próprios quadros, a administração “aguarda as orientações”, sequer divulga o resultado dos casos suspeitos que ela mesma anunciou. A tática do “faz silêncio que o povo esquece”.

Enquanto isso, o álcool em gel some dos supermercados e tem seu preço elevado à altura nas farmácias. As pessoas não pegam mais nas mãos uma das outras e as autoridades esperam.

Mirem-se no exemplo da Itália. Parem de usar a desculpa de evitar o pânico para não adotar a precaução.


ESTE É UM ARTIGO DE OPINIÃO, NÃO UM TRABALHO JORNALÍSTICO. FOI ESCRITO PARA EXPRESSAR MINHA PREOCUPAÇÃO PESSOAL. NINGUÉM É OBRIGADO A CONCORDAR.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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