Coronavírus | Conquista passa por um surto de desconfiança, enquanto Prefeitura e Sesab estão em guerra

A qualquer momento pode ser divulgada a notificação de um ou mais casos confirmados do novo coronavírus em Vitória da Conquista. Mas, ainda estamos em graça, porque só surgiram (de 28 de fevereiro até as 16h30 desta terça-feira, 24), casos suspeitos, que aumentam, a exemplo do que acontece em todo o país e na maior parte do mundo.

Mas, na cidade se instalou uma espécie de surto da desconfiança. A cada publicação de boletins epidemiológicos chovem mensagens, por WhatsApp, Messenger, telefone, com gente perguntando? “E Vitória da Conquista?”, “E aqui?”, “Conquista tem algum caso?”. E o número de pessoas que fazem essas perguntas só aumenta. Não é que as pessoas querem que ocorra a doença, que apareça alguém com a doença na cidade, todos a temem, ninguém a quer e quase todos estão imbuídos na sua prevenção e combate, como se pode constatar das ruas vazias.

No entanto, há fatores que legitimam a dúvida: Vitória da Conquista é cortada por uma das rodovias mais movimentadas no país, a BR 116, ou Rio Bahia; tem um aeroporto do qual se cantaram loas por ter um grande movimento, levando e trazendo gente para a capital do estado e Sudeste do país. A estação rodoviária, nem se fala, em um dia normal tem o movimento de um mês de Aeroporto Glauber Rocha. E alimentam ainda mais as angústias as notícias de que os dois pacientes que são casos confirmados do Covid – 19 na região desceram no aeroporto antes de irem para suas cidades, não sem antes visitar parentes.

No domingo, o repórter Ricardo Gordo, muito conhecido, esteve no local e contou uma situação que o indignou. Um casal vindo de São Paulo desembarcou no Glauber Rocha, já monitorado por suspeita do novo coronavírus, colheu material lá mesmo, mas foi liberado, pegou um Uber e foi se hospedar em um hotel de Conquista.

Essas informações, por um lado, e uma guerra que o governo municipal resolveu travar com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) deixam as pessoas mais apreensivas. É mais uma guerra, como a da Policlínica, que só pode ter um efeito: prejudicar a população.

Em nota publicada no seu portal a Prefeitura postou: “É importante reforçar que a população de Vitória da Conquista deve realizar o isolamento social como medida de prevenção, uma vez que não está sendo disponibilizado para o município quantidade suficiente de testes pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, o que pode gerar subnotificação sobre o real número de infectados em nosso Município”. Grifamos a parte mais séria. A PMVC afirma que não recebe material para testes e fala em subnotificação sobre o real número de infectados. Sério isso.

O Sesab respondeu afirmando que “nunca disponibilizou um único teste para Vitória da Conquista ou qualquer outro Município. A coleta do material em pacientes com sintomas da covid-19 é feita com aparelho descartável disponível *em qualquer unidade básica de saúde*. E arrematou: “A possibilidade de subnotificação admitida pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, em sua nota oficial, precisa ser testada urgentemente. Se houve subnotificação, que não é gerada pela falta de “testes” que nunca foram distribuídos, o eventual atraso nas medidas emergenciais pode custar vidas”.

O município ainda fez uma réplica ressaltando que os kits para teste de Covid-19 são responsabilidade do Estado e que, ao informar  que o material necessário encontra-se em qualquer unidade de Saúde, a Sesab deve estar se referindo “ao coletor denominado swab, específico para a coleta viral e produto de aquisição relativamente fácil. Mas esqueceu-se de referir que este swab necessita de um meio de cultura para que o material coletado seja preservado. Os frascos com essa cultura são, na Bahia, produzidos e distribuídos unicamente pelo Lacen, Laboratório Central do Estado”.

“Independente da facilidade, ou não, de se encontrar os insumos necessários, essa responsabilidade de abastecer os municípios repousa, pela Lei, nos ombros do Estado, e Conquista não vem recebendo os kits necessários às suas demandas”, frisou a nota da Prefeitura de Vitória da Conquista, que ainda rebateu a Sesab acerca do prazo dos exames, que seriam de 48 horas. “Isso, também, não é fato, pontua a PMVC, mas os resultados do Lacen para os testes de Conquista têm demorado, em média, cinco dias para serem liberados”.

O governo da Bahia ainda não disse nada quanto às últimas afirmações do governo municipal. O fato é que essa guerra é lamentável. É ruim que esteja ocorrendo, mais uma vez, em um momento tão delicado das vidas de Vitória da Conquista, da Bahia, do Brasil e do mundo. Na ponta, quem perde é a população. Que está sem saber, afinal, se tem kits de testes, se não tem, quando vai ter e isso tem mesmo a ver com os números apresentados, dados como subnotificados pela Prefeitura.

Por isso, o surto de desconfiança. Por isso as pessoas, temendo, perguntam: É verdade que Vitória da Conquista ainda não tem nenhum caso de coronavírus? Como saber?

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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