Herzem, Cel. Ivanildo, Reno Viana, Xangai, Zé Raimundo e outros | Personalidades conquistenses dizem como estão passando pela pandemia

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e os especialistas recomendam: o momento é de isolamento social, fique em casa e só saia se for para fazer algo realmente essencial. E, se for do grupo de maior risco, não coloque o pé na rua. Esta é a orientação para as pessoas neste momento em que o mundo enfrenta uma pandemia por causa do novo coronavírus, que causa da doença Covid-19. No Brasil, o Ministério da Saúde reforça o conselho e pede à população que evite sair.

O BLOG entrevistou algumas personalidades conquistense para saber como está o dia a dia delas diante da ameaça do novo coronavírus. Estão em casa? Como realizam seu trabalho? Qual o pensamento sobre a crise que estamos passando? Enviamos para a solicitação de uma manifestação, acompanhada de uma foto da hora, para 23 pessoas, 13 responderam. Uma delas explicou que estava em repouso de um tratamento de saúde, as demais não deram retorno, certamente em razão das atribulações do momento.

Vale a pena ler. Se você é do tipo que não gosta de textos longos, leia um de cada vez. Aproveite a quarentena. E comente. Se quiser, mande sua história para a gente.

A todos pedimos uma selfie, a mais natural possível, sem retoques, sem obrigação de ter perfeição técnica. Só Xangai não fez, mas foi devidamente perdoado pelos editores ao enviar uma lembrança histórica que nos ajuda a conhecê-lo mais.

HERZEM: SÓ FICO EM CASA QUANDO POSSO

O prefeito Herzem Gusmão foi um dos que prestigiaram o BLOG. Ele tomou várias medidas tempestivas para enfrentar o risco do novo coronavírus em Vitória da Conquista. Foi um dos primeiros gestores municipais a determinar o fechamento de escolas e faculdades, academias de ginásticas, espaços de eventos e, em seguida, estabelecimentos comerciais considerados não essenciais. Mas, também tomou várias providências em casa para proteger a família do vírus, que ele chamou de assustador.

“Eu isolei as portas de acesso a minha residência, permitindo apenas o acesso lateral, pelo portão da garagem, com material para desinfetar calçados, que ficam na parte externa da casa e coloquei álcool em gel em pontos estratégicos para facilitar o uso e evitar esquecimento”, contou Herzem, sobre as medidas domésticas. Para trabalhar ele tem usado o celular, que não para, e o computador. “Pelo celular mantenho contatos diários com a equipe de governo.
e o computador tem sido outro grande aliado neste momento de reclusão”, disse.

O prefeito valoriza e cumpre o isolamento social o quanto possível, mas não tem como deixar de ir para a rua. É uma obrigação essencial do cargo que ocupa e da qual ele não se furtou desde que os primeiros casos foram notificados em Vitória da Conquista. “Tenho circulado pela cidade visitando obras de dentro do veículo. E se preciso sair, quando saio guardo distância e evito aglomerações”, explicou Herzem, que está orando e torce para que tudo volte à normalidade o mais rápido possível. “Tenho pedido constantemente as orações pelo Brasil, Bahia e para a nossa Vitoria da Conquista. Torço para o retorno da normalidade”.

O prefeito mandou uma selfie feita em casa. “Veja que a foto é autêntica, sem retoques, mesmo com o cabelo assanhado”, escreveu Herzem, em uma demonstração de simplicidade.

JOSÉ RAIMUNDO: O TEMPO É DE AJUDAR OS OUTROS, COMO PUDERMOS

Outro que não demorou para responder foi o deputado estadual José Raimundo Fontes, pré-candidato a prefeito do PT, que deve enfrentar Herzem nas eleições de outubro, se forem confirmadas. O deputado disse que está seguindo todas as recomendações para ficar em casa. Mas, em casa, ele continua acompanhando a política e trabalhando remotamente, por sessões por videoconferência. “Eu estou, conforme as recomendações de todas as autoridades sanitárias, cumprindo o isolamento social, mas acompanhando a dinâmica da política local, regional e da Bahia e trabalhando pelo sistema remoto de votação”, disse José Raimundo.

Como Herzem, o deputado se vale do telefone para continuar mantendo a agenda de contatos com secretarias e órgãos do Estado, encaminhando demandas da região. “Aqui no município acompanho a situação juntos aos órgãos de saúde”, diz. Como mesmo em tempo de crise na saúde, o calendário eleitoral, manteve o prazo do dia 4 deste mês para filiações de quem deseja se candidatar a vereador ou prefeito José Raimundo também tem dado atenção a essa rotina.

José Raimundo explica que não tem saído. Em casa, tem lido, assiste TV, filmes, documentários e procura se exercitar, dentro em casa mesmo ou, de vez em quando, anda um pouco em frente à casa dele. “Faço um pouco de caminhada aqui mesmo dentro de casa, às vezes na rua, que é deserta, ando cem metros para um lado, cem para o outro, volto para dentro de casa”. Quem sai para comprar coisas essenciais, como alimentos ou remédios, é a mulher dele. “Tenho evitado sair, a minha mulher é quem vai ao supermercado, na feira ou na farmácia, quando é inadiável, mas sempre protegida, com o maior cuidado, para que a gente não possa ser transmissor desse vírus que tanto mal vem causando”.

Ele diz que durante esse tempo tem feito contatos constantes com a família e procurado ajudar parentes e pessoas que o procuram com alguma necessidade pessoal. Estou em contato com meus familiares e da minha mulher, com meus filhos, amigos e pessoas mais próximas, orientando, ajudando muitas pessoas a atravessarem essa situação dramática que estamos vivendo, cumprindo aquilo que todo cidadão que possa deve fazer, que é ser solidário neste momento de angústia e de incertezas que nós atravessamos”.

Na foto que enviou, José Raimundo está em frente ao computador, quando ocorria uma das votações.

CEL. IVANILDO: PM NÃO PODE SE ISOLAR

O comandante do Comando de Policiamento Regional Sudoeste (CPRSO), da Polícia Militar, coronel Ivanildo da Silva disse que precisa estar em atividade o tempo todo, para isso toma todas as precauções. Segundo ele, o trabalho desenvolvido pela Polícia Militar precisa ser constante e presencial, por isso não há como fazer o isolamento. “A PM não pode compor o grupo de isolamento social, mais do que nunca precisamos estar nas ruas, patrulhando, abordando, conscientizando, apoiando órgãos de saúde”, explica.

A função de comandante regional, responsável por diversas unidades espalhadas com atuação em dezenas de municípios da região, exige presença e Ivanildo da Silva, bem como subcomandante, tenente-coronel Fernando Leite e demais oficiais dão expediente regular no quartel. “Como comandante regional preciso estar próximo da tropa, despachar documentos importantes, adotar ações estratégicas junto com o staff do Sudoeste em alinhamento com as determinações do Comandante Geral”, destaca Ivanildo

Ele explica que a dinâmica do trabalho policial não permite o trabalho remoto. Quem trabalha cuidando da segurança pública e apoiando as ações de outros órgãos, principalmente, da área de saúde, não pode pensar em home office, como outras atividades. “Toda essa dinâmica do trabalho, tanto as administrativas quanto operacionais não suportam trabalhar em casa”, explica o comandante do CPRSO.

Como têm que atuar na rua, em relação ao novo coronavírus os policiais tomam todos os cuidados. Por realizarem uma atividade que já envolve muitos riscos à vida, os PMs adotam todas as medidas preventivas recomendadas para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. “Por isso, adotamos todas as precauções possíveis com higiene pessoal, dos materiais e dos locais de trabalho. Constantemente equipes de saúde visitam as unidades, para informar e consultar. Além de equiparmos todas as viaturas, duas e quatro rodas, com kits de álcool, máscaras e luvas”, esclarece Ivanildo da Silva. “Tudo que for possível ser feito, pela tropa e pela sociedade, asseguro que será”, afirma.

Na foto, natural, a pedido do BLOG, o coronel Ivanildo da Silva está em sua sala, na sede do CPRSO.

ROSSANE: PODEMOS EVOLUIR A PARTIR DESSA CRISE, MAS ANTES PRECISAMOS NOS CUIDAR

A jornalista e publicitária Rossane Nascimento, que faz o programa Band Revista, Band FM, é uma das que podem trabalhar em casa e juntou essa condição à necessidade do isolamento social. “Eu trabalho em casa. Divido o meu tempo com afazeres domésticos e com colaboração de todos já que dispensamos a diarista”, diz.  Ela diz que o marido, Sidnei Ferraz é o único que tem saído com frequência para fazer compras ou para trabalhar na produção de vídeos da Prefeitura de Conquista, como cinegrafista, fazendo a cobertura do factual, não tem hora. “Mas, ele cumpre rigorosamente as regras que seguimos aqui em casa, já que ele trabalha com equipes, gente na rua, etc.”.

A publicitária diz que delimitou um espaço limite na entrada da casa, onde são deixados sapatos, bolsas e chave de carro. “Entramos com chinelos e logo trocamos de roupa, colocando a usada para lavar ou no sol, depois disso, antes de qualquer outra coisa, direto para o banho”, relata Rossane sobre os cuidados que ela e a família tomam em casa.

Mas, tem mais: “Também higienizamos a bolsa, chaves do carro, volante, manopla do câmbio e até o celular, com capinha e tudo, usando álcool em gel. O tempo todo, em casa, lavamos as mãos com sabão e não compartilhamos objetos pessoais, como talheres e copos. Passamos pano na casa com água sanitária pelo menos duas vezes ao dia. Temos uma irmã diabética em casa e ninguém chega perto dela ou vai até o quarto sem antes fazer toda essa assepsia”.

Ela diz que espera que chegue a hora que todos tenham a devida compreensão da ameaça que representa o novo coronavírus. “É uma chance que a gente tem para pensar mais na vida, na nossa e na das outras pessoas, acho que podemos evoluir disso”, acredita. Mas, antes, lembra Rossane, precisamos passar por essa crise, e isso exige seguir os cuidados que as autoridades de saúde nos recomendam. Uma delas é ficar em casa. “Se não precisar eu não saio e se sair mantenho a distância necessária, evito aglomeração e volto o mais rápido possível para casa, de onde acompanho o que acontece em Vitória da Conquista, no Brasil e no mundo pelos noticiários e pelos blogs locais, para compor o editorial do programa Band Revista”.

Rossane parou as leituras para seu mestrado sobre a poética de Elomar, a partir da teoria de Bakhtin para fazer a foto para a matéria.

SHEILA LEMOS: ESTAMOS APRENDENDO A MUDAR HÁBITOS

Outra empresária, a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sheila Lemos, está diante de um momento super delicado, já que a lojas estão fechadas por de decreto municipal, como forma de prevenir a contaminação pelo coronavírus e uma parte dos associados da entidade manifestaram o desejo de reabrir o comércio. Isso tem ocupado tem ocupado a dirigente e exigido sua presença na entidade. Outra tarefa que ela ainda não pode se desvencilhar é política. Sheila é presidente do Democratas em Conquista, como o deputado José Raimundo, se envolvido pessoalmente nas articulações para montagem de chapa de pré-candidatos a vereador, porque o prazo acaba depois de amanhã.

“Neste momento eu estou em casa, depois de um longo dia de muitos afazeres. Mas, você pode perguntar, “mas como muito trabalho em tempos isolamento social. Mas, mesmo agora, a gente ainda trabalha muito. Início de mês, começamos a verificar as contas que tem de pagar, salários de funcionários. E isso fora as atribuições da CDL”, disse Sheila na quarta-feira ao BLOG. A presidente da CDL explica que tem se reunido com lojistas para discutirem soluções que possam ser apresentadas ao Comitê Municipal de Crise, “para que assim que for seguro – e ela enfatizou a palavra – nós abrirmos o comércio, sempre considerando que a vida e a saúde das pessoas está em primeiro lugar”.

Sheila diz que os dias estão sendo muito trabalhosos, mas ela tem procurado seguir as orientações de segurança, aquilo que o Ministério da Saúde nos indica como medidas a serem tomadas. “Procuro estar sempre lavando as mãos, uso álcool em gel. Tomo cuidado também com roupas e calçados, não entro em casa com a roupa e o sapato que uso na rua, pois pode estar contaminado. Na verdade, são cuidados que poderíamos ter sempre, mas não fazem parte da nossa cultura e só agora, com essa ameaça à nossa saúde nos demos conta da importância. Vimos que devemos mudar hábitos e sermos bem mais cuidadosos com a nossa higiene, nos livrarmos dessa mania de ficar colocando a mão no rosto toda hora”.

Em casa, no carro, no escritório, segundo Sheila, em todo lugar os cuidados devem ser os mesmos. “Tenho álcool gel em casa e no carro, mas, em casa prefiro água e sabão. O calçado que usamos para sair, não entra em casa, fica na área de serviço e é logo higienizado. A roupa assim que é retirada vai para lavar”, diz e pede que todo mundo faça a mesma coisa, se puder.

Sheila fez a foto em casa, em uma parada nas atividades diárias.

ZÉ MARIA CAIRES: NOS CUIDAMOS PARA CUIDAR DOS OUTROS

Um dos principais articulistas pelo desenvolvimento de Vitória da Conquista, José Maria Caires, é um dos que estão trabalhando em casa. Dono da Maxtur, empresa de viagens, ele e equipe estão atendendo os clientes remotamente, cada um de sua residência. Mas, diz que a atividade não para. Zé Maria, como é mais conhecido, também diz que está tomando os cuidados recomendados pelas autoridades de saúde, isolado, com a esposa Valmária. O empresário tem esperança de que a crise não demore, embora comente que o topo da curva ainda está longe. Pelos seus cálculos, em junho pode ser que o cenário do mercado já esteja mudando, há uma perspectiva de retomada assim que a pandemia começar a declinar”, opinou.

“Estamos em casa, isolados, sem contato presencial com ninguém, mas trabalhando. Não apenas eu, mas toda nossa equipe atendendo os clientes, até porque o trabalho tem se avolumado em função de tantos cancelamentos de voos e remarcações. Estamos dando total atenção aos clientes”, relatou Zé Maria, explicando que uma parte dos funcionários ainda dão plantão na empresa, em sistema de revezamento e os demais ficam em casa. “A utilização de EPI, com máscaras, tem sido uma prática. Todos não apenas lavam as mãos constantemente, como são orientados a fazer uso do álcool em gel. Os cuidados são necessários para proteger tanto nossa equipe quanto os demais”.

De casa, Zé Maria não apenas faz as recomendações para o pessoal da equipe, mas as cumpre. Higienização constante. Não saímos, mas se precisar, evitar contato, grupos e não entrar com o sapato que saiu, colocar logo a roupa para lavar e tomar banho. “O novo coronavírus não é brincadeira”, comentou para, em seguida, demonstrar o otimismo de sempre: “Mas, espero que a partir de junho já tenhamos um novo cenário para o mercado, já estamos trabalhando com operadoras que acreditam em um grande réveillon, com disponibilidade a partir de setembro. Temos mantido contato com nossos fornecedores, então, a perspectiva é de uma retomada, assim que esse vírus começar a declinar”.

Zé Maria fez uma selfie em seu escritório de casa. Ao fundo, fotos da família, com destaque para a esposa, Valmária.

MARIA MARQUES: DISTÂNCIA DOS FILHOS É O QUE MAIS DÓI

Desde que aceitou o convite do prefeito Herzem Gusmão para assumir a Secretaria de Comunicação, a jornalista Maria Marques está hospedada em um pensionato. Preferiu assim, do que ir para um apartamento morar sozinha. Conhecida pelo ritmo frenético de trabalho e por passar a maior tempo no trabalho, nos últimos dias, ela escolheu ficar isolada. O motivo é o mesmo de quase todo o mundo: o novo coronavírus. Maria explica que é uma das pessoas do grupo de risco: 60 anos, hipertensa, fumante. “E agora adicionaram mais uma comorbidade: a obesidade. Eu sou gordinha”. Pelos fatores listados, ela fala que sabe que, neste momento, o isolamento é a única alternativa que tem. “Mas, não deveria ser só minha, mas a alternativa para todas as pessoas. Ficar em casa é a maior vacina para o vírus. É o que eu tenho pedido, o que a Prefeitura tem pedido”.

O isolamento é casado com os cuidados de higiene. Maria comprou álcool em gel assim que soube do primeiro caso da Covid-19 em Salvador. No pensionato, mantém a devida distância das demais pessoas. “Dou bom dia, boa tarde, mas obedecendo às recomendações”. Para suportar o longo período de quarentena, a jornalista se entrega ao trabalho. “Tenho trabalhado, às vezes, de cinco e meia da manhã à meia-noite. Não paro, porque o meu compromisso é com a população de Conquista. O excesso do trabalho me faz esquecer um pouco esse isolamento, então eu estou conseguindo levá-lo, à exceção da falta dos meus filhos”, diz.

Os filhos de Maria, Cauê e Carol, estão no Rio de Janeiro e em São João Del Rey (MG), respectivamente, e o contato, segundo ela, é diário e constante, por telefone e WhatsApp. “O que me custa nesse isolamento é a distância dos meus filhos. Como mãe, isso me angustia, eu queria ter meus filhos por perto, ou estar perto dos meus filhos”.

Ela também diz que sente falta dos encontros com os amigos, “das minhas alegres tardes de sábado, quando eu me reunia ao ar livre, numa mesa de um bar aqui perto de casa. Sinto falta das conversas e do carinho”.  Como todo mundo, a ex-professora de Jornalismo da Uesb, torce para que essa crise passe, mas não acredita que será logo. “Antes de setembro a gente não vai poder voltar a passear nas ruas, sentar nos bares e ir aos cinemas. Esse vírus veio para trazer muito problema pra gente. E o maior problema é a distância do afeto. Eu espero que passe logo, mas eu sei que não vai passar”.

“Da varanda do meu quarto, isolada, ainda é possível ver o mundo e o verde lá fora”, escreveu Maria junto com a foto. Mas, não escondeu a emoção que está passando.

Professora de Direito na Uesb e conselheira estadual da OAB/Ba, a advogada Luciana Santos Silva afirma que não teve dúvida sobre a decisão de se isolar socialmente, com a família. “Estou em isolamento social. O desafio é conciliar afazeres domésticos, demandas da minha filha Sophia, que tem 10 anos e o trabalho”. Para se adequar ao momento e poder se cuidar, ao mesmo tempo que protege outras pessoas, ela modificou o ritmo e a forma de trabalhar. “Minha rotina mudou completamente. Não faço atendimento presencial aos clientes e só saio de casa quando necessário”, diz repetindo a recomendação da maioria dos entrevistados.

Quando não está trabalhando em ações de clientes ou projetos, a professora de Direito está tentando se familiarizar com novas tecnologias e acompanhar colegas em lives pela internet. “Não sou muito familiarizada com tecnologias e está sendo um bom momento para aprender. Tenho assistido a lives de artistas e colegas de profissão. Algumas lives foram especiais como a de Dona Onete e a de Chico César.”

Advogada atuante em causas sociais e na defesa dos direitos humanos, ela tem noção dos efeitos da pandemia não apenas na saúde das pessoas, mas na saúde da sociedade. “É preciso olhar com atenção especial os mais vulneráveis”, alerta. Luciana defende que é hora de perder um pouco para que todos não percam demais. Ela mesma tomou a atitude de liberar as pessoas que trabalham na casa dela e no escritório, mantendo seus salários. “Como medida de prevenção e cuidado dei licença remunerado a empregada doméstica, minha querida Neide Viana e também para a equipe do escritório”, conta.

Mesmo com todas as atividades que desenvolve, atendendo clientes, cuidando de processos jurídicos, dando aula e palestras ou participando de movimentos sociais, Luciana Santos sempre foi muito família, gosta de estar em casa. E agora, apesar da circunstância, ela está aproveitando o tempo maior com o marido, Odair. e com a filha. “Além das minhas tarefas, realizadas agora remotamente, na maior parte, faço desenhos com minha filha, jogamos rouba monte e venho tentando despertar, sem muito sucesso, meu talento para a culinária”, declara. Enquanto tira o melhor proveito do isolamento social, a professora espera que a crise passe. “Torço que esse momento passe da forma menos danosa possível que cada um faça a sua parte para prevenção e que as autoridades olhem com especial atenção para os mais vulneráveis”.

A foto de Luciana foi feita pela filha dela. A mãe perguntou se ficou boa. Para nós, está ótima. Aproveitamos para indicar a leitura do livro que parece na imagem Mulheres Incríveis, como Luciana e Sophia.

 

NALDO, DO CAI 1: NÃO PODEMOS PERDER A FÉ

Hoje é sexta-feira, dia de ir ao bar encontrar os amigos. Um dos locais mais frequentados da cidade, o Cai 1 vai estar lotado mais uma vez. É sempre assim… Era. O Cai 1, como todos os bares de Vitória da Conquista que resolveram cumprir a lei, estão fechados. Vai ser mais um fim de semana sem alegria das mesas cheias e da algazarra dos frequentadores compartilhando histórias. O fundador do bar, Joza e a esposa estão em casa. Naldo, o filho, que passava maior parte do tempo no local, também está isolado. Com a família, ele afirma que toma todos os cuidados. Não sai de casa e mantém contato com os pais, família e amigos e clientes do Cai 1 pelo celular e trocando mensagens pelo WhatsApp.

Naldo diz que está acompanhando as notícias sobre a Covid-19 com muita atenção e diz estar certo de que o isolamento é fundamental para evitar o aumento da contaminação pelo novo coronavírus. Como todo comerciante, ele está preocupado com o andamento e duração da crise, mas faz questão de destacar que o mais importante é que as pessoas estejam vivas e saudáveis quando tudo passar e for preciso recomeçar.

“Minha rotina está muito boa, considerando que estou junto com a minha família e estamos saudáveis. No dia a dia, no pique do trabalho, nem sempre a gente tem esse tempo para ficar uns pertos dos outros”, comentou. Naldo também ressaltou que está muito preocupado com o que ainda está por vir. “Estou preocupado com a situação em todos sentidos, principalmente com as notícias divulgadas que nos chegam e nos deixam apreensivos, angustiados, tristes, pensando que a qualquer hora pode ser conosco se não nos cuidarmos, se não nos protegermos e protegermos os outros”.

“Mas a fé nos move, trazendo sempre uma nova confiança de que, com o Senhor Jesus Cristo, iremos vencer. Oremos para que isso passe logo”, confia Naldo.

Na foto, Naldo e a família. Ele diz que essa é a única parte boa deste momento.

JAYMILTON GUSMÃO: O CAMPO NÃO PODE PARAR, MAS A VIDA VEM ANTES

A certeza de que o novo coronavírus estava entre nós veio no mesmo período em que o empresário Jaymilton Gusmão Filho, ficava livre das obrigações diárias do cargo de presidente da Cooperativa Mista Agropecuária Conquistense (Coopmac). Mas, ter terminado o mandato na instituição e se afastado do trabalho de administrar uma das maiores cooperativas do Nordeste, não significou menos trabalho. Jaymilton diz que as atividades pessoais passaram a ocupar o seu tempo, sem folga. E o novo coronavírus veio aumentar as preocupações. Para ele, o campo não pode parar, mas a vida vem antes.

“Estamos há duas semanas isolados na fazenda, numa propriedade próxima a Caatiba, uma pequena cidade do sudoeste baiano, e assim como todos daqui da região, estamos muito preocupados com o avanço da pandemia no nosso país”, contou Jaymilton ao BLOG. Como os demais entrevistados, ele afirma que tem tomado todas as precauções: distância espacial de outras pessoas, álcool gel, mãos lavadas. mas nos precavendo ao máximo com todas as medidas protetivas recomendadas pela OMS”, explica e diz que tem levado as recomendações para o pessoal que trabalha com ele e para os vizinhos da Caatiba. “Sempre conversamos com os colaboradores e os moradores da região, tentando passar alguma informação para os mais desavisados.

Não dá facilitar, diz, mas é importante, segundo ele, se esforçar para levar uma vida normal. “O campo não parou e nem pode parar”, afirma, ao repetir que qualquer atividade tem que levar em conta os cuidados com a própria saúde e das outras pessoas.

Em casa, com a esposa, Amélia, e a filha de cinco anos, ele passa todo tempo que pode curtindo o tempo a mais que passa com a família, depois que saiu da presidência da Coopmac e da chegada do novo coronavírus, mesmo que, no segundo caso, seja por uma situação forçada. “Estou tentando levar uma vida a mais normal possível, com atividades que ajudem a passar o tempo e a aliviar a preocupação natural com o vírus. Isso inclui, por exemplo, fazer um roteiro teatral com a minha pequena Sofia, de cinco aninhos, que me pergunta a todo momento “que horas o Coronavírus vai passar?”  E assim, segundo ele, os dias vão passando. “Mas, não sabemos até que dia ficaremos por aqui, e nem como estaremos daqui um mês! E esse é meu maior medo!”, confessa Jaymilton.

Jaymilton fez a selfie na casa da fazendo que tem em Caatiba. O registro das brincadeiras com a filha, Sofia.

VIVIANE SAMPAIO: JÁ É HORA DE CONQUISTA TER UM HOSPITAL DE CAMPANHA

Enfermeira, advogada e vereadora, Márcia Viviane Sampaio sempre teve os dias cheios de tarefas e vivia se deslocando entre vários locais. Mas, teve que parar o corre-corre e se guardar na roça. “Decidimos vir pra uma propriedade rural que temos no povoado da Roseira”. Para trabalhar, usa o telefone e a internet. A rotina inclui os afazeres domésticos, como ela diz, e as atividades da escola dos filhos, que, segundo ela, não pararam de estudar. conta a vereadora. “Só estamos saindo o estritamente necessário”. Nesta sexta-feira (3), por exemplo, Viviane participou da primeira sessão remota da história da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, uma medida necessária, diante da ameaça do novo coronavírus.

Como profissional de saúde Márcia Viviane sabe da importância do cuidados para evitar a contaminação, mas, ela, o marido e os filho têm mais motivos: “Como eu, um dos meus filhos [é mãe de trigêmeos] e meu esposo Sérgio fazemos parte do grupo de risco, devido a comorbidades como asma (eu e meu filho) e hipertensão arterial (esposo), estamos adotando medidas de prevenção bem rígidas, principalmente no que tange a lavar as mãos e à higiene do ambiente”.

Viviane manifesta grande preocupação com o avanço da doença e com as medidas de enfrentamento. “A minha preocupação é com o enfrentamento dessa pandemia em nosso país e precisamente em nosso município. O vírus já começou a se interiorizar, Vitória da Conquista possui uma extensa zona rural e ainda tenho a sensação de que as políticas públicas de prevenção e orientação não têm alcançado a todos”, avalia e lamenta que ainda estejam ocorrendo eventos com aglomeração de pessoas.

Para Márcia Viviane, na assistência à saúde, o município precisa ampliar seu escopo de ação, planejar um hospital de campanha e buscar parcerias pra aumentar leitos de UTI, respiradores e adquirir testes para diminuir a subnotificação e ter a condição de dimensionar o problema do Covid 19 [a Prefeitura contratou uma empresa para fornecer testes].

Viviane fez a foto no terreiro da casa onde está isolada com a família, em uma roça no povoado da Roseira.

RENO VIANA: ESSA CRISE VAI NOS CONDUZIR PARA UMA MUDANÇA MUNDIAL

Juiz de Direito da Vara do Júri e das Execuções Penais em Vitória da Conquista, Reno Soares Viana é da cepa dos filhos mais firmes das Barrancas do Gavião. O anageense ilustre já encarou muitas situações complicadas em razão da função. Mas, diante da ameaça da Covid-19, Reno teme. Mas, seu temor caminha junto com uma visão de futuro que, se não alivia, representa uma perspectiva esperançosa para a humanidade. Para ele, o mundo não será mais o mesmo. O mundo, no sentido de humanidade, de relações na sociedade e entre sociedades.

“Estamos trabalhando em casa (a esposa Reno Viana, Solange Maria, também é juíza de Direito), em isolamento social, através do teletrabalho do Poder Judiciário da Bahia. Estamos priorizando neste momento os processos de pessoas presas, conforme orientações do CNJ e do TJBA”, explicou em resposta ao BLOG. Segundo o juiz, o contato diário com a equipe forense é por meio do WhatsApp, do Skype e de e-mail. “O acervo de processos da Vara do Júri e Execuções Penais de Vitória da Conquista é 100% digital, então nosso trabalho é todo realizado através dos sistemas de informática”, esclareceu.

Quanto ao coronavírus, Reno Viana também fala que está seguindo as orientações dos médicos, dos cientistas e das autoridades da área de saúde, procurando ficar em casa, lavando muito as mãos e higienizando todos os objetos. Em casa, além do trabalho, que não parou, o juiz aproveita para ler e escrever, o que sempre fez com frequência, mas não perde o noticiário. “Temos acompanhado o noticiário diário pelos sites dos principais veículos de comunicação e também pelo Twitter. O noticiário local acompanhamos principalmente pelo Blog de Giorlando Lima, que tem feito uma cobertura da crise epidemiológica de forma correta e equilibrada”, disse, para nossa honra.

Para o titular da Vara do Júri e Execuções Penais de Vitória da Conquista, a crise trazida pelo novo coronavírus “é muito grave. Pensamos que o mundo será outro depois dessa pandemia. Basta ver as imagens de Nova York. Será imenso o impacto disso sobre as pessoas, sobre a economia e também sobre a cultura, no sentido antropológico, mas também no sentido do senso comum”, vaticina Reno Viana.

O juiz Reno parou um pouco o trabalho on-line e fez uma selfie a pedido do BLOG.

XANGAI: ESTOU AUTO ACOLHIDO E ACHO QUE TODO MUNDO DEVERIA FAZER O MESMO

Nos últimos dias, vídeos do cantador Xangai fazendo o que faz melhor circulou em grupos de WhatsApp e nas redes sociais. É atividade que ele escolheu para se manter em contato com os amigos e permanecer cantando para gente do Brasil (e do mundo) que adora a sua voz e qualidade do seu repertório.

O artista cancelou várias apresentações pelo Brasil e está praticando o isolamento social, aliás, auto acolhido, como diz, em casa, na Morada do Bem Querer, em Vitória da Conquista, na companhia de dois dos filhos e de três cachorros. Ele tem seis filhos e diz que o momento está sendo de aprendizado para todos. Uma das filhas está em um sítio, na zona rural do município, com a mãe, outra no Rio de Janeiro. Dos filhos, dois estão com ele, um é casado e mora em Conquista e o outro está em Salvador.

“Estou em casa, sou ordeiro e acato as recomendações, até porque sou pessoa considerada do grupo de risco, pela minha idade”, contou Xangai, registrado Eugênio Avelino. “Moro com dois filhos (Pedro de Duvê e João Pedro) e três cachorros e estou aqui fazendo música”. Ele diz que com o celular mantém o converseiro com os amigos, quando aproveita para trocar informações. “Em casa, me cuido, faço música e vejo filme. Tou queto”, disse Xangai, ao telefone, com a linguagem que gosta e que o compõe a figura do ícone da cultura do sertão.

“Não saio para nada, nem para fazer compra. Estou auto acolhido, porque assim fico mais seguro”, disse. “mas, não estou paroso [parado]. Estou fazendo as coisas que preciso, aquilo que pode ser feito no ambiente de casa”, revela e diz que com frequência conversa com artistas e amigos que estão longe, “sobre tudo, sobre essa coisa do vírus, mas, principalmente sobre coisa boa”. “Às vezes eu gravo um vídeo, mando pro pessoal. Converso com meus irmãos e irmão e fico fazendo coisas com meus parceiros, Renato Teixeira, Juraildes da Cruz, Jessier Quirino, Diro Oliveira, Geraldo Azevedo, Xisto, Quinteto da Paraíba, Zé Geraldo… É sempre uma conversa boa”.

Xangai defende o isolamento social, seguir as recomendações das autoridades de saúde, para proteção de todos. “Estou aqui, o meu dever é obedecer, dentro da minha consciência, e acho que todo mundo deveria fazer o mesmo”. E fala esperançoso de que as pessoas entendam a gravidade da situação e se cuidem. “Espero que povo do planeta se cuide”. O cantor participou da gravação de um vídeo com outros artistas, em que pede às pessoas para ficar em casa.

 

Xangai não enviou foto atual. Preferiu uma lembrança. “Giorlando, essa foto em preto e branco, sou eu, o primeiro da direita para a esquerda, tocando tarol, caixa clara, no desfile de Sete Setembro, pelo Ginásio de Conquista. É véa.

FABRÍCIO FALCÃO: NÃO PERDER A HUMANIDADE

O deputado estadual e presidente do PCdoB de Vitória da Conquista, Fabrício Falcão respondeu a nosso contato em um intervalo da votação remota da Assembleia Legislativa que aprovou o estado de calamidade em vários municípios por causa da crise provocada pelo novo coronavírus. Fabrício afirmou que não abre mão dos cuidados necessários e recomendados pelas autoridades de saúde. “Mãos lavadas o tempo todo, álcool em gel fora de casa, isso nas raras vezes que saio, orientações para a família e trabalho, para ocupar o tempo e aliviar a tensão”, escreveu em conversa pelo WhatsApp.

“O que faço em casa? Quando não estou trabalhando, leio muito, vejo filmes, faço comida, lavo roupas”, narrou. Como presidente de partido político, Fabrício está às voltas com prazos de filiação, composição de chapa de pré-candidatos a vereador em Conquista e nos municípios em que tem base eleitoral, mas diz que essa atividade, mesmo requerendo contatos presenciais, é feita observando os riscos e evitando aproximação, tocar em coisas e nas pessoas e, “quase o tempo todo”, usando álcool em gel e lavando as mãos.

Para Fabrício, a hora é muito difícil e esse isolamento, que separa as pessoas, é o que pode assegurar que todos possam estar juntos e perto de novo, quando isso passar. “A gente tem que tomar cuidado, seguir as recomendações, mas não perder de vista que continuamos vivos e que as pessoas continuam precisando uma das outras, precisando de nós”, ensina. Na foto, o deputado está doando sangue no Hemoba de Vitória da Conquista, uma prática de muitos anos. Na sexta-feira passada (27), ele doou.

Com o novo coronavírus, Fabrício prevê a maior crise econômica, social e de saúde dos últimos 100 anos. “A crise é grave e severa e vai mudar muita coisa, já a partir este ano. Podemos não ter eleições”. Ele teme que a pandemia do novo coronavírus poderá produzir um número de vítimas que não dá para calcular, mas muito alto, e isso só pode ser reduzido com a ação de cada um, com isolamento social e proteção quando estiver fora de casa, “apenas para o essencial do essencial”.

O deputado Fabrício fez mais de uma foto para o BLOG, escolhemos uma que mostra ele e o filho curtindo este momento em que o afeto é mais que essencial.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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