Coronavírus | Os decretos dos domingos, pressão sobre Herzem e agonia para os conquistenses


O decreto 20.250 só vale por seis dias. Como sexta-feira é feriado e sábado o decreto anterior já previa o fechamento das lojas de rua e funcionamento apenas das feiras livres, a suspensão do funcionamento será de três dias (terça, quarta e quinta) sendo possível que na segunda-feira (13) reabra tudo de novo.

Foram três finais de semana em que a atenção da população se voltou para o Diário Oficial do Município. No dia 22 de março, um domingo, depois de ter passado o sábado, debatendo como seria o funcionamento do comércio, considerando a necessidades de medidas de prevenção ao novo coronavírus (Covid-19), o prefeito Herzem Gusmão assinou o decreto 20.202, determinando o fechamento temporário dos estabelecimentos comerciais e de serviços considerados não essenciais. O decreto tinha a validade de sete dias e no domingo seguinte, 29, teria que ser mudado, com prorrogação do prazo, suspensão das medidas ou alteração do texto para acréscimo ou supressão.

Quando o fim de semana chegou, nova angústia. Empresários pressionavam o prefeito pela reabertura das lojas e a ampliação do comércio considerado essencial. A população na expectativa, a maioria já tendo demonstrado sua preferência pelo fechamento como forma de estimular o isolamento social, em um Vitória da Conquista ainda sem casos confirmados do novo coronavírus.

No domingo, em mais uma edição extra do Diário Oficial, nunca tão consultado, trazia um aumento na lista de atividades comerciais essenciais e prorrogava o prazo de fechamento do comércio considerado não essencial, como lojas de roupas, sapatos, papelaria, decoração, entre outros e bares e restaurantes. Os shoppings continuavam fechados, à exceção de supermercados, farmácias ou clínicas que, eventualmente, funcionem nos estabelecimentos. O prazo de vigência das medidas, mais uma vez, passou a ser de sete dias, embora o decreto não fizesse menção a isso.

Viria outro domingo de expectativa. Quando chegou, dia 5 de abril, havia um apelo forte na cidade para que o prefeito mantivesse as medidas restritivas da atividade comercial. Diferente das vezes anteriores, a Secretaria Municipal de Saúde reconhecia seis casos confirmados de Covid-19 e o temor de uma infestação rápida, com aumento dos casos, era demonstrado pela população. Mas, diversamente do que era esperado pela população e muito próximo do que queriam os comerciantes, o prefeito instituiu uma espécie de rodízio, em que parte das lojas funcionaria pela manhã e a outra parte à tarde, e reabriu o comércio.

A reação à medida foi tão forte que Herzem não esperou a segunda-feira terminar para revogar o decreto menos de 24 horas antes. Sequer aguardou o horário regular, que é depois das 18 horas, e publicou uma edição extra do Diário Oficial às 17 horas. Antes, o prefeito foi criticado publicamente pela Câmara de Vereadores, pelo Conselho de Saúde, pelo secretário estadual de Saúde e pela população, em protestos na internet e em redes sociais. Em uma enquete feita pelo BLOG, 67% responderam ser contra a reabertura do comércio; 23% a favor do funcionamento das lojas em revezamento e apenas 10% acham que deveria funcionar todo o comércio normalmente.

O decreto 20.250 não encerrou a agonia, nem tinha como, já que deve se prolongar a duração da pandemia do coronavírus, mas, no caso da discussão sobre a manutenção do fechamento do comércio ou sua reabertura, a agonia volta no domingo. O decreto só vale seis dias. Diante da comoção que se deu em torno da breve reabertura de ontem e do aumento nos casos da Covid-19 na cidade, embora seja improvável que o prefeito Herzem Gusmão tome essa atitude, é possível, objetivamente, que na segunda-feira (13) reabra tudo de novo. Pelo menos é isso o que determina o decreto municipal mais recente sobre o coronavírus.

Ou seja: a pressão retornará com toda força no domingo. Sobre Herzem Gusmão e sobre a população, que viverá a angústia de não saber como vai ser depois de domingo.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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