Família de Rafaela, morta por coronavírus em Itapetinga, sofre com preconceito. Filha de 15 dias está infectada


DO UOL

Por Aurelio Nunes

Em meio ao luto pela perda recente da mulher Rafaela da Silva de Jesus, 28, para o novo coronavírus, o empresário Erisvaldo Lopes dos Santos, 47, se vê diante de um novo desafio: a filha do casal, Alice, de apenas 15 dias de vida, também contraiu a doença. A bebê foi a única de um grupo de sete pessoas que teve contato com Rafaela a apresentar resultado positivo nos testes para a covid-19 realizados na semana passada, em Trancoso, litoral da Bahia. Até ontem, viviam na casa quatro adultos e três crianças. Agora só restaram Erisvaldo, uma amiga que está cuidando de Alice, além da recém-nascida. Os demais mudaram-se para outra casa.

Rafaela morreu em uma Unidade de Pronto Atendimento de Itapetinga, sete dias após ser submetitida a uma cesariana no Hospital Cristo Redentor. Resignado com a perda de esposa, Erisvaldo é otimista quanto ao futuro de Alice. “Minha filha nasceu com 4,290kg e com 52cm. Ela se alimenta bem, não chora, não teve febre e está forte e saúdável. Vai dar tudo certo”, diz. Proprietário de uma empresa de transfer turístico, Erisvaldo viu o sonho de sua mulher de virar mãe transformar-se em pesadelo há exatamente uma semana, quando

Situada a 287 km da casa onde vivia o casal, em Trancoso, Itapetinga foi escolhida para ser o local do parto porque é lá onde moram os familiares de Rafaela. Na casa da tia, local onde o casal ficou hospedado, o clima é de medo.

A professoara Leidiane Souza Azevedo, 37, acompanhou Rafaela desde a preparação para o parto até a morte e reclama que, até agora, não foram disponibilizados testes para ela e seus familiares. “Com o resultado positivo de Alice fiquei apavorada. Tenho uma filha de quatro anos e uma mãe de mais de 60 e acho que tenho o direito de saber se eu também fui infectada”, reclama.

Ela afirma que tem sido tratada com atenção pela equipe da vigilância epidemiológica de Itapetinga, mas que além dos testes não recebeu luvas, máscaras, álcool em gel ou qualquer outro tipo de proteção.

O pessoal de lá (Itapetinga) foi muito cruel com Rafaela e continua não dando a menor atenção para a família dela.
Erisvaldo Lopes dos Santos

Além da falta de assistência, Erisvaldo reclama do preconceito de seus próprios vizinhos. “Os meus irmãos me ajudam com as compras da casa, os bons amigos mandam orações e mensagens de solidariedade, mas ainda chega muito comentário maldoso de gente que diz que eu estou espalhando o vírus por aí”, reclama o viúvo. “Não desejo que ninguém passe o que eu tô passando”, desabafa.

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Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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