“Primeira morte” | Do numeral que define o inexorável em tempos de coronavírus

Nesta segunda-feira (13) morreu Juscelino Gomes Morais, um dos pacientes com Covid-19 na cidade de Vitória da Conquista, onde morava, no bairro Alto Maron. Ele tinha 69 anos, foi internado no dia 31 de março, testou positivo para coronavírus e foi identificado com comorbidades (histórico de diabetes, hipertensão e glaucoma). Segundo a família, Juscelino fazia tratamento contra o glaucoma, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, onde foi contaminado com o coronavírus.

Na volta a Conquista, com os sintomas graves de Covid-19, foi internado na UTI do Hospital São Vicente de Paula, da Santa Casa de Misericórdia, onde faleceu hoje.

A notícia oficial, no site da Prefeitura, anotava que Juscelino, casado, pai de três filhos e avô, foi “a primeira vítima” da Covid-19 em Vitória da Conquista.

O uso do numeral “primeiro” aparece como uma triste profecia, anotando a inexorabilidade de virem o segundo, o terceiro, o quinto e sabe-se lá quantos óbitos. Infelizmente, não é mau agouro, nem premonição, é a projeção de uma lamentável e implacável realidade. O novo coronavírus, não tão novo entre nós, já está, praticamente, em todos lugares, sejam casos confirmados ou não descobertos, não notificados, guardados no anonimato, na ausência de testes, na demora dos laudos…

A esperança não é mais para que não ocorram mortes, mas de que elas sejam poucas. Fiquei por vários minutos procurando um jeito de publicar a infeliz notícia da morte de Juscelino Gomes Morais sem usar o numeral “primeiro”, mesmo sabendo que pode (deve) se tratar do começo de uma mais que provável sequência. É que, com medo, não queria que fosse assim.

Nossos pêsames para a família de Juscelino e para Vitória da Conquista.

Vamos nos cuidar, proteger a nós mesmos e aos outros. Não saia de casa se não for urgente, mesmo de máscara. Essas máscaras que usamos para não deixar escapar gotas de saliva não nos fazem super-heróis. Ficar em casa, sim, nos torna heróis, além de nos manter vivos e evitar de nos tornarmos os próximos numerais. Acredite nisso.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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