Coronavírus em Conquista: Apesar do grande número de notificações de casos suspeitos, 63,68% foram descartados e curas chegam a 60%

Nos últimos 30 dias, as notificações de casos suspeitos de coronavírus aumentaram 3.454% em Vitória da Conquista. E so período considerado começar em 27 de fevereiro, quando foram notificados os cinco primeiros casos suspeitos, o percentual de aumento vai para 7.600%. Esse dado é assustador. Porém, ele vem acompanhado de outros que, a depender do ponto de vista, podem servir de alívio.

Começando pela quantidade de casos suspeitos descartados, cujos exames deram negativo ou foram descartados por vínculo epidemiológico (pessoas que tiveram contato com paciente que, depois, teve resultado negativo): de 380 registros, 242 foram descartados, ou seja: 63,68% tiveram resultado negativo de exames. Outro dado que vale a pena considerar é a quantidade de pacientes curados: 12, ou 60% dos 20 casos confirmados.

Mas, é notório que a subnotificação é um fato nacional, que não permite saber ao certo quantas pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus no país, na Bahia e em Vitória da Conquista. Isso começa pelos critérios para realizar a coleta de amostra, o que restringe a quantidade de pacientes que fazem o exame (veja quais são os critérios no fim da matéria). Outro fator que não permite assegurar que os números conhecidos reflitam a realidade é a velocidade de retorno das amostras enviadas ao Laboratório Central de Saúde Pública Prof. Gonçalo Moniz (Lacen), o único que faz os exames para verificação da Covid-19 na Bahia, e a velocidade da coleta no município.

Nesta segunda-feira (13), 78 pacientes com a suspeita de estarem com coronavírus aguardavam coleta (e a informação é que há kits para o teste) e 40 aguardavam a chegada de resultado. Este número foi bem maior, há dez dias eram 81 pessoas que já tinham colhido material e não tinha reposta. Pode-se dizer que houve uma agilização das respostas por parte do Lacen/Bahia, mas a verdade é que os laudos que retornam são de materiais enviados há mais de dez dias. Até hoje, por exemplo, não foi respondido se a paciente que faleceu no dia 1º no Hospital de Base, com suspeita do coronavírus, foi ou não infectada.

De acordo com a Nota Técnica n° 54 (disponível em saude.ba.gov.br/coronavirus), as unidades de saúde devem realizar a coleta de amostras somente quando o caso suspeito de Covid-19 se enquadrar nos critérios abaixo:

1. Pacientes internados com suspeita de COVID-19;
2. Pacientes com síndrome respiratória aguda grave (SRAG);
3. Profissionais de saúde com síndrome gripal suspeitos de COVID-19, ou contactantes de casos confirmados de COVID-19 mesmo assintomáticos;
4. Pacientes que foram a óbito com suspeita de COVID-19 cuja coleta não pôde ter sido realizada em vida;
5. Pessoas com febre, suspeitas de infecção, triadas nos aeroportos, portos e nas estradas.

Observação: pacientes que não se enquadrem nas situações acima não têm indicação para coleta de amostras.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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