Polêmica na Saúde | Não é só pelos 700 mil reais

Nos últimos dias, a guerra que o prefeito de Vitória da Conquista trava com o Governo do Estado na área da Saúde, atingiu esta semana um ponto crítico, quando os dois lados recorreram aos seus arsenais de intolerância mais explosiva. E no meio da troca de tiros, mais uma vez, a população, como já tinha sido na longa e assustadora batalha da Policlínica.

A nova refrega começou depois que a Comissão Intergestora Bipartite (CIB), que administra os assuntos do SUS, definiu que uma verba enviada pelo Governo Federal para ser repartida entre os municípios seria gerida pela secretaria estadual de Saúde, com exceção de Feira de Santana e de Salvador, que teriam assegurado condições para contratar, eles mesmos, hospitais para ampliar a capacidade de leitos exclusivos para casos da Covid-19, o que não seria os casos dos demais municípios, incluindo Vitória da Conquista, que teria conhecimento da decisão, já que o secretário municipal Alexsandro Costa faz parte do conselho da CIB. Esta é a versão do Governo do Estado.

O município contestou. Alexsandro Costa disse que não foi convidado para a reunião que tomou a decisão que deixou Vitória da Conquista fora da divisão da verba de R$ 43 milhões. A parte do município equivaleria a R$ 2,00 por habitante. Em vídeo divulgado ontem, o secretário conquistense, indignado, dirigindo-se ao governador Rui Costa, afirmou que o Governo do Estado confiscou os recursos, que Vitória da Conquista usaria em custeio e compra de materiais para o combate ao coronavírus. Um dia antes do vídeo de Alexsandro Costa, o prefeito Herzem Gusmão tinha acionado o Governo do Estado na Justiça, alegando que a decisão da CIB, coordenada pelo secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, foi tomada à revelia da gestão municipal e reivindica tratamento igualitário à Salvador e Feira de Santana. Esta é a versão da Prefeitura de Vitória da Conquista.

Quando o governador Rui Costa soube da ação movida pelo prefeito Herzem Gusmão respondeu, por meio do programa Papo Correria, nas redes sociais, que tudo poderia ser resolvido com um telefonema, que bastaria o prefeito ligar ao secretário Fábio Vilas-Boas para fazer os ajustes necessários e explicou que estava investindo dez mais que o valor reclamado na contratação do Hospital de Clínicas (HCC) para atendimento exclusivo de casos de coronavírus e que repassaria os cerca de R$ 700 mil se o município assumisse o contrato com o hospital. Rui Costa ainda destacou que a Prefeitura havia recebido R$ 7 milhões a mais para a média e alta complexidade a serem aplicados em ações contra o coronavírus e que esse valor pagaria o aluguel do hospital.

Depois dessa fala do governador veio o vídeo do secretário Alexsandro Costa. O prefeito Herzem Gusmão, que mantinha a prática de gravar vídeos sobre cada ação da Prefeitura nesta crise do coronavírus, até agora não se manifestou pessoalmente. O último vídeo/fala de Herzem foi no dia 6 de abril, para anunciar que revogara decreto de reabertura do comércio. Enquanto isso, a guerra continua. Fábio Vilas-Boas já gravou diversos áudios e vídeos, postou mensagens e deu entrevistas a programas de rádio e TV locais explicando sua versão e, lamentavelmente, mantendo o discurso de que troca os R$ 700 mil pelo contrato do hospital.

O Governo do Estado pode dizer coisas melhores para Vitória da Conquista do que manter um discurso que só alimenta a politicagem que é atribuída ao prefeito Herzem Gusmão. E o governo municipal sabe que pode mais e, ao invés de esticar o cabo de guerra, poderia esclarecer o que fará com o R$ 7 milhões que recebeu do Governo Federal para Saúde. Uma conta fácil permite vislumbrar pelo menos um hospital de campanha ou mais 20 leitos de UTI.

Mas, por enquanto, o que o conquistense vê é uma batalha de discursos, que exalta ânimos de cada lado. Fica claro que a questão não são o R$ 700 mil.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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