O que explica Conquista ter poucos casos do coronavírus? Isolamento, restrições para o comércio, milagre, sorte, subnotificação?

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De acordo com os dados da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), divulgados ontem (21), Vitória da Conquista já registrou 22 casos do novo coronavírus. Esse número corresponde a 6,49 casos para cada 100.000 habitantes. Por esse quesito, Vitória da Conquista está na 55ª posição entre os 99 municípios que já registraram doentes com a Covid-19. Em números absolutos, é o sétimo, com 22 registros, atrás de Salvador (922), Ilhéus (92), Feira de Santana (61), Itabuna (58), Lauro de Freitas (34) e Camaçari (24).

Se os dados a seguir forem os da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Vitória da Conquista tem mais casos. Seriam 26 confirmados, desde o dia 27 de fevereiro, quando surgiram as primeiras notificações no município. A relação passa a ser de 7,68 de casos por 100 mil habitantes. Muda também a posição na lista dos municípios, 6º em termos absolutos e 44º considerando a proporção por habitante.

Quando os primeiros casos suspeitos surgiram vieram junto o susto e a desconfiança. As pessoas, ainda não tão informadas, temiam que o coronavírus já estivesse “por aí” e se perguntavam quando a cidade de Vitória da Conquista entraria no mapa da Covid-19, que é a doença causada pelo vírus. Pouca gente acreditava que a terceira maior cidade do estado, cortada por uma rodovia federal, polo de uma região com dezenas de municípios, somando mais de um milhão de habitantes, uma estação rodoviária ponto de passagem de cerca de 20 mil de pessoas toda semana na direção Norte-Sul e Sul-Norte do país, além de um aeroporto com linhas diárias para o Sudeste – São Paulo e Minas Gerais, principalmente -, poderia ter uma situação aparentemente tão boa, comparando com outras cidades e com o que ocorria no mundo todo.

Inúmeras teses surgiram, desde uma teoria da conspiração envolvendo a Prefeitura e o Governo do Estado, que estariam interessados em encobrir a realidade, até o milagre da cidade ungida pela fé do prefeito, passando pela falta de testes, por desinteresse das autoridades de saúde, e incluindo a possibilidade de as pessoas estarem ouvindo o presidente da República e tomando chás e xaropes acreditando que se tratava apenas de uma gripezinha.

Vitória da Conquista foi a última entre as 14 maiores cidades da Bahia a ter um caso confirmado. O registro foi no dia 31 de março, mais de um mês após as primeiras notificações de casos suspeitos, no final de fevereiro. Hoje, 22 dias depois, são 26 registros da doença, pela contagem da Secretaria Municipal de Saúde, e 22 pelos da Secretaria de Saúde da Bahia, que só concordam quanto ao único óbito ocorrido na cidade por conta da Covid-19.

Para entender o misto de alívio e de desconfiança que ainda sente a maioria das pessoas, as cidades de Itabuna e Ilhéus, que têm juntas 375 mil habitantes, apenas 37 mil a mais que Conquista, já somam 159 casos, seis vezes mais que os 26 da conta oficial da prefeitura conquistense.

RECUPERADOS

Outro dado que tem chamado a atenção é a proporção de pacientes curados. Dos casos confirmados em Vitória da Conquista, 73% já se recuperaram, 19 em 26 casos. Como, infelizmente, houve um óbito, isso significa que existem seis pacientes se recuperando da Covid-19 na cidade, dos quais quatro estão em isolamento domiciliar e dois internados.

Vamos, mais uma vez, às duas maiores e mais importantes cidades do sul da Bahia, para termos uma ideia da grandeza desse dado. Segundo boletim da prefeitura local, Ilhéus teve, até a terça-feira (21), 35 curados do coronavírus, ou seja, 41%. Itabuna registrou 12 pacientes recuperados, para 64 casos confirmados, ou 16%. É que está nos boletins oficiais dos dois municípios.

Todos os demais municípios com mais de 10 casos da Covid-19 confirmados registraram menos curas, proporcionalmente. O que chega mais próximo do percentual de Vitória da Conquista é Porto Seguro com 64,7% de cura, 11 em 17 casos. Na manhã de terça-feira, a taxa nacional de recuperação da doença encontrava-se em 56,7%. Com 73%, Vitória da Conquista se destaca também neste ponto, além da pequena incidência do coronavírus, considerando os aspectos populacionais, geográficos, econômicos e sociais já mencionados.

A que atribuir essa condição diferenciada do município e, mais importante, por quanto tempo o cenário se manterá nessa condição?

O QUE VEM

Nesta quarta-feira (22), completa um mês que o prefeito Herzem Gusmão (MDB) assinou o decreto 20.202, determinando a suspensão temporária do atendimento ao público do comércio e de locais de prestação de serviço.

No dia 16 de março, Herzem já havia mandado suspender por 15 dias as aulas da Rede Municipal de Ensino e das instituições privadas de ensino, inclusive as de ensino superior. E dois dias depois fez a mesma coisa com academias de Ginástica, cinemas, teatros e demais casas de espetáculos, além de determinar que as empresas de transporte coletivo urbano e rural limitassem a lotação dos veículos ao número de assentos, não permitindo que nenhum passageiro fosse mais transportado em pé.

As medidas mencionadas acima foram renovadas e o governo municipal não dá sinal de que vá mudar a orientação nos dias próximos. Já das regras definidas para o comércio não se pode dizer o mesmo. Um dos secretários mais influentes do prefeito, o Chefe do Gabinete, Marcos Ferreira, deu uma dica: Conquista pode seguir o exemplo de Barreiras, que registrou apenas um caso de coronavírus em um mês e liberou geral. E Herzem, depois de ter revogado o decreto que reabriu as lojas de rua, no dia 6 de abril, vem aumentando a quantidade de estabelecimentos e serviços considerados essenciais.

A primeira lista, constante do decreto 20.202, com 15 categorias e 28 atividades, foi aumentada para 19 categorias e 41 atividades e passou a incluir óticas e lavanderias pelos decretos da última semana. Um deles ratificou que bares, restaurantes e salões de beleza não podem abrir. Aos poucos, vai aumentando a lista dos estabelecimentos que podem funcionar com as portas abertas. Porém, tem gente que vê na obrigatoriedade do uso de máscaras dentro dos estabelecimentos autorizado a abrir, bem como a determinação de controle de público a ter acesso aos mesmos, válida a partir de quinta-feira (23), o indicativo mais forte de que, na próxima semana, pode vir a tal flexibilização.

No título desta matéria podem estar as respostas para a pergunta “por que os números do novo coronavírus são – ou, pelo menos, parecem – tão baixos, longe da expectativa e do susto que ocupam a mente e o coração da maioria dos conquistenses?”. Mas, daqui em diante a pergunta pode mudar: “Por que piorou?”.

Muita coisa não depende de nós, do BLOG e dos leitores. Uma coisa, fundamental, no entanto, só o cidadão, a população, o conquistense podem fazer: evitar aglomerações, não sair de casa sem absoluta necessidade e acreditar que depende de cada um de nós retardar o tal pico, achatar logo a curva. Fiquemos em casa, se possível. Com fé, sim, mas com compromisso conosco e com os demais.

 

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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