Exclusivo | Herzem Gusmão fala de coronavírus, Lauro de Freitas, protestos, salários de professores, Governo do Estado e política

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Depois de 15 dias de insistência conseguimos que o prefeito Herzem Gusmão (MDB) respondesse a uma entrevista sobre as ações do seu governo em relação à crise do coronavírus, aos embates com o Governo do Estado; críticas da Câmara de Vereadores e do Conselho Municipal de Saúde (CMS), quanto à falta de representatividade no Conselho Gestor de Crise; queixas de professores sobre corte de salários, que ele nega, explicando que foi suprimida a gratificação, em alguns casos, e polêmicas como a obra da Estação de Transbordo da Avenida Lauro de Freitas, entre outros.

Herzem deixou em aberto questões como a dificuldade de diálogo com o CMS, mas afirma que vai ampliar o Comitê de Crise, com representantes de diversos segmentos, inclusive a imprensa. Também respondeu apenas em parte a pergunta sobre a relação com o Governo do Estado, de quem reclama faltar diálogo, e informa que não mandou retirar a ação na Justiça em que cobra da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) o repasse de R$ 700 mil enviados pelo Governo Federal, via governo estadual para ações de enfrentamento ao coronavírus.

COMÉRCIO FECHADO

Sobre as medidas de restrição determinadas para estimular o isolamento social, como o fechamento da maior parte do comércio de serviços considerados não essenciais, prefeito de Vitória da Conquista antecipou que reabertura das lojas pode demorar. Embora diga que resta muito pouco para todo comércio voltar a ser aberto, Herzem diz que essa reabertura deve ser responsável não coloque em risco a saúde da população nem sobrecarregue o sistema de saúde local.

Ele lembra que quando decidiu permitir que as lojas voltassem a funcionar, teve que rever a decisão rapidamente. Em outra oportunidade, o prefeito disse que fez isso por pressão popular e que o povo estava certo. “Nós recuamos em tempo, fomos ágeis o suficiente para manter a segurança da nossa comunidade”, explica, para em seguida sinalizar que não há uma data certa para revogar a medida de fechamento do comércio. “Eu entendo que o comércio terá que ficar mais alguns dias aguardando uma situação concreta em que Vitória da Conquista se sinta em segurança para dar esse passo”, pondera.


PROTESTOS NA PORTA DE CASA

A decisão de não autorizar a reabertura do comércio, aliás, gerou fortes reações de comerciantes, que chegaram a fazer protestos, por duas vezes, em frente ao condomínio onde Herzem Gusmão mora. Para ele, o ato foi um desrespeito à sua família e aos moradores do condomínio. Professores que se queixam de corte em suas remunerações também protestaram em frente à casa do prefeito. Se referindo ao ato dos comerciantes, Herzem chamou o líder do movimento de falso líder e disse que o ato dos professores tinha apenas quatro pessoas.

O prefeito afirma que as manifestações são legítimas em um país democrático e que ele é um democrata, mas diz que lamenta a forma leviana com que se comportam alguns líderes das manifestações. “Em que pese a legitimidade delas, eu entendo que quem as organizou tem que saber que existem limites legais que devem ser observados. Vieram para a frente da minha residência, da minha casa, para fazer um protesto desrespeitoso não só contra mim, mas contra toda a minha família. Há formas mais civilizadas de protesto. Mas não é só isso: tem toda a vizinhança que vem sofrendo com estes atos abusivos. Porque protestar é uma coisa, tirar a paz de pessoas que nada têm a ver com isso é outra”, queixou-se.

OBRA DA LAURO DE FREITAS

Sobre política, Herzem repete uma fala que já virou seu bordão: não fala de eleição agora. Para ele, “a imprensa fala mais de eleição do que o prefeito. Eu quero é garantir os leitos de UTI!”, enfatiza, para negar que a decisão de começar a obra da Estação de Transbordo, no lugar do antigo Terminal de Ônibus da Avenida Lauro de Freitas, tenha objetivo eleitoral. O contrato com a Caixa que assegura os recursos para o projeto ainda não foi assinado, mas o prefeito garante existir dinheiro em caixa para a obra. Segundo ele, a Prefeitura deixou de investir 20 milhões em outras obras para ter condição de construir a estação, que ele considera prioritária.

Herzem já havia dito que o dinheiro gasto na obra da Lauro de Freitas voltará para os cofres do município assim que a Caixa liberar os pagamentos das medições. Mas, na entrevista, ele sinaliza que está esperando a verba que caberá a Conquista do Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus, que foi aprovado no Senado, sábado (2), e nesta segunda-feira deverá ser finalizado na Câmara dos Deputados, para seguir à sanção presidencial. A estimativa é que caiam na conta da Prefeitura mais de R$ 32 milhões. “Ocorre que há uma possibilidade real de que o Governo Federal libere mais alguns bilhões para movimentar a economia do país e nós estamos na fila. Agora uma obra desta envergadura, que é a da Lauro de Freitas, tem que ser colocada como prioridade”.

SEM ARREPENDIMENTO

A pandemia do novo coronavírus entrou na vida dos conquistenses a partir do dia 27 de fevereiro, quando a imprensa noticiou o surgimento dos primeiros casos suspeitos, reconhecidos publicamente pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) no dia seguinte. Desde então, são 66 dias de tensão, dúvidas, dor, medo e pressão sobre a Prefeitura e sobre o gestor. Em especial quando chega o fim da semana e a população fica na expectativa do novo de decreto que poderá renovar as medidas restritivas ou revogá-las. Os acontecimentos do dia 6 de abril, quando o prefeito teve que revogar o decreto que instituía a reabertura das lojas em sistema de rodízio, pareceu, para quem estava de fora, ter sido o pior dia dessa crise para Herzem e foi o momento em que a reação de comerciantes contra o fechamento ganhou corpo.

Mas, qual teria sido o pior momento dessa crise para o prefeito? Ele teria se arrependido de alguma ação tomada nesses pouco mais de dois meses? Herzem diz não se arrepender de nada do que fez em relação ao enfrentamento do coronavírus. “Logicamente que nós gostaríamos de fazer mais, mas a falta de recursos impede. Tudo o que poderíamos fazer, e que podemos fazer, nós estamos fazendo. Todas a medidas estão sendo acertadamente tomadas”, garantiu ele, para quem o momento mais difícil é quando chega a notícia da morte de alguém. “Infelizmente, já temos quatro óbitos. É uma dor que dói em todos nós que estamos lutando para prevenir esta doença. Somos solidários às famílias que perderam seus entes queridos e uma forma de honrá-las é impedir, o máximo possível, que outras vidas sejam ceifadas”,

CUIDADO PESSOAL

O prefeito de Vitória da Conquista falou também de como tem agido para se prevenir do novo coronavírus, já que está no grupo de maior risco, com 71 anos (fará 72 no dia 2 de junho, quando se estima esteja ocorrendo o pico da doença na Bahia). Ele admitiu que não está seguro, “como ninguém está”. E citou exemplos de outros gestores que contraíram a doença, como Boris Johnson, primeiro-ministro da Inglaterra, e os governadores Wilson Witzel (Rio de Janeiro), Renan Filho (Alagoas) e Helder Barbalho (Pará). “No norte do país um prefeito morreu, outros prefeitos e autoridades, inclusive federais, tiveram a doença. Sem falar no resto do mundo. Ninguém pode estar se sentindo seguro”, disse, para afirmar que está se cuidando. “Não descuido da higiene das mãos, estou trabalhando de casa, só saio quando necessário e sempre com proteção, mantendo distanciamento e usando a máscara. Eu estou tomando os devidos cuidados”.

ORAÇÕES

Quando o assunto é o número de casos de Covid-19 em Conquista, considerado baixo, pelas condições de Vitória da Conquista, com a terceira maior população do estado e cortada por uma rodovia federal e centro de uma região extensa, de mais de um milhão de habitantes, Herzem Gusmão acredita que tenha relação com as medidas tomadas por ele. A sua expectativa é que a realização de testes rápidos em massa, mostre o quadro real e propicie a definição de diretrizes que ajudem a limitar a circulação do vírus. Mas, para Herzem, o mais importante tem sido a fé do conquistense, a oração. “Eu tenho notícias de que todas as religiões estão orando por nossa cidade. Então entendo que as orações têm dado uma contribuição muito grande. Vamos continuar orando pelo nosso Brasil, por nosso estado e por nossa querida Vitória da Conquista. E que Deus nos abençoe!”.

LEIA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA

1. Todos os governantes, não apenas no Brasil, mas no mundo, enfrentam uma situação muito grave que os coloca sob uma pressão inesperada, considerando que, ao mesmo tempo precisam atuar para preservar vidas e se preocupar com a economia e os empregos. No seu caso, o momento aparentemente de maior pressão foi quando o senhor reabriu o comércio, mas revogou a medida.

a. Qual foi o principal fator que o influenciou na sua decisão?
b. O senhor diria que qual das duas medidas foi a mais acertada, reabrir ou revogar o decreto?

HERZEM – Eu prefiro falar sobre as medidas acertadas que nós tomamos em nosso município. E não foram poucas! Têm sido meses de intenso trabalho para todos nós da gestão. Vitória da Conquista foi a primeira cidade a promover o isolamento horizontal. Suspendemos as aulas logo que surgiram os primeiros casos, atingindo tanto escolas públicas como estabelecimentos privados de ensino, incluindo as faculdades. Eventos a partir de 50 pessoas foram proibidos, academias de ginásticas, cinemas, shoppings e lojas de rua deixaram de funcionar. Conquista foi, também, a primeira cidade a flexibilizar a abertura do comércio colocando a força produtiva da construção civil funcionando. Serviços essenciais foram autorizados a funcionar, como o setor de autopeças para atender os caminhoneiros. Esta foi uma decisão tomada a partir de uma observação muito lúcida do ministro da Infraestrutura. Supermercados, mercados. feiras livres, lojas de conveniência e escritórios de serviços, entre outros, permanecem abertos e a cada semana estamos flexibilizando a abertura do comércio através dos decretos. Então Conquista não parou. Eu diria que grande parcela da força produtiva da cidade está em pleno funcionamento.

Resta muito pouco para Conquista voltar a sua total normalidade com todo comércio aberto. Nós inclusive, temos tido muito cuidado com esta questão da flexibilização, para que seja uma abertura responsável e que não coloque em risco a saúde da população e venha a sobrecarregar o sistema de saúde local. Estamos estudando as experiências de diversas cidades que abriram o comércio. A maioria teve problemas, como foi o caso de Itabuna. Em Blumenau, no sul do país, abriram shoppings e comércio: uma semana depois o número de casos subiu exponencialmente. Quando decidimos abrir, tivemos a rapidez de rever a decisão. Nós recuamos em tempo, fomos ágeis o suficiente para manter a segurança da nossa comunidade.

2. O senhor pensa em autorizar na próxima semana o funcionamento do comércio e outras atividades que estão com atividades suspensas?

a. Em caso confirmativo, em que baseia a decisão?
b. Em caso negativo, que baseia a decisão?

HERZEM – Nós temos um Comitê Gestor de Crise e agora nós o ampliamos. Estamos trazendo segmentos importantes da cidade para ampliar o debate. A decisão nunca é uma decisão isolada, inclusive teremos reunião do Comitê nesse final de semana, mas eu diria que pelo que estamos vendo em cidades como Salvador – que está bem mais preparada que Vitória da Conquista e já tem, inclusive, hospital de campanha – não há o estímulo à liberação imediata. O prefeito ACM Neto acertadamente prorrogou a possibilidade da abertura do comércio mais para frente. Em função do que está acontecendo aí fora, até no exterior, as experiências de quem abriu o comércio foram de revogar o decreto. Dificilmente essa semana será diferente, não iremos decidir com base em incertezas, mas dentro das determinações científicas da OMS e do Ministério da Saúde. Eu entendo que o comércio terá que ficar mais alguns dias aguardando uma situação concreta em que Vitória da Conquista se sinta em segurança para dar esse passo.

3. Em caso de funcionamento, deve se tornar necessário uma fiscalização ainda maior para que comércio e serviços cumpram as determinações, o senhor tem como assegurar que isso aconteça com as equipes da PMVC ou o senhor vai propor parcerias, como a PM, por exemplo?

HERZEM – Todos sabemos, em nenhum lugar funciona em 100 por cento, mas a gente vem se esforçando. Colocamos os fiscais da prefeitura, solicitamos o apoio da Polícia Militar, solicitamos o apoio, também, do Tiro de Guerra, vamos chamar agora a Polícia Civil, vamos convidar Corpo de Bombeiros e, assim, conseguirmos ampliar a nossa capacidade de fiscalização. Então, quando a cidade estiver preparada para abrir todo o comércio já teremos construído parcerias que permitam, se não na totalidade, ao menos uma fiscalização ampliada e vigorosa.

4. Com a crise do coronavírus também veio o aumento de boatos e das fake news, dificultando separar as informações verdadeiras. Circulam mensagens nas redes sociais de que o senhor vai cortar gratificações de servidores. Há alguma possibilidade de isso realmente acontecer e, caso confirmado, como se daria, em termos percentuais, prazo, etc.?

HERZEM – Não existe corte. Gratificação é meritocracia, se você não está trabalhando você não tem como medir. O que fizemos, de fato, foi um corte nos salários do prefeito, vice-prefeita e secretários. Quem tinha alguma gratificação nós também reduzimos somente a gratificação, aplicando um percentual de 20 por cento para estes casos. Existem muitas fake news, é verdade! É preciso ter zelo e cuidado com os recursos que vem dos impostos de cada um de nós. Estas questões nós estamos tratando com muita correção e a Secretaria de Administração vem tomando as medidas, mas sempre ouvindo o secretario de cada pasta.

5. O senhor tem 71 anos e fará 72 em junho, assim, faz parte do grupo de risco. Qual o sentimento pessoal em relação às ações desenvolvidas pelas autoridades governamentais e de saúde? Sente-se seguro?

HERZEM – Quem é que pode estar se sentindo seguro quando nós assistimos que o primeiro ministro da Inglaterra, Boris Johnson havia contraído a COVID 19? Dois governadores de dois estados do Brasil também foram contaminados. No Norte do país um prefeito morreu, outros prefeitos e autoridades, inclusive federais tiveram a doença. Sem falar no resto do mundo. Ninguém pode estar se sentindo seguro. Agora, eu me cuido. Não descuido da higiene das mãos, estou trabalhando de casa, só saio quando necessário e sempre com proteção, mantendo distanciamento e usando a máscara. Eu estou tomando os devidos cuidados.

6. Vitória da Conquista continua com poucos casos da Covid-19 considerando aspectos como tamanho da cidade, população, ser entroncamento rodoviário, aeroporto, etc. A que o senhor atribui isso?

HERZEM – Eu entendo que nós tomamos medidas responsáveis e rápidas conforme eu já falei. Esta semana, estaremos ampliando a testagem dos conquistenses. Recebemos um lote de 5.600 testes rápidos do Ministério da Saúde. Compramos sete mil testes rápidos. Só aí são 12.600 TR. Com esta quantidade ultrapassamos a testagem de países como Alemanha, por exemplo. O Lacen municipal deve entrar logo em funcionamento, com capacidade para 192 testes diários em 14 horas de trabalho. Estes testes não são só para Conquista, mas para a região, de acordo com as diretrizes do Estado, mas já são aumentos importantes da testagem em nossa cidade. E a testagem, como sabemos, é a principal arma para definirmos diretrizes e limitarmos a circulação do vírus. Tomamos todas essas medidas, mas eu diria que a principal arma têm sido as orações. Eu tenho notícias de que todas as religiões estão orando por nossa cidade. Então entendo que as orações têm dado uma contribuição muito grande

7. Neste período de crise, tem alguma coisa da qual o senhor se arrepende ou que faria diferente?

HERZEM – Não, não me arrependo de nada. Temos agido com o claro objetivo de proteger nossa população. Logicamente que nós gostaríamos de fazer mais, mas a falta de recursos impede. Tudo o que poderíamos fazer, e que podemos fazer, nós estamos fazendo. Todas a medidas estão sendo acertadamente tomadas.

8. Qual o momento mais difícil relacionado à pandemia? Seria o fim de semana em que tem que decidir os termos do novo decreto, se mantém, amplia ou flexibiliza as restrições?

HERZEM – O momento mais difícil é quando recebemos a notícia de quem um irmão nosso faleceu. Infelizmente, já temos quatro óbitos até hoje, domingo. Esse é o momento mais difícil, quando recebemos estas tristes notícias. Então, esta é uma dor que dói em todos nós que estamos lutando para prevenir esta doença. Somos solidários às famílias que perderam seus entes queridos e uma forma de honrá-las é impedir, o máximo possível, que outras vidas sejam ceifadas. Esta tem sido nossa missão!

9. O município manteve a ação judicial contra o Governo do Estado? Independentemente da ação judicial, o senhor acha que pode haver um entendimento? O que o senhor diria ao governador?

HERZEM – O diálogo é sempre importante e bom. Sou um homem aberto ao diálogo. Por isso não entendo o motivo de algumas medidas que foram tomadas sem que Conquista fosse ouvida. Somente depois de tomarem e anunciarem essas medidas Conquista reagiu, e reagiu sem impasse político, reagiu sem discussão partidarizada, reagiu apenas buscando um direito que é nosso, de nossa cidade! Que prefeito seria eu se não fosse buscar o que pertence aos conquistenses? Estou aqui para fazer o melhor para a cidade, e se for preciso ir às instâncias judiciais, eu irei. Este foi precisamente o caso. Esta situação já está resolvida, encaminhamos para a Justiça e vamos aguardar a decisão, estou muito tranquilo quanto a isso.

10. A mais nova polêmica na área de saúde refere-se à ventilada possibilidade de a Sesab transferir para Vitória da Conquista pacientes com coronavírus, o que causou forte reação e levou a Sesab a emitir nota negando a intenção. Há quem veja na nota um direcionamento ao senhor. Como o senhor interpretou?

HERZEM – Eu estou focado na prevenção. Temos um Centro de Atenção Municipal construído para cuidar dos nossos doentes. Então, meu trabalho tem um norte: tomar as medidas necessárias de prevenção e cuidados.

Quanto à transferência de pacientes o Governo do Estado emitiu uma nota esclarecendo os pontos e as medidas por eles adotadas. Ali está a decisão estadual.

11. O senhor foi criticado pelo Conselho Municipal de Saúde e pela Câmara de Vereadores, que se queixam de não terem sido ouvidos, até vereadores que o apoiam assinaram documento com esse sentido. O senhor vai abrir espaço para essas duas instituições no Comitê de Crise?

HERZEM – Estranhei essa colocação porque nós sempre estivemos abertos ao diálogo. Nosso Comitê iniciou como o Comitê Gestor de Crise. Depois, nós criamos o Comitê Técnico Científico, agora convidamos entidades para expandir mais ainda a participação. Recebemos, inclusive, sugestão para incluirmos um representante da imprensa e eu já solicitei a inclusão de quem representa o segmento. Queremos que todos possam debater, através de videoconferência, para dar sugestões com o objetivo de buscar o melhor para nossa cidade.

12. Por problemas de saúde, o secretário Alexsandro Costa pediu demissão em plena crise do coronavírus, sendo chamada para o lugar dele uma pessoa que o senhor já havia colocado e tirado do cargo de secretária de Saúde, segundo versões da imprensa por dificuldade em atender suas determinações. Embora na interinidade, ela continua respondendo pela pasta, isso é porque o senhor não tem outro nome ou porque está convencido de que ela atende às condições para o cargo, neste momento?

HERZEM – A Ramona é a substituta imediata, ela é nossa secretária adjunta. Na ausência do secretário titular, ela assumiu. A saída de Alex foi um desfalque para a nossa equipe. Ele fazia um bom trabalho, mas a necessidade de se cuidar mais em termos de saúde falou mais alto, e nós entendemos os motivos apresentados. Ramona estava ao lado de Alex quando todo esse belíssimo trabalho começou a ser realizado. Conhece os detalhes das ações, o planejamento, os objetivos e a nossa meta. É da equipe da secretaria e está se dedicando de corpo e alma. Não há novidade na nomeação dela, era a substituta natural. Não há nenhuma novidade. Fizemos o correto, nomeamos para o cargo alguém que já fazia parte da equipe e possui o conhecimento necessário das estratégias construídas desde o início da crise provocada pelo coronavírus.

13. A arrecadação do município caiu bastante no primeiro trimestre e não há uma previsão de retomada no curto prazo. Mesmo assim, o senhor mandou começar a obra da Estação de Transbordo admitindo que poderá precisar bancar com recursos próprios da Prefeitura. Qual a sua segurança de que a Caixa assinará o contrato no prazo que o senhor previu?

14. O atraso na liberação dos recursos do Finisa comprometeu o seu planejamento de obras, como o terminal, a urbanização da Avenida Getúlio Vargas e as intervenções nos bairros, mas outros projetos, como o Parque da Cidade parece não terem avançado e mesmo a Olívia Flores poderá não ser concluída até setembro. Embora o senhor diga que não mistura obras com eleição, isso poderia atrapalhar a sua reeleição ou não interfere?

HERZEM – Respondo a 13 e a 14 juntas:

Olha só, em primeiro lugar eu não estou pensando em processo eleitoral neste momento. O mundo enfrenta uma pandemia que nos atacou de frente de uma maneira que ninguém das últimas gerações tenha vivido. A imprensa fala mais de eleição do que o prefeito. Eu quero é garantir os leitos de UTI! Estão lá, garantidos. Quero é a prevenção, estamos fazendo. Quero garantir informação sobre a doença, estamos garantindo. Fomos destaque nacional em relação aos cuidados de prevenção: o fim da aglomeração em frente à Caixa Econômica Federal, destaque no Brasil, era uma das ações sobre as quais nos debruçamos. O resultado está aí.

A prefeitura fez todos os encaminhamentos necessários, fez tudo o que era preciso fazer. Mandou para a Câmara e a Câmara aprovou.

Ocorre que há uma possibilidade real de que o Governo Federal libere mais alguns bilhões para movimentar a economia do país e nós estamos na fila. Agora uma obra desta envergadura, que é a da Lauro de Freitas, tem que ser colocada como prioridade. O terminal é tão problemático que já teve morte ali, e você sabe disso. Então, ao falar da Lauro de Freitas, não estamos falando apenas de estética, estamos falando, também, de segurança e cuidado.

Foi preciso cortar na carne para enfrentar esta pandemia! Interrompemos várias e várias obras a exemplo da reforma do Estádio Edivaldo Flores, a implantação das subprefeituras de Bate Pé e Inhobim, só para citar alguns exemplos. Mas existem obras que são prioritárias, e estas nos mantivemos.

Ao todo foram três: a Sala de Escuta Assistida para crianças e adolescentes que sofrem violência, que algo único e de total importância para a proteção de nossas crianças. A outra é a ampliação do Conquista Criança. A obra já estava avançada em mais de 70 por cento.

E por fim, vem a Estação de Transbordo. Se os recursos do FINISA não saírem, nós temos recursos para tal. A prefeitura teve o cuidado de deixar de investir 20 milhões em obras diversas e, assim, garantir os recursos necessários.

Então, se você prestar atenção, demos prioridades a três obras, e todas elas têm algo em comum: as pessoas. As duas primeiras voltadas para a infância e a adolescência, a última, voltada para um público imenso que vive, há décadas, tento que utilizar um terminal degradado, inseguro e desconfortável e merece respeito desta cidade.

De resto, volto a falar, não estou preocupado com ano eleitoral nenhum. Estou preocupado em cumprir o meu dever como prefeito de Conquista. Meu foco, como disse também, é a questão do coronavírus, mas é importante ter a sensibilidade de perceber que a cidade também possui prioridades que não podem esperar.

15. De forma inédita em Conquista, por duas vezes, manifestantes pararam carros de som na porta do seu condomínio para fazer protestos, primeiro comerciantes, depois professores. Qual foi a sua reação?

16. O senhor se sente injustiçado?

HERZEM – Respondo a 15 e a 16 juntas:

Veja bem, eu acho que as manifestações são legítimas em um país democrático e eu sou um democrata. O que lamento é a forma, às vezes leviana, de determinados comandantes destas manifestações se comportarem.

Em relação aos responsáveis pelas manifestações, em que pese a legitimidade delas, eu entendo que quem as organizou tem que saber que existem limites legais que devem ser observados. Vieram para a frente da minha residência, da minha casa, para fazer um protesto desrespeitoso não só contra mim, mas contra toda a minha família. Há formas mais civilizadas de protesto.

Mas não é só isso: tem toda a vizinhança que vem sofrendo com estes atos abusivos. Porque protestar é uma coisa, tirar a paz de pessoas que nada têm a ver com isso é outra.  Inclusive na primeira, que dizia ser de representantes do comércio, tinha à sua frente um falso líder, sem espírito de liderança e sem seguir o exemplo de um líder. Este organizador, se podemos chamar assim, provocou um certo bloqueio na Avenida Luiz Eduardo Magalhães, onde eu moro. Na segunda manifestação com quatro pessoas do SIMMP e um carro de som fizeram tumulto, e eu tomei conhecimento que proferiram muitos insultos. Insulto não é protesto, é carência de boa educação, é falta de civilidade com o próximo. Você pode protestar usando argumentos, divergindo, questionando, mas insultando, não. Porque o insulto vai contra tudo o que chamamos de respeito.

Essas pessoas têm o direito, sim, de se manifestar. Mas existe local apropriado para isto, e este local não é a porta da casa dos outros. O protesto tem o objetivo de informar a discordância, não de criar abusos. E o que vimos foi abuso e não um ato legítimo do protesto. Porque eles não queriam protestar, queriam incomodar. Não queriam buscar apoio para sua causa, queriam provocar tumulto. A prova é que não conseguiram apoiadores e boa parte da cidade condenou as manifestações.

Como prefeito tenho que cuidar da minha cidade, como chefe de família tenho que garantir a proteção da minha mulher, dos meus filhos e do meu neto, que com apenas quatro anos também foi vítima da manifestação. Tenho que zelar pela paz e o respeito para os meus vizinhos, que também foram vítimas inocentes dessas manifestações onde o fator civilidade não foi colocado na mesa.  Não sou o único morador daqui, além da minha, têm outras famílias, têm crianças e idosos. Eles não pensaram nisso ao se manifestar, não levaram o outro em consideração.

E como, você, Giorlando, bem disse aí, isso é inédito em Conquista. É verdade, nenhum prefeito da nossa cidade teve o dissabor de ter uma manifestação protestando com paredões em frente à sua residência.

Eu finalizo deixando para os conquistenses uma mensagem de paz, pedindo a compreensão e também o espírito solidário de todos. Vamos continuar orando pelo nosso Brasil, por nosso estado e por nossa querida Vitória da Conquista. E que Deus nos abençoe!

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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