Polêmica | Prefeito diz que Ceasa que poderá ser privatizada em Conquista é a atacadista, não a do centro

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A mais nova polêmica da política conquistense diz respeito a um suposto projeto do governo Herzem Gusmão de privatizar a feira do Ceasa, no centro de Vitória da Conquista. Intenção que o prefeito nega e usa argumentos razoáveis para contestar a versão criada na imprensa.

A polêmica se instalou a partir da interpretação, feita por um site local, do Termo de Autorização publicado no Diário Oficial do dia 15 de maio. Não vamos abordar o histórico de interpretações erradas do citado site, tempo haverá para isso. Entretanto, não dá para deixar de comentar o pouco cuidado recente da Prefeitura com a clareza dos documentos publicados no Diário Oficial do Município, a cada dia mais tomado por erros ortográficos, gramaticais, de endereços, nomes próprios, etc. E isso contribuiu em grande parte para o equívoco – chamemos assim – do site.

Para começar, um problema mais antigo: as duas “Ceasas” têm, praticamente o mesmo nome. Inaugurada em 1985 pelo prefeito José Pedral Sampaio, a grande feira coberta das Mamoneiras logo passou a se chamar Ceasa, nome tomado emprestado das centrais de abastecimento existentes nas capitais. Dez anos depois, em janeiro de 1995, uma lei aprovada na Câmara de Vereadores lhe deu nome definitivo: Central de Abastecimento Edmundo da Silveira Flores, personalidade que morrera em julho do ano anterior. Já a “Ceasa” atacadista surgiu no primeiro governo de Guilherme Menezes (1997-2000), em galpões alugados do empresário Fernando Cardoso, da antiga Cofarma.

O termo assinado pelo prefeito Herzem Gusmão dá à empresa Brazilfruit, de Terezina, Piauí, autorização para realizar estudos, orçados em R$ 1,1 milhão, “visando a transferência à iniciativa privada da construção e gestão do Centro de Abastecimento do Município de Vitória da Conquista, bem como do mercado municipal, conhecido como ‘Ceasinha’, localizado no Centro da Cidade”. Mas, em nenhum dos seus dez parágrafos, o documento indica o endereço do tal Centro de Abastecimento, nem da recém-criada “Ceasinha”, apelido dado pelo governo municipal. Teve gente do governo afirmando que Ceasinha é mesmo a feira coberta do centro. O prefeito negou que seja, mas não explicou onde é. No final, Nem o Google conhece a “Ceasinha” conquistense.

As confusões no Diário Oficial, deveriam ter provocado a busca de esclarecimento na Prefeitura, por meio da Secretaria de Comunicação, ou com o próprio prefeito Herzem Gusmão, mas, como dissemos antes, não é foco deste artigo as motivações do site que trouxe o “escândalo” à tona. Nada, porém, relaxa a crítica ao modus operandi da atual gestão impor à sociedade suas ideias e decisões. Fica com sua capacidade de reagir aos ataques bastante reduzida, mas não deixa de ter razão quem do governo diz que houve um exagero, se intencional ou não, preferem não dizer.

A Central de Abastecimento Edmundo da Silveira Flores não é a “Ceasa” referida no Termo de Autorização. Para saber disso bastaria uma consulta ao Google, para ver nos blogs mais atentos às movimentações da política e da economia de Vitória da Conquista, a exemplo do Blog do Anderson e do Blog do Rodrigo Ferraz, para ver que a construção de uma nova Central de Abastecimento Atacadista tem sido objeto de discussões há, pelo menos sete anos. Os dois projetos já mencionados correm para ser viabilizados.

Nas fotos abaixo, à esquerda, grupo da Acatace comemorando o lançamento de um dos projetos. À direita, terreno escolhido pelo grupo de empresários, na BA 262, em frente ao Museu De Kard.

POSIÇÃO DO GOVERNO

O prefeito Herzem Gusmão baseia a sua ideia de entregar a Central de Abastecimento atacadista de Vitória da Conquista à iniciativa privada, por meio de uma Parceria Público Privada (PPP) ou por concessão, na lei 1.880, de 10 de abril de 2013, de autoria do prefeito Guilherme Menezes, que autoriza parceria com a iniciativa privada para, especificamente, a execução da obra da Central de Abastecimento.

Segundo Herzem disse ao BLOG nesta terça-feira (19), a empresa – que ele foi informado ser de São Paulo, mas é do Piauí – solicitou autorização para um estudo técnico e que o termo assinado por ele apenas admite que a Brazilfruit realiza os levantamentos, sem custo para a Prefeitura. Sobre o valor de R$ 1,1 milhão que a empresa diz que gastará para realizar os estudos, o termo deixa claro que o reembolso será avaliado após a enrega dos estudos, se tiverem utilidade em futuro processo licitatório. A Brasilfruir prometeu concluir o trabalho em agosto.

“Os estudos que empresa se propõe a fazer poderão ser utilizados ou não em um processo de PPP ou concessão”, disse Herzem. Ele afirmou que nunca tratou da privatização da Central de Abastecimento Edmundo da Silveira Flores, no centro da cidade. De acordo com o prefeito, “a possibilidade da Acatace assumir o projeto, para a construção do novo Ceasa, no Anel Rodoviário, não avançou. A associação não reuniu condições para tocar o projeto”, comentou Herzem, que não mencionou o projeto em andamento na BA 262.

O prefeito de Vitória da Conquista afirmou que vem buscando soluções para a questão da central de abastecimento atacadista e que o estudo pode apontar uma resposta. O pleito foi levado por à Superintendência do Banco do Nordeste, segundo Herzem, mas o projeto de financiamento das obras do Ceasa do Anel Rodoviario, como queria a Acatace, não foi recepcionado pela instituição financeira. sem sucesso. Herzem diz ainda que “foi dado prazo com prorrogação para a associação dos comerciantes, mas a mesma demonstrou não reunir condições econômicas para implementar o projeto”. A Acatace assumiria a Ceasa atacadista por 20 anos, informou o prefeito.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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