Um dia em que a tristeza pela perda de um grande jornalista fez uma cidade ficar pequena

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Ao acordar e ver a hora resmunguei. Passava das 11 horas da manhã. Já não sou mais tão jovem e o corpo cobrou por eu ter passado toda a noite de sexta para sábado trabalhando. Ao tomar consciência disso, relevei minha “preguiça” e agradeci por mais um dia de vida. Na sequência, abro o WhatsApp para ler as mensagens dos amigos e saber o que perdi por ter dormido muito. E vi que perdi um amigo. Encontrei-me com o pesar da morte de Frarlei Nascimento, criador do blog BlitzConquista, um dos mais importantes da Bahia. E, mais uma vez, um peso que me põe em genuflexão, porque me curvo em reverência ao amor, mas apenas a morte me faz ajoelhar. Por respeito, por medo. De tristeza.

Tinha sentido isso recentemente, quando perdi um outro bom amigo, Robson Nascimento, que, aliás faria aniversário ontem (6). Robson, presente! Robson foi vítima do novo coronavírus. Frarlei eu ainda não sei. Ao olhar as mensagens no WhatsApp hoje pela manhã, a primeira coisa que vi foi o início da mensagem da também jornalista Luciana Soriano, dando uma nota de pesar pela morte de Frarlei. Simultaneamente ao meu lamento, bradei contra o vírus maldito. Mas, falam que ele decidiu partir e isso torna tudo ainda mais pesado. A gente sucumbe à sensação de impotência, pensa que tinha a obrigação de estar perto, para ajudar mais, para que isso não viesse a acontecer. E porque é difícil compreender. Aquele sorrisão, o ímpeto do repórter, a coragem do jornalista questionador, a missão à frente. Você poderia nem vê-lo facilmente, mas ele estava onde a notícia acontecia.

Dia desses eu comentava sobre meu medo. Via as matéria de Frarlei na rua e pensava que eu poderia fazer o mesmo, me desfazer do medo do vírus e ir atrás da notícia, como ele. Mas, pensava, não, ele tem apenas 39 anos e eu 58, faço parte do grupo de risco, ele é um jovem saudável e forte. A última vez que falamos foi no dia 25 de maio e ele estava preocupado com a evolução da Covid-19 e questionava os números apresentados pela Prefeitura de Vitória da Conquista. Temia que se perdesse o controle da situação e mais pessoas morressem. Não me pareceu que ele estava se incluindo, porque, como disse, eu só via nele, coragem, intrepidez, força. Coisa que quero continuar tendo para ficar vivo, se de força depender para isso. Força que desejo para meus muitos amigos, para a minha família.

Como disse em mensagem enviada a alguns deles, triste com a perda de um amigo, jornalista dos melhores e um cidadão que lutava pelo coletivo com muita coragem, quero pedir a todos e todas que se cuidem. Não se descuidem da imunidade do corpo e da alma. Somos breves, sabemos, mas somos, ainda mais, necessários. Em medidas diferentes, somos imprescindíveis para a humanidade, para a profissão, para a família, para alguém que nos ama. Todo mundo tem um amor e esse amor é um universo. Cuidem-se. Previnam-se. Do coronavírus, do infarto, da depressão, da tirania, da morte fora de hora, fora de tom, fora de propósito.

Tomo expressão de um outro bom amigo, que cada dia dá mais demonstração disso, para ajudar na imunização da minha alma, Zé Maria Caires, para homenagear o parceiro que partiu hoje: “Apesar da grandeza desta cidade, hoje ela amanheceu menor. Frarlei vai fazer muita falta pra todos nós”. Zé fala do recolhimento que a tristeza no impõe, eu penso que fato nos liga e aproxima, como em uma pequena aldeia em que todos são próximos.

Que Frarlei tenha sido bem acolhido no colo divino, algo em que ele acreditava.

OBRIGADO, FRARLEI ANTÔNIO DE BARROS NASCIMENTO.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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