Tida como exemplo por enfrentar o coronavírus com o comércio aberto, Itapetinga vê casos e mortes aumentarem

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No dia 15 de maio, quando a Prefeitura de Itapetinga comemorava um mês de comércio aberto, o município registrava nove casos confirmados de Covid-19 e dois óbitos. Era um tempo em que a gestão municipal dava entrevistas reafirmando a certeza da medida que protegia a economia e os empregos. Dizia-se que Itapetinga era um exemplo.

 

Ontem (10), segundo a própria Prefeitura, Itapetinga registrava 31 casos confirmados de Covid-19 e morria a quarta paciente com a doença. Foram dois óbitos em abril e dois em junho.

Na página oficial no Facebook, no dia 1º de junho, a Prefeitura considerou que a população de Itapetinga tinha “relaxado o necessário isolamento social e isso pode causar uma mudança no cenário que, até então, estava, de certa forma, controlado. ‘Nenhum cenário é definitivo em uma pandemia. Nós não podemos relaxar. Caso contrário, estaremos todos correndo risco. Se cuidem, cuidem da sua família e amigos. Fiquem em casa'”, disse o prefeito Rodrigo Hagge (MDB) na publicação, quando informou que estudaria o novo cenário para novas tomadas de decisão.

No dia 3 de junho, em decreto, Hagge prorrogou a barreira sanitária, iniciada no dia 11 de maio, para evitar que pessoas vindas de outros municípios entrem na cidade e mandou fechar bares, restaurantes, lanchonetes e afins (que só podem atender por delivery ou drive thru), academias de ginástica e suspendeu práticas esportivas e afins, atividades coletivas, esportivas ou recreativas e uso de piscinas em clubes, além de proibir o funcionamento de casas de show e espetáculos de qualquer natureza, parques infantis privados e qualquer ação que implique em emissão sonora em logradouros públicos ou particulares. Também proibiu o acesso de veículos não oficiais e não autorizados nas principais vias do centro comercial de Itapetinga.

O comércio permanece aberto, até nova avaliação da situação pela Prefeitura.

À exceção da proibição do acesso de moradores de outros municípios e da restrição de trânsito no centro comercial, as medidas já haviam sido tomadas em outras cidades, como Vitória da Conquista, que, por sua vez, manteve o comércio fechado por dez semanas, tendo reaberto somente no dia 1º de junho. Entre 15 de maio (data do vídeo comemorativo da Prefeitura de Itapetinga) ao primeiro dia este mês, Conquista teve um aumento de 14,86% nos casos. No mesmo período, a vizinha cidade, governada por Rodrigo Hagge, simplesmente dobrou, passou a 18 em 1º de junho, e de lá para cá, mais 72%, chegando a 31casos, com uma taxa de letalidade 12,90%.

Nas redes sociais da Prefeitura, muitos internautas criticaram o prefeito e disseram que ele agira como “marqueteiro”, por ter feito propaganda de uma tranquilidade que não existiria. Uma moradora comentou: “A propaganda enganosa funcionou. Estavam vendendo uma cidade modelo como se só o uso de máscaras resolvesse o problema. É preciso ações mais ordenadas e campanha de isolamento. Quantos vão precisar morrer para terem consciência do que está havendo?”

AÇÕES

No sábado passado, a Prefeitura concluiu a montagem de uma Unidade de Apoio à Covid-19, no posto de saúde Arnaldo Teixeira, com 20 leitos para acolher pacientes com quadro de sintomatologia leve ou moderada. Os leitos são compostos por rede de gás, oxigênio e ar comprimido, segundo matéria no site oficial. A unidade ainda será equipada com respiradores, desfibriladores, bomba de infusão e eletrocardiógrafo e contará com profissionais treinados e capacitados para o acolhimento desse paciente com segurança. A gestão municipal também abriu processo seletivo para contratar médicos que atuarão na unidade.

 

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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