446 casos confirmados, 10 mortes e 85 casos ativos | Números da Covid-19 sobem em Conquista e pressionam governo municipal

Em resposta ao Ministério Público Estadual (MPE) o governo municipal afirmou que não acataria a recomendação do órgão no sentido de revogar a autorização de reabertura do comércio de Vitória da Conquista, porque os números demonstravam que a pandemia estaria controlada no município. O ofício, enviado à promotora de Justiça Guiomar Miranda de Oliveira Melo, titular da 11ª Promotoria de Justiça, o Comitê Gestor de Crise (CGC), destaca, entre outros fatores, a baixa taxa de ocupação de leitos hospitalares, especialmente por pacientes do município; o crescimento tido como pequeno dos casos confirmados; o número de pacientes ainda em tratamento (casos ativos) e a quantidade de óbitos de residentes no município.

Entretanto, esta semana o cenário da pandemia mudou muito em Vitória da Conquista, com variações quantitativas que passam a pressionar o governo municipal, que recusou a orientação do MPE formalmente e verbalmente, por meio de entrevistas do prefeito Herzem Gusmão, afirmando que não vai retroceder na flexibilização.

O CGC se utiliza de dados do dia 14 de junho, quando Vitória da Conquista contabilizava 361 casos confirmados. Ontem (18), chegou a 446, 85 a mais, um crescimento de 23,54%. No período de sete dias foi de 35,56%. Eram, então, 304 curados, representando 84% do total de casos, um dado frequentemente usado para defender a flexibilização. De acordo com boletim da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), ontem havia 351 pacientes recuperados e a menor proporção registrada desde o dia 4 deste mês: 78,7%, ainda alta, mas com tendência de queda rápida.

Na data em que o CGC baseia as suas respostas, a taxa de ocupação de leitos de hospital exclusivos para Covid-19 era 36,84%, com 52% de UTI e 21,90% de leitos clínicos sendo utilizados, Nos dois momentos havia 12 pacientes de Vitória da Conquista internados. Já os casos ativos, que são as pessoas que ainda estão em tratamento e podem transmitir o vírus, no dia 14 eram 52 e já são 85, um significativo aumento de 63%. Para piorar a pressão sobre o governo municipal, no dia em que o CGC preparou a resposta, Vitória da Conquista registrava cinco mortes causadas pelo novo coronavírus, a última ocorrera no dia 25 de maio. Este mês, os óbitos dobraram, chegando a dez ontem.

A Prefeitura recebeu do Governo Federal 11.580 testes rápidos e comprou outros sete mil e, embora não tenha divulgado nenhuma estratégia especial de testagem da população, a informação extraoficial é de que foram feitos oito mil testes, com apenas 257 resultados positivos. A Secretaria Municipal de Saúde continua fazendo testes e a tendência é de que, considerando que há uma reconhecida subnotificação, a quantidade de casos confirmados continue crescendo, afastando a curva de curados e doentes, ampliando o número de casos ativos e a consequente taxa de contágio.

Preocupada com essa situação, a promotora Guiomar Miranda já antecipou que, a depender dos números que serão divulgados nesta sexta-feira (19), deve entrar na Justiça pedindo a revogação do decreto do prefeito Herzem Gusmão que autoriza o funcionamento do comércio e serviços considerados não essenciais.

O entendimento do MPE, de que não era o momento de reabrir o comércio, é o mesmo do Conselho Municipal de Saúde (CMS) e da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), temerosos com o avanço da Covid-19 no município, mas esbarra no posicionamento da maioria das entidades que compõem o comitê de representação social criado pelo prefeito Herzem Gusmão para acompanhar as decisões do CGC, como as associações comercial e industrial, o sindicato dos lojistas e a CDL.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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