Para Prefeitura, com 130 novos casos e oito mortes em sete dias e crescimento diário de 5%, Covid-19 em Conquista está controlada

A semana passada terminou com mais uma polêmica envolvendo a Prefeitura de Vitória da Conquista e a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), mais precisamente, o prefeito Herzem Gusmão e o secretário Fábio Vilas-Boas, com direito a notas de um lado e do outro. No centro da discussão, a UTI do Hospital de Clínicas de Conquista, que só teria dez respiradores para os 20 leitos contratados pelo Governo do Estado para atender, exclusivamente, pacientes com Covid-19.

Tanto o hospital como a Sesab deram explicações baseadas em resolução da Anvisa que estabelece para as UTIs a exigência de um respirador para cada dois leitos, o que seria o caso do HCC. A Secretaria Municipal de Saúde, no entanto, diz que os leitos da UTI do hospital ficam em quartos separados e a distância não permitiria a configuração de dois leitos por respirador.

Na ponta, o conquistense, assustado com o crescimento do número de casos e mortes pelo novo coronavírus e sem entender quem tem razão.

No final, a constatação de que, se não fosse por este episódio, a semana teria terminado com a Prefeitura alargando o protocolo de flexibilização, com a autorização de reabertura de bares e restaurantes e até de academias de ginástica. O prefeito chegou a dar entrevistas não apenas garantindo que não haveria recuo, como as fases previstas aconteceriam de acordo com o calendário anunciado na semana anterior.

Entretanto, a polêmica dos leitos acabou empurrando as fases três e quatro para data desconhecida, talvez dia 29, se a taxa de ocupação cair ou chegarem novos respiradores, segundo Kairan Rocha Figueiredo, coordenador do Comitê Gestor de Crise (CGC), formado por seis secretários municipais.

“Enquanto não tivermos o quantitativo de leitos retomado, a gente não pode avançar para a próxima fase. Ou o quantitativo retomado ou uma baixa na ocupação, para que entre no nível verde e permita avançar para a terceira fase”, afirmou o coordenador na reunião do CGC com o Comitê de Representação Civil e Institucional, no sábado (20).

Fora isso, o governo municipal segue considerando a situação sob controle. Demonstrou isso ao manter o comércio aberto, contrariando recomendação do Ministério Público Estadual (MPE), do Conselho Municipal de Saúde (CMS) e da subseção regional da OAB. Não ocorreu nenhuma orientação nova, aviso preventivo ou restrição ao funcionamento de shopping centers e lojas de rua. Tampouco qualquer alteração quanto ao funcionamento de templos religiosos, que estavam na última fase do protocolo e o prefeito Herzem Gusmão decidiu antecipar em cerca de um mês, para o último dia 10.

Os registros de Covid-19 em Vitória da Conquista aumentaram de 361 para 491 na semana que passou, com 130 novos casos confirmados, crescimento de 30%. A Prefeitura, no entanto, não considera o percentual semanal ou o aumento absoluto, para efeitos de manutenção, avanço ou retrocesso da flexibilização, o que vale é a média. A não ser, como foi visto, quando se trata de bares, restaurantes e academias de ginástica.

A média da semana foi de 20,83 novos casos por dia, no período avaliado pelo CGC (até sábado), em temos percentuais foram 4,54% de crescimento no período, a menor das três semanas em que o protocolo de reabertura está valendo. Com este patamar, associado a uma ocupação média de 38,34% do total de leitos hospitalares e 55% das UTIs, a Covid-19 estaria estabilizada e sob controle, na avaliação do CGC e do governo municipal.

Porém, outros índices tiveram variações que são preocupantes para a população. Em uma semana, Vitória da Conquista registrou os óbitos de oito pessoas locais causados pelo novo coronavírus. O último tinha sido no dia 25 de maio. O total foi para 13, elevando a taxa de letalidade para 2,64%. Além da morte de residentes em Conquista, o boletim da Sesab registra outros 22 óbitos de pacientes moradores de diversos municípios que estavam em tratamento em hospitais da cidade.

Houve também um grande aumento dos casos ativos, a quantidade de pessoas que ainda estão em tratamento contra o e podem transmitir o novo coronavírus. No início da semana (segunda-feira, 15) eram 47 casos ativos, no sábado em que o comitê se reuniu tinha passado a 114 e ontem chegou a 117.

O crescimento desse índice está relacionada à velocidade de contaminação, que é maior que a de cura. Esse dado se confirma com a queda – desde o início da semana passada – da proporção de pacientes curados em comparação com os casos confirmados. No dia 15 chegou a 85,6%, ontem (21) fechou com 73,5%.

 

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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