Conheça melhor a bandeira de Vitória da Conquista e evite gafes que até autoridades cometem

Dificilmente uma pessoa erra ao posicionar a bandeira do Brasil ou da Bahia, seja ao colocá-las em um mastro ou ao fazer uma foto para as redes sociais. Contribui para isso o fato de que os dois pavilhões estão presentes em quase todas as repartições públicas, por termos sido apresentados a eles desde o começo da educação formal, na escola infantil, e à existência, na bandeira do Brasil, do dístico positivista “Ordem e Progresso”, no seu centro, e na da Bahia o triângulo no alto, à esquerda. Graças à frase inspirada em Augusto Comte no símbolo nacional e ao triângulo baiano em homenagem à Inconfidência Mineira, é fácil saber qual a parte de cima e qual a parte de baixo das duas bandeiras.

Mas, a bandeira de Vitória da Conquista não oferece os mesmos indicadores. Formada por uma faixa vertical azul e três horizontais nas cores vermelho, verde e branco, é composta ainda por quatro estrelas, três na faixa azul e uma na verde.

Segundo o portal da Prefeitura, aprovada pela lei municipal nº 182, de 27 de outubro de 1978, durante o governo do prefeito Raul Ferraz, a bandeira é de autoria do heraldista Fernão Dias Sá. Em um texto confuso, diz o portal que as cores da bandeira conquistense “sintetizam os pavilhões nacional e estadual, com o acréscimo das municipais, sendo o verde e o amarelo correspondente ao primeiro, com a sua significação, simbolizando, ainda o verde (o café), principal riqueza do município; o vermelho e o branco são as cores estaduais e o amarelo, as municipais”.

As faixas formariam letras. A vermelha, a azul e a branca o C, inicial de Conquista; junto com a verde formariam o E de Educação e as faixas azul e verde formariam o T, inicial de Trabalho, “fator móvel do progresso, e lembra que só trabalhando o homem constrói o mundo e consegue bem-estar”, diz o site. Faltou o V de Vitória, mas não vem ao caso. O importante é saber que a faixa vermelha é a parte de cima. Uma dica para não errar seria verificar a posição das estrelas. Como elas são de cinco pontas, bastaria ver de que lado fica a ponta superior.

As estrelas na bandeira de Vitória da Conquista funcionariam como aquelas setas em caixas de embalagens, com o indicativo “este lado para cima”. Mas, na pressa, nem todo mundo dá atenção a este detalhe. Alguém pode até dizer que o importante é que, para cima ou para baixo, é a mesma bandeira. Não é. Imaginemos que um país ou município crie uma bandeira nas mesmas cores e formato, mesma quantidade de estrelas, com posição invertida, da faixa branca para a vermelha… Será outra bandeira.

Mas, quem, alguma vez, confundiu e hasteou a bandeira de Vitória da Conquista de cabeça para baixo, saiba que isso não foi o único. Esse equívoco é mais frequente do que se imagina. Na terça-feira (23) uma instituição da mais alta importância hasteou no mastro em frente à sua sede a bandeira municipal na posição invertida. Avisados, os responsáveis pelo órgão repararam o equívoco.

No aniversário de emancipação da cidade do ano passado (9 de novembro), quando foi inaugurada a alameda Dom Celso José, em frente à Catedral de Nossa Senhora das Vitórias, um recruta do Tiro de Guerra levava ao ombro uma bandeira de cabeça para baixo. Dá para ver que as estrelas estão com duas pontas para cima. Para não dizer que isso só acontece no âmbito das instituições públicas, na Agro Bahia, evento da Cooperativa Mista Agropecuária Conquistense (Coopmac), no dia anterior à festa na alameda, lá estava a bandeira hasteada de ponta-cabeça.

Cerca de duas semanas antes, a gafe foi cometida dentro do gabinete do prefeito. Herzem Gusmão decidiu deixar permanentemente no local uma bandeira que ele trouxera da viagem de férias que fez a Jerusalém na segunda quinzena de outubro. Antes de colocar o pavilhão no mastro, o prefeito fez foto junto com a vice-prefeita Irma Lemos, que lhe retransmitia o cargo de prefeito que ela ocupou na ausência do titular. A bandeira aparece em posição invertida. Do mesmo jeito que foi fotografada por duas vezes em Jerusalém.

Em defesa de Herzem e dos pastores, o detalhe das estrelas. Veja que, nesta versão da bandeira levada pelo prefeito de Vitória da Conquista para ser abençoada em Jerusalém e que hoje está em seu gabinete oficial, as estrelas estão invertidas. Com a ponta na direção da faixa branca. Se o prefeito seguiu essa indicação, foi induzido ao erro. Para todo efeito, é bom que a Prefeitura verifique o lote de bandeiras adquirido recentemente, porque há sinais de que o alfaiate errou e fez uma bandeira diferente do que está na lei. É só olhar para as estrelas.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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