Guerra da informação Covid-19 | Ou Vitória da Conquista tem 15 respiradores de UTI sobrando ou alguém mente


Para situar o leitor, vamos, primeiro, relembrar o histórico desse imbróglio dos respiradores do Hospital de Clínicas de Conquista, o HCC. Ressaltando que tudo faz parte da guerra política e de informação travada entre a Prefeitura de Vitória da Conquista e a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

Por algum motivo, não agradou ao governo municipal o HCC ter sido escolhido como o primeiro hospital de Vitória da Conquista a ser contratado pelo Governo do Estado para atender pacientes com o novo coronavírus. A UTI da instituição ainda estava sendo montada quando o contrato foi fechado. Membros do primeiro escalão municipal duvidaram, no início, até que houvesse um contrato assinado.

Era mais um round da guerra que se arrasta desde que o prefeito de Belo Campo, e não o de Vitória da Conquista, foi escolhido para presidir o consórcio que gere a policlínica regional e que originou um festival de palavrões em uma conversa gravada sem querer.

A desconfiança do governo municipal indignou o secretário de Saúde do estado, que veio a público, com o contrato na mão, reclamar que o prefeito fazia política com a questão da saúde. Desde então, a guerra prosseguiu com escaramuças mais leves, até que o comitê de secretários que administra a crise da Covid-19 tornou conhecido ofício em que o HCC informava à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que o hospital tinha apenas doze respiradores (ventiladores pulmonares, na linguagem técnica), sendo dois de backup, para os 2o leitos de UTI contratados pelo Governo do Estado.

Dá-se, então, nova troca de farpas, com notas oficiais das partes e promessas de agir para resolver. A Sesab assegurou que enviaria os respiradores que faltavam, embora afirmasse que não havia tanta urgência pois: 1. Não havia tanto paciente intubado; 2. Uma portaria da Anvisa preconiza que o regular para uma UTI é ter um respirador (no mínimo) para cada dois leitos e isso o HCC tinha.

Para o governo municipal, a resposta era insatisfatória. Segundo a SMS, os leitos de UTI do hospital ficam em quartos separados e o distanciamento espacial não permitiria que dois leitos façam uso de um único respirador. Além do mais, Herzem manifestou dúvida quanto à regularidade do contrato. Pelas duas razões, entrou com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) pedindo investigação contra o Governo do Estado, já que os recursos da contratação do HCC vieram da União.

Neste ínterim, o Governo do Estado cancelou o contrato com o IBR, o outro hospital privado selecionado para fornecer leitos dedicados para a Covid-19 em Vitória da Conquista. A saída do IBR da rede trouxe o imediato risco do tão temido colapso no sistema de saúde, quando começam a faltar leitos de hospital para internar pacientes. A cidade, que recebe pacientes regulados de vários municípios, chegou a ter 80% dos leitos de UTI ocupados no dia 10 de julho. 

Nesta mesma data, estavam em Brasília, procurando soluções no Ministério da Saúde, o secretário estadual Fábio Vilas-Boas e o prefeito Herzem Gusmão, que voltou anunciando que protocolara pedido de auditoria nos contratos com hospitais particulares de Vitória da Conquista, além de uma promessa de mais R$ 1o milhões para a Prefeitura e de dez respiradores. O destino dos equipamentos: o HCC.

Chegamos a hoje, domingo, 12 de julho, dia em que o prefeito foi vistoriar, pessoalmente, a chegada dos dez respiradores enviados pelo Ministério da Saúde para o HCC. Mas, como? O HCC informara que os equipamentos já haviam chegado e já estavam instalados. Sendo assim, Vitória da Conquista tem dez respiradores sobrando? Ou tem alguém mentindo.

No sábado, o BLOG recebeu a seguinte mensagem de uma fonte da oposição ao governo municipal e ligada ao governo Rui Costa: “Informação de primeira hora: os 10 respiradores do governo federal que a PMVC receberá hoje não serão utilizados, pois o governo do estado enviou respiradores para o HCC”. O BLOG, como de praxe, porque não publica nada sem investigar, fez contato com as assessorias dos dois governos e do HCC para ter mais dados sobre a informação.

Do governo municipal se manteve a versão de que os respiradores chegariam no decorrer do sábado e que seriam entregues no HCC. A Sesab repassou que, pelo que se sabia, o HCC não precisava de novos respiradores, depois que a secretaria havia feito o envio dos que faltavam, mas orientou o BLOG a obter detalhes por meio da assessoria do hospital.

Depois de justificar que só uma pessoa detinha a informação no HCC e que ela estava incomunicável, cerca de duas horas depois, a assessoria do hospital, informou que já estavam no HCC “os respiradores enviados pelo Governo do Estado completando o número de 20 respiradores na UTI”. Segundo a informação, foram cinco os respiradores enviados pelo governo estadual. “O HCC já tinha os outros, mas não estavam em uso na época do envio de informações à Prefeitura. Estavam em manutenção”. De acordo com a assessoria do hospital os respiradores “Chegaram hoje pela manhã [de sábado] e “todos os leitos já estão com respiradores”.

Confiando na informação, o BLOG publicou matéria dizendo que o HCC já havia instalado os respiradores que faltavam.

Resta a pergunta: Se o prefeito Herzem Gusmão acompanhou a entrega dos respiradores ao HCC hoje, domingo, quais os equipamentos que o hospital disse ter instalado ontem?

Se os respiradores instalados no sábado, enviados pelo Governo do Estado, de acordo com a Sesab e com o HCC, atendem à necessidade do hospital, o que será feito dos dez que chegaram na manhã deste domingo, segundo informou o prefeito Herzem Gusmão?

A guerra política e de informação travada entre Prefeitura a Sesab – que inclui números desencontrados sobre caso confirmado e mortes por Covid-19 – está resultando em perda ou ganho para a população?

ATUALIZAÇÃO: Na manhã desta segunda-feira (13), o Blog da Resenha Geral publicou dado novo, atribuído ao prefeito Herzem Gusmão, de que chegaram 15 respiradores do Ministério da Saúde para o HCC e não dez como noticiado antes.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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