Com 1.382 casos de Covid-19 e 25 mortes em 24 dias, Conquista se aproxima de municípios onde quadro sempre foi pior



Neste mês de julho, até ontem (24), morreram em Vitória da Conquista 25 pessoas com o novo coronavírus, média de mais de uma por dia, um aumento de 147%. No total, já são 42 mortes por Covid-19. Quanto aos casos confirmados estão em 2.111, com 161 apenas ontem, 1.382 no mês, a tendência é que continuem crescendo. Até o final de julho, a projeção é entre 2.700 e 2.800 tomando como base a taxa de contágio que vem se registrando e a média diária de casos confirmados este mês.

“Não admito recuo”, afirmou o prefeito Herzem Gusmão, ao se referir ao protocolo de reabertura das atividades econômicas. E, se ele não recua, tampouco o novo coronavírus dá sinal de fazê-lo. São números e projeções que assustam a população, em sua maioria.

Não há como negar que a Prefeitura atua para evitar uma situação ainda pior, que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) está empenhada. Pessoal capaz e comprometido com o trabalho e dinheiro não faltam. Os técnicos da SMS merecem nosso reconhecimento, moção de aplauso. E já entraram nos cofres do município R$ 22,8 milhões para ações de combate ao novo coronavírus. Então, falta o quê? Um pouco mais de respeito ao temor da população, talvez.

O prefeito Herzem Gusmão tem dito que os defensores de uma revisão na flexibilização querem o pior dos mundos, o quanto pior melhor. O outro lado reage e afirma que ninguém em sã consciência quer quebrar o comércio, que as pessoas têm é medo de adoecer e de morrer e desejam ver menos aglomeração, menos riscos de aumento de casos. Enfim, que não aconteça o pior: a morte de tantos conquistenses por Covid-19. Por isso, esperam que o governo municipal seja menos duro e irascível, admita uma reavaliação do protocolo, uma mudança do discurso – e da prática derivada dele.

Não bastam UTIs vagas para convencer todo mundo de que está tudo bem. Se os casos de Covid-19 continuarem a aumentar na proporção que crescem atualmente não vai ter leito de hospital suficiente. Tampouco ter UTI é garantia de vida, apesar da repetição disso como um mantra. Por isso é considerada exagerada e enganosa a propaganda de que a maior tragédia em outros municípios tornaria Vitória da Conquista um oásis na pandemia.

A comparação com Petrolina, Feira de Santana, Itabuna, Ilhéus, Juazeiro e Jequié, entre outras, é uma estratégia de propaganda. Pode parecer que dá razão à política do governo municipal para a Covid-19, mas o tempo vem mostrando que a comparação não se sustenta em si mesma. Os lugares onde os cenários estavam tão ruins que serviam para o discurso já olham para uma estabilização que Vitória da Conquista não vê ainda.

A equipe de especialistas da Prefeitura sabe que, diante do alto crescimento dos casos e dos óbitos (89,57% de casos e 147% em óbitos),  se os números da comparação com “outros lugares piores que nós” em números absolutos ainda são “favoráveis” a nós, os índices de Vitória da Conquista começam a ficar parecidos e o município se aproxima do grupo alvo das comparações. Veja tabela, considerando dez dias, até ontem.

CASOS DE COVID-19 EM UM PERÍODO DE 10 DIAS

 

Vitória da Conquista

Jequié Juazeiro Petrolina Ilhéus Itabuna

Feira de Santana

CASOS EM 14/07

1.231

1.903 1.534 1.670 2.076 3.671

5.291

CASOS EM 24/07

2.111

2.770 2.220 2.402 2.735 4.615

6.580

CRESC.

71,48%

45,55% 44,71% 43,83% 31,74% 25,71%

24,36%

 

ÓBITOS POR COVID-19 EM UM PERÍODO DE 10 DIAS

Vitória da Conquista Jequié Feira de Santana Juazeiro Ilhéus Itabuna Petrolina
ÓBITOS EM 14/07

23

49 89 39 89 81

40

ÓBITOS EM 24/07

42

72 130 54 123 105

51

CRESC.

82,60% 46,93% 46,06% 38,46% 38,20% 29,62% 27,5%

 

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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