Presidente do PT de Conquista diz que nome de vice de Zé Raimundo ainda está indefinido


Como em 2016, quando acabou perdendo a eleição para Herzem Gusmão, no segundo turno, por uma diferença de mais de 25 mil votos, o PT de Vitória da Conquista mantém a prática de levar até o último momento para tomar decisões sobre candidaturas e chapas. Foi assim na definição do nome de Zé Raimundo (em 2016 e em 2020) e está sendo assim na escolha de quem vai lhe fazer companhia na chapa este ano. Isso pela exigência do debate interno, explica-se o partido.

Desde 1996, quando Guilherme Menezes – para sorte de Vitória da Conquista – foi o escolhido para representar um coletivo partidário que incluía até o PSDB, com quem brigou antes da metade do mandato, a escolha do vice sempre foi “pro-forma” para o PT. À exceção de 2000, quando o partido, escaldado com o que aconteceu com a dobradinha com o PSDB e do alto de uma aprovação estupenda do governo de Guilherme, optou por uma solução interna (mas, não menos tensa), as escolhas do vice em 2004, 2008 e 2012, seguiram o fator menor ameaça. Quem e de qual partido podemos prestigiar um nome que não queira, depois, alçar voos próprios?

Em 2004, com Zé Raimundo candidato, o escolhido foi sobre Gilzete Moreira, evangélico filiado a um partido então satélite do PT em Vitória da Conquista e na Bahia, o PSB. Gilzete entrou e saiu sem manifestar qualquer arroubo. A tática dera certo. Em 2008, com o retorno de Guilherme, a escolha foi orientada pelo mesmo princípio. O escolhido foi do PV, que era, praticamente, uma extensão do PT. O professor Ricardo Marques, até então sem notoriedade ou voto, foi o vice. Como Gilzete, Marques não demonstrou a temida ambição de alçar voo a partir do cargo que lhe foi presenteado justamente por ele não ambicionar na política, coisa que ele deixou para este ano, quando, mais conhecido e preparado, tentará se eleger vereador.

Embora não mencionado, o PCdoB já estava na fila para um lugar na chapa petista desde 2000, quando o vice escolhido foi Zé Raimundo, depois que outros cinco nomes foram moídos na máquina de debater do PT. A preferida de Guilherme era a engenheira civil Márcia Pinheiro, rejeitada por ser, na época, nova nas hostes petistas, advinda dos tempos pedralistas, e até chegar a Zé Raimundo outros três nomes foram debatidos e preteridos. Tudo isso numa reunião só.

Na terceira reeleição de Guilherme Menezes, o PCdoB resolveu cobrar com mais ênfase seu lugar de vice. Cansado de ouvir que era a rêmora do PT ameaçou que, não tendo o lugar na chapa majoritária, lançaria candidato próprio a prefeito, o recém-eleito deputado estadual em 2010, Jean Fabrício Falcão. Nem lançou prefeito nem foi vice – o escolhido foi o tranquilo e pacificador Joás Meira, do prestigiado PSB -, mas passou de duas para três secretarias no governo.

Quatro anos depois, o Partido Comunista do Brasil voltou a pleitear seu lugar de vice. Negado, mais uma vez. Mas, o trauma foi reduzido, pois, como todos os sinais apontavam como certo um segundo turno entre Zé Raimundo e Herzem, os parceiros históricos do PT, leia-se PSB e PCdoB sentiram-se confortáveis para terem candidatos próprios a prefeito, com a prévia combinação de se juntarem no segundo turno.

Naquele ano, o PT bateu cabeça para decidir quem estaria como vice na chapa até o soar do gongo. A escolha recaiu sobre uma ex-petista, a contadora Sidélia Prado, agora no PSD e ligada ao ex-vice-prefeito e presidente da Câmara de Vereadores, Gilzete Moreira. Escolha influenciada 1. Porque Herzem escolhera uma mulher para vice (e justamente Irma Lemos, vereadora do PTB, que apoiou Guilherme e cujo partido tinha cargos no governo petista); 2. As pesquisas qualitativas indicavam a importância de fazer um aceno – pela terceira  vez seguida – ao segmento evangélico (cerca de 30% do eleitorado conquistense); e 3. Porque uma mulher equilibraria a chapa e o pleito.

Para este ano, distanciado o PSB – que procurou se renovar e assumir identidade própria e postura individual – e sem os partidos que deram forma à frente que elegeu e reelegeu o PT (PV, PSL, PTB, PP, PL) o PCdoB resolveu agir em duas frentes para pressionar pelo almejado posto: ameaçou lançar Fabrício mais uma vez candidato a prefeito, sabendo que as condições da atual eleição são menos favoráveis ainda para o PT, e colocou logo um nome para vice: o advogado e ex-vereador Andreson Ribeiro.

Com Andreson, o PCdoB reinaugurou a campanha pública, além dos debates internos, para vice, como era até 1962, nas eleições presidenciais, e, inédito na política de Vitória da Conquista. Mas, não deu certo. Ele não foi aprovado na rígida régua de avaliação petista, que pediu o nome de uma mulher, pela adoção dos mesmos critérios de 2016. Descartada internamente a vereadora Nildma, entendida a importância de sua reeleição, a preferência dos comunistas recaiu sobre a jornalista eunapolitana Luciana Oliveira Pereira, 39 anos, radicada em Conquista, para onde veio ha dez anos cursar jornalismo na Uesb e ficou.

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O PCdoB já divulgou nota confirmando sua escolha. Mas, segundo o presidente do diretório municipal do PT, Isaac Bomfim, disse que o partido não fechou questão. E admite que há possibilidade de um ou uma vice além do PCdoB. “Há um universo de opções”, disse. “Nada definido. Só terá definição após o PT debater”.

Ou seja, pode-se inferir, a partir das palavras de Isaac, que o PCdoB terá que aguardar um pouco mais para saber se a pressão surtiu o efeito desejado. O PT quer tempo para debater o nome de Luciana Oliveira. “Não é um debate que seja esgotado em dois dias”, explica o presidente do partido de Zé Raimundo. “O PT não é um partido cartorial e não é nossa prática impor decisões”, complementa e informa que o anúncio do nome de quem comporá a chapa com Zé Raimundo deve ser feito em 5 de setembro, cinco dias antes da convenção, marcada para 10 de setembro.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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