Casos de Covid-19 explodem em Conquista, mortes aumentam, fiscalização reflui e protocolo é esquecido


O protocolo para reabertura do comércio/atividade econômica elaborado pelo Comitê de Gestão de Crise (CGC) e aprovado por decreto do prefeito Herzem Gusmão, publicado no Diário Oficial de 31 de maio de 2020, estabelece os parâmetros para orientar as ações de restrição ou flexibilização das diversas atividades econômicas no município diante da pandemia do novo coronavírus. O objetivo do protocolo era definir quando agir para conter o avanço da Covid-19 em Vitória da Conquista.

O documento estabelece cinco fases para o avanço da flexibilização e dois parâmetros técnicos para avanço ou recuo das fases: o percentual de aumento de casos e a taxa de ocupação de leitos hospitalares exclusivos para pacientes com suspeita ou confirmação da Covid. O CGC definiu que seria considerado o percentual semanal de crescimento de casos, com a mesma periodicidade no caso da taxa de ocupação de leitos. Se esta chegasse a 70% deveria ocorrer recuo. O mesmo se o percentual de aumento da Covid-19 no município passasse de 20%.

Para a Prefeitura determinar o recuo não haveria necessidade de ocorrerem os dois fatores ao mesmo tempo. De acordo com explicação do CGC basta um dos critérios atingir um dos níveis que será suficiente para a manutenção em uma fase ou recuo.

Aos poucos, outros critérios foram somados, tacitamente, ao protocolo. A Prefeitura passou a usar, por exemplo, comparações com outros municípios para justificar a politica de avanço na flexibilização e a quantidade de casos ativos (pessoas que foram infectadas a ainda não foram curadas), um parâmetro que sofre a influência da ausência de exames no final de semana, o que diminui significativamente a registro de novos casos confirmados e contribui para a redução da quantidade de casos ativos.

Atualmente, não dá para dizer qual critério é válido, se o protocolo está mantido. Em caso afirmativo, estranha-se que a Prefeitura de Vitória da Conquista não apenas tenha deixado de levar em conta os parâmetros que ela mesma estipulou e, praticamente, abriu mão da fiscalização dos estabelecimentos, especialmente bares, e de tentar impedir aglomerações.

Na semana passada (de 17 a 23) nenhum dia teve taxa de ocupação abaixo de 70% e a média ficou em 83,27% nas UTIs. O protocolo afirma que o critério é a ocupação de UTI e/ou leitos clínicos.  No geral, computando UTIs e leitos de enfermaria, a média de ocupação de diária foi de 61,53%.

Entre 31 de dezembro e 25 de janeiro, os casos confirmados de Covid-19 aumentaram 17,7% em Vitória da Conquista, uma média de 104,79 por dia,  superior à de dezembro (91,45/dia), mês com o maior número de novos casos da doença (2.835) e a maior desde que a pandemia começou. Já são 2.545 estes mês, elevando o total para 16.931 casos.

A quantidade de óbitos de conquistenses pela Covid-19 em janeiro também é muito superior a dezembro (30/26) e indica uma tendência de alta, com média acima de 1,2 morte por dia. No total, já morreram 260 conquistenses por causa do novo coronavírus.

No domingo (24), o comandante do Comando de Policiamento Regional Sudoeste (CPRSO), Coronel Ivanildo da Silva comentou acerca do trabalho que a PM está tendo para dissipar as aglomerações que se repetem com uma frequência cada vez maior e se lamentou que a Prefeitura não esteja fazendo a parte dela na fiscalização. “A Polícia Militar tem intensificado as ações, principalmente na proibição de aglomerações, contudo não está tendo o apoio da Prefeitura Municipal que deveria estar presente conosco nestas operações”, disse Ivanildo ao Blog do Anderson.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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