Números da Sesab e da Prefeitura sobre a Covid-19 em Conquista continuam divergindo. E confundindo




Tem que possa dizer que é um detalhe sem importância, uma bobagem até. Mas não é. A pandemia e seus efeitos sobre a vida das pessoas são representados por números, cada dado é importante para que se possa avaliar o cenário, os prejuízos, a ameaça que ainda existe e como se preparar para o que ainda pode vir. A informação é um elemento fundamental nesta luta contra o vírus. Toda a informação possível.

Quantos adoecem, de onde são? Há leitos de hospital suficientes? Quantos morrem? O paciente faleceu em hospital ou foi em casa? Era homem ou mulher, qual a idade? Tinha comorbidades?

Este BLOG prioriza a cobertura da pandemia, as notícias relacionadas à Covid-19 em Vitória da Conquista, prioritariamente. Fazemos isso desde que começaram a surgir suspeitas de infecção pelo novo coronavírus, em fevereiro do ano passado.

Nossas fontes primárias – e principais – são os boletins da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), com complementação no site do Ministério da Saúde e nos hospitais ou na UPA.

E é notável a disparidade de algumas informações, o desencontro de dados importantes, como quantidade de casos e óbitos e a ocupação de leitos hospitalares SUS dedicados ao tratamento da Covid-19. Em alguns momentos, aparenta pirraça, birra de um lado ou de outro, aqui falando de SMS e Sesab, que travaram uma guerra de discursos na mídia no período eleitoral, um acusando o outro de fazer política com a saúde. A guerra ruidosa parecia ter se encerrado com a eleição. O insistente conflito de números mostra que não.

Um jornalista que se preze não se dá por satisfeito com as informações passadas pelos órgão estatais do que jeito que eles desejam que sejam publicadas, especialmente se há mais de uma fonte acerca do mesmo assunto.

Diariamente SMS e Sesab publicam a ocupação de leitos. E eles nunca são iguais na mesma hora. Já começa que cada um dos lados tem seu próprio quantitativo de leitos disponíveis. Para o município são 153, 83 enfermarias e 70 UTIs. Para o Estado, são 148, com apenas 78 leitos clínicos.

CASOS A MAIS

Ontem (6), quando a SMS divulgou que havia 81 pessoas internadas nas unidades SUS da cidade, às 20h05, a Central Integrada de Comando e Controle da Saúde da Sesab informava que eram 93 os pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19 nos leitos dedicados do Hospital de Base, São Vicente e HCC. A quantidade divulgada pela secretaria estava errado, porque a soma dos percentuais no banner que ilustra os dados do boletim mostra que são 83.

Como os dois órgãos fazem suas contas a partir de uma quantidade de leitos disponíveis diferentes, os percentuais não batem e a taxa de ocupação difere de um para outro. O problema é que a taxa de ocupação é parâmetro para definir o avanço ou recuo nas fases do protocolo municipal e os dados da Sesab é que são considerados oficiais para efeito do Ministério da Saúde e alimentam a mídia nacional, por meio do consórcio de veículos de imprensa. Qual vale em cada caso?

E as discrepâncias continuam no boletim epidemiológico da secretaria estadual, que informou, ontem, serem 18.729 os casos confirmados no município, com outros 30 aguardando validação, um resultado final de 18.759. Este número é 633 (!) maior do que o do boletim OFICIAL do município, segundo o qual 18.126 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus em Vitória da Conquista até o dia 6 de fevereiro.

ÓBITOS  A MENOS

A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia também disponibiliza a base de dados completa com os números da pandemia, incluindo óbitos. Todos sabem que é essa informação mais cara de todas. Dá a dimensão real do problema, é a razão pela qual governos investem milhões de reais e o mundo conseguiu produzir uma vacina em tempo recorde. É preciso impedir as mortes. E é preciso saber quantas são, se aumentam, se diminuem. E neste ponto há uma defasagem gritante dos números da Sesab, comparando com os boletins do município.

Para a secretaria do Estado, morreram 274 conquistenses com Covid-19. Para o município foram 283. A diferença não é pouca.

Em outras matérias do BLOG questionamos os dois órgãos, principalmente porque, não sendo um problema exclusivo de Vitória da Conquista, significa que o relato do quadro da Covid-19 que a Bahia exporta altera o quadro nacional. Pode alguém dizer que é pouco, mas não se trata do placar de um jogo ou a contagem de passageiros que embarcam no aeroporto, mas números necessários para compreender a situação da pandemia no município, na Bahia e no Brasil. Pelo menos deveria ser.

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