Contra abertura de escolas | Postagem de professora da Uesb considerada ofensiva repercute nacionalmente




Uma postagem feita pela professora Adriana de Abreu, que trabalha no campus de Vitória da Conquista da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, ganhou grande repercussão nacional, especialmente em sites e canais de direita. Em uma publicação da jornalista soteropolitana Priscila Chammas no Facebook, feita em defesa da volta às aulas presenciais, na quarta-feira passada (10), a professora fez um comentário que foi considerado preconceituoso e agressivo.

“Eu queria mesmo que abrisse escola pros filhos de rico. E que os pais sem noção se livrasse da chateação que os filhos causam. E se morresse bastante filho de rico aí sim nivelaríamos de forma mais humana. Que morram então!”, escreveu Adriana no Facebook. Segundo ela, tratava-se de uma ironia, não um desejo de que qualquer pessoa morresse. O comentário foi apagado, mas a repercussão tem sido muito grande. Só nesta terça-feira (16), o BLOG já recebeu de cinco pessoas diferentes um vídeo da Jovem Pan News tratando do caso.

Em nota postada em seu perfil de Facebook, Adriana afirmou que postou o comentário como resposta a um texto da jornalista Priscila Chamas considerado por ela como sendo de ódio. “Postei uma indignação irônica sobre essa pressão que a sociedade está fazendo para que as escolas retornem imediatamente às aulas presenciais, justamente num momento de agravamento e de nova cepa do vírus”, escreveu a professora. Para ela, “algumas pessoas nem sempre conseguem interpretar. Outras leem com má fé mesmo”.

Em sua página no Facebook, Priscila Chammas, ex-candidata a vereadora de Salvador em 2016 pelo PSL e em 2020 pelo Novo, postou o link do site Gazeta do Povo que destaca a polêmica e diz: “Olha onde nossa amiga foi parar…” e menciona nota da Uesb sobre o episódio: “Em nota, a universidade que ela leciona desconversou e deixou claro que não tomaria qualquer providência. Já imaginou se ela ensinasse numa universidade privada? Ou pior do que isso, fosse liberal ou de direita?”, perguntou Priscila. “É nessas horas que o Sleeping Giants dorme…”, comentou, referindo-se ao coletivo que combate discurso de ódio, fake news, incitação à violência e outras atitudes negativas na internet.

ATAQUES

O comentário da professora Adriana Abreu rendeu muitas respostas agressivas, com o uso de expressões pejorativas como “lixo humano”, a maioria feitas por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e de entidades conservadoras, na página de Priscila Chammas, como comentários em publicações de direita ou na postagem do perfil da professora em que ela reproduz notas públicas do colégio onde o filho estuda e dela mesma explicando que sua atitude foi pessoal e não está associada à escola ou a qualquer outra instituição.

“Comunista nojenta”, “parasita”, “psicopata”, “analfabeta” foram alguns dos adjetivos depreciativos usados contra Adriana, além de várias mensagens sugerindo a demissão dela, ora do colégio onde o filho estuda, e onde ela não trabalha, ora da Uesb.

Publicações com a Gazeta do Povo e Jovem Pan News chegaram a mencionar o total de salários que a professora recebeu por seu trabalho na universidade e a destacar que a foto de perfil dela tinha um filtro informando que ela é antifascista.

APOIOS

Mas, Adriana, que é graduada em Letras pela UERJ, Mestre em Língua Portuguesa pela PUC do Rio, Doutora em Semiologia pela UFRJ e Pós-Doutora pelo Programa de Pós-Graduaçao em Letras da UFPE, atualmente professora titular de Teoria da Literatura no Departamento de Ciências Humanas e Letras (DCHL) da UESB, também recebeu muito apoio de colegas, amigos e pessoas que disseram ter entendido o que ela pretendeu dizer com o comentário que virou mote do movimento nacional a favor da abertura das escolas e contra as medidas restritivas que visam ao combate a Covid-19.

Eloisa Fernandes, escreveu que não acompanhou a postagem anterior, “mas, pelo que li, essas pessoas não conhecem a pessoa íntegra que você é… e que jamais poderia seriamente querer que qualquer ser humano morresse de qualquer forma… enfim… passo aqui para prestar minha solidariedade a você e todo meu orgulho da pessoa Adriana Abreu”.

Sara Oliveira Rodrigues disse: “Todo o meu apoio, pela pessoa íntegra, honesta, comprometida com a vida, sobretudo, dos menos favorecidos, pela ética com que conduz seus atos…todo o meu respeito e apoio!”

“Infelizmente, é triste a falta de caráter das pessoas que poderiam discutir ideias ao invés de discutir pessoas. Expuseram sua imagem pra diminuir tua pessoa, pois tuas ideias nunca serão diminuídas, pois sei da tua autenticidade, coragem e honestidade pelo que expressa. Não permita essa energia em tua vida, mesmo que você possa diminuir ou evitar algumas palavras, Você é gigante, eu respeito suas ideias e respeito principalmente você que é uma grande mulher”, postou Thiago Machado, em defesa da professora.

UESB

A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) se manifestou em nota enviada ao Gazeta do Povo, ressaltando que o pensamento da comunidade não representa, necessariamente, o mesmo ponto de vista da universidade: “A Uesb destaca que todos os seus posicionamentos oficiais, enquanto Instituição de Ensino Superior Pública, são emitidos pelos canais oficiais que dispõe. Qualquer pensamento individual dos seus atores sociais não representa, necessariamente, o que sua comunidade acredita, ainda que a Universidade respeite o direito de expressão”.

O BLOG enviou mensagem, via Messenger, do Facebook, único canal disponível com a professora Adriana Abreu, mas ainda não obteve resposta. Tentamos, também, com ajuda de pessoas que têm ligação com ela, mas a informação é de que a professora terá uma reunião com o advogado nesta quarta-feira, já que houve representação ao Ministério Público em face da postagem que ela fez, e só então poderia falar ao BLOG. Assim, quando ela puder se manifestar publicaremos o que ela enviar ou acrescentaremos a esta matéria.

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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