Artigo editorial livre | A atrasada e chata burocracia da comunicação da Prefeitura de Conquista




Secretário, o senhor vai a Brasília? “Tem que perguntar primeiro à Secom”. Secretária, a vacinação está tranquila? “Fale com a Secom”. Secretário, a licitação será este mês? “Passar pela Secom”. Secretária, qual sua opinião pessoal sobre a decisão? “Tem que ver com a Secom”. Secom. Secom. Secom.

Não se sabe se por desconfiança nos jornalistas ou por medo do que pode dizer, por conta própria, cada membro do governo municipal, implantou-se na Prefeitura de Vitória da Conquista a lei da Secom: (quase) ninguém obtém nenhuma informação de secretário ou secretária (ou outros cargos comissionados) se a Secom não autorizar. Não adianta ligar, mandar mensagem, encontrar na rua e perguntar. O agente político pago pelo contribuinte, com obrigação de ser transparente, vai dizer que é com a Secom.

Pelo menos é assim com este BLOG. Talvez a exceção seja conosco, uma reação à pessoa do editor. Há notícia de que há veículos de comunicação e jornalistas privilegiados, que não apenas conseguem obter respostas de secretários como conseguem furos, antecipação de informação que deveria ser geral e que vai, antes, para escolhidos. Dependendo o veículo que quer uma resposta, basta um “psiu, ei!”, que a atenção é imediata e a conversa prolongada.

Assim, o trâmite da comunicação é um enredo de burocracia no governo do comunicador Herzem Gusmão. Por conta disso, dados relevantes que são necessários para que uma informação chegue completa e com agilidade para o público são entregues atrasados ou, não raro, sequer chegam, se depender de uma resposta direta do(a) secretário(a). Pelo é assim na relação com este BLOG.

Alguns conhecedores da linha política do governo e da Secom dão uma dica para furar o bloqueio e poder ter informações, entrevistas diretas das autoridades municipais, a partir de contato pessoal: ser amistoso com o governo, ganhar a simpatia do grupo, ter amigos lá dentro. Jornalismo de compadrio?

O que tem a ver simpatia do jornalista com a prática burocrática e atrasada de impor aos secretários a busca prévia por permissão da Secom para falar?

O que deve ser levado em conta é a agilidade, o interesse público e a obrigação intrínseca do cargo. Não é favor. Não ligo para secretário para saber como está a sua vida conjugal, nem se ele foi à praia nas férias e se prefere beber vinho tinto no Box 111, espumante no La Forneria ou cerveja e whisky no Cai 1. É para saber do trabalho público dele, da fonte certa e na hora necessária.

Já recebi fotos, vídeos, áudios e mensagens de texto com denúncias, boatos, antecipação de dados de ações de secretárias, secretários, diretores, coordenadores e tive – sempre – o cuidado de entrar em contato, dar conhecimento integral do recebido à pessoa mencionada, antes de formar juízo. E não publico aquilo que tiver ênfase na vida pessoal ou que não tenha sustentação plena nos fatos. Muitas vezes, mando o texto inteiro para a leitura do mencionado e só eu e a pessoa ficamos sabendo da sua existência.

Não faço isso por simpatia, para ganhar a amizade ou furar fila, mas por minha compreensão de ética. A mesma que me impede de dizer um sonoro palavrão a um secretário que deixa de responder a uma pergunta simples, dirigida a ele para prestigiá-lo, ao invés de meramente criticá-lo, como parecem implorar que façamos alguns.

[16:06, 18/02/2021] Giorlando Lima: Secretário?
[16:08, 18/02/2021] Giorlando Lima: Boa tarde
[16:15, 18/02/2021] Giorlando Lima: Quando puder, me conceda 3 minutos
[16:15, 18/02/2021] Giorlando Lima: do seu tempo

[16:29, 18/02/2021] ###: Boa tarde
[16:29, 18/02/2021] ###: Passar pela secom

[16:29, 18/02/2021] Giorlando Lima: Foram publicadas duas justificativa de processo para concessão (de transporte coletivo), uma no dia 10 e outra no dia 12. É porque se referem a duas concessões, dois lotes, ou foi uma mera repetição? Acho que isso não precisa perguntar à Secom, senão, eu agradeço e vou, meramente, publicar do meu jeito.

[17:03, 18/02/2021] ###: Favor solicitar a secom…

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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