Conquista | Mais de 90% de ocupação de UTI, 63 mortes e 4.839 casos em 2021 e Prefeitura insiste que Covid-19 está controlada

 




Neste grave momento de aumento da ameaça do novo coronavírus, é notável como a Prefeitura de Vitória da Conquista tem agido baseada apenas no discurso de que a pandemia está sob controle no município. É um discurso, sabe-se, equivocado.

Foram quase seis meses de letargia do Comitê de Gestão de Crise (CGC), que veio sinalizar que ainda existia dois meses após as eleições, e as poucas iniciativas conhecidas para tentar interromper o avanço da Covid-19 registrado a partir do começo de 2021 foram provocadas por terceiros, como uma fala do comandante regional da Polícia Militar, coronel Ivanildo da Silva, que reclamou do trabalho quase isolado da PM na fiscalização das aglomerações e desobediências ao protocolo municipal, sem a efetiva presença dos prepostos da Prefeitura, e, agora, com o decreto do governador Rui Costa determinando toque de recolher em 343 municípios, inclusive Conquista.

Ontem (18), o taxa de ocupação de UTI chegou quase ao limite. Às 19h30, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), informou que havia apenas dois leitos disponíveis, com taxa de 97%. Uma hora depois, a Prefeitura confirmou o risco do colapso e divulgou boletim com taxa de 96%, somente três leitos livres.

Neste mês de fevereiro, 1.776 conquistenses contraíram o vírus, uma média de 98,66 por dia. No ano, foram 4.839 casos e um total de 19.225 desde a confirmação do primeiro, em 31 de março do ano passado. Entre o fim de dezembro e ontem, o crescimento de casos confirmados passou de 33%, média diária de 98,75.

Quanto aos óbitos, Vitória da Conquista já perdeu 293 de seus moradores para a Covid-19. Em janeiro 44 e em fevereiro, com óbitos registrados até o dia 17, morreram 19 conquistenses. É como se todos dos dias deste ano morresse mais de um vizinho, amigo, parente, pai, mãe, filho, filha, avó, avô de um conterrâneo nosso, a média é de 1,28 óbito diariamente.

É difícil compreender a posição da Prefeitura. E mais ainda é difícil compreender o discurso de “tudo sob controle” do coordenador do Comitê de Gestão de Crise, Kairan Rocha, que perdeu o pai para a Covid-19 há quase um mês. Ou do prefeito Herzem Gusmão, que está internado há 61 dias para tratamento da doença e sabe que se salvou por um milagre.

EQUILÍBRIO

O que fazem? Testam Deus, para ver quantos milagres fará em Conquista ou quais conquistenses escolhe para salvar? Ou o pensamento é o da secretária de Saúde, Romana Cerqueira, que no dia 29 de janeiro, disse, conforme publicado no site oficial da administração municipal, em relação à reabertura das escolas, que “a perspectiva de reabertura é positiva de acordo com o aumento da cobertura vacinal no município. ‘Estamos avaliando todas possibilidades de retomada das aulas com as medidas de segurança sendo tomadas. Junto ao Comitê de Crise, vamos trabalhar com a hipótese que este retorno se dê até o mês de março. Conforme os quadros da doença estejam equilibrados‘”.

Equilibrados? Vacina, secretária? Vitória da Conquista, até agora, recebeu 10.610 doses, 1,5% do necessário considerando uma população em torno de 340 mil habitantes, e não sabe quantas ainda virão e quando, mas, o mais provável é que 90% da população só comece a ser vacinada em maio ou junho, depois de todas as prioridades.

Como o importante é ter UTI – não, necessariamente, impedir que as pessoas cheguem à UTI – então, está tudo sob controle. Contrata-se mais 10 ou 15 UTIs e o povo pode adoecer tranquilamente que terá para onde ir. Sobre a realidade de que as pessoas morrem é na UTI, também está sob controle. No final das contas terá morrido mais gente de Covid-19 em Itabuna e Vitória da Conquista ainda é um dos municípios onde morre menos gente na proporção com a população. Até agora, apenas 0,10%.

A mensagem final do governo municipal, é que com 293 mortes não precisa alterar horário de funcionamento de comércio, de bares, etc, cortar umas horas da economia, da vida normal, da pujança conquistense. Não há necessidade do mínimo recuo para qualquer das fases do protocolo. Com os quadros da doença equilibrados, está tudo sob controle. Palavra do CGC.

FOTO GENTILMENTE CEDIDA POR SIDNEI FERRAZ

Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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