Dica de domingo para jornalistas e políticos: município é município, cidade é cidade



Uma dica a colegas jornalistas, blogueiros, assessores, vereadores, vereadoras e políticos e políticas que, eventualmente, virem esta postagem: não existe vereador(a) ou prefeito(a) de cidade. Mas, do município.

Vejam: a União, estados, Distrito Federal, municípios e territórios (que já não existem) são, de acordo com a Constituição, entes federativos, formam a República Federativa do Brasil. País é o Brasil todo, dividido em cinco regiões geográficas compostas pelos estados que, por sua vez, são formados pelos municípios. Vitória da Conquista, Feira de Santana, Itabuna, Jacobina, Miguel Calmon, são municípios da Bahia, compostos por distritos.

Pelo que sei, na Bahia, apenas o município de Salvador não tem distrito – se ainda vale divisão territorial do fim dos anos 1980 tem distrito sede e 24 sub distritos.

No caso de Vitória da Conquista, são 12 distritos: Bate Pé, Cabeceira da Jiboia, Cercadinho, Dantelândia, Iguá, Inhobim, José Gonçalves, Pradoso, São João da Vitória, São Sebastião, Veredinha e o distrito sede, a cidade de Vitória da Conquista. O site da Prefeitura Municipal não lista o distrito de Vitória da Conquista, a sede, mas é.

Assim é formado o município. Cidade só a sede. Os demais, na ZONA RURAL (que pode ser urbanizada, mas não é zona urbana), são vilas – as sedes dos distritos – e povoados, as demais localidades do distrito.

Ou seja, quem é eleito prefeito, prefeita ou vereador, vereadora não é da cidade, mesmo que more nela, mas do município, que é o conjunto, o todo formado pelas zonas urbana e rural, cidade e vilas, os 12 distritos, no caso de Vitória da Conquista.

E não vale o argumento de que a grande imprensa fala assim. Grande coisa a grande imprensa. Não adianta dizer que tanto faz. Tanto faz nada.

Esse modo de referir-se ao município como cidade nasceu justamente do desprezo que a política e a imprensa (grande e pequena) sempre tiveram pela zona rural. O pensamento quase exclusivo para a cidade. Escolas na cidade, postos de saúde na cidade, água encanada na cidade, esgotamento sanitário na cidade, praças, quadras de esporte, asfalto e boa iluminação na cidade. Por isso, o tratamento de prefeito da cidade, vereadores da cidade. Isso sem falar em preconceito, que há, decerto.

Sabe quando os olhos dos governos se voltaram, não, corrigindo, quando os governos passaram a dar olhadelas para a zona rural, longe da cidade? Quando a falta de tudo começou a fazer as pessoas da zona rural mudarem-se para a cidade. Aí, se tornou necessário impedir “o êxodo do homem do campo” (homem, estava nos projetos, na literatura e na grande imprensa).

Começaram fazendo umas escolinhas furrecas, dando uma ajeitada em uma ou outra rua, uma pracinha com três bancos de cimento, alguma grama e baronesas; umas lâmpadas mais fracas substituídas em um bairro da cidade, um posto de saúde com médico uma vez por semana, uma quadra de esporte (construída com material tão ruim que meses depois ficava mais parecida com um campo de jogo de gude, de tanto buraco)…

Atualmente tem mais, muito mais. No caso do MUNICÍPIO de Vitória da Conquista tem até subprefeitura em alguns distritos. Escolas maiores, médicos mais frequentes, mais postes com luz, mais asfalto, mais água encanada (porém, ainda sem esgotamento sanitário adequado).

Mas, a cidade continua sendo só a sede. E nem o prefeito, nem os vereadores são “da cidade”. Já repararam que é Prefeitura Municipal, Câmara Municipal, escola municipal, etc.?

Então, que tal tentar resgatar o município, a unidade desse ente federativo e lembrar de valorizar, na linguagem, inclusive, a quase esquecida e ainda um tanto abandonada zona rural? A gente faz isso incluindo-a no discurso do político, na matéria do jornalista quando formos falar de mandatos eletivos, por exemplo.

O prefeito (ou a prefeita) não é da cidade, ainda que more nela, vale repetir. É do município.


Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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