Enquanto pandemia avança, supermercados aumentam ganhos e não há notícia de que doem algo



Na primeira etapa da pandemia, entre abril e junho, no Brasil, várias empresas decidiram contribuir com os governos para enfrentamento do novo coronavírus. Mesmo setores que tiveram que cumprir restrições de funcionamento cooperaram.

Com a chegada da segunda onda e avanço da Covid-19 impulsionado por variantes e novas cepas, governantes de todo o país aumentaram as restrições e lockdown deixa de ser mais que uma palavra de origem estrangeira usada pela mídia e passa a ser uma estratégia adotada pelos governos, ainda que de forma parcial, causando protestos de vários setores, principalmente lojistas e empresas de serviços como academias de ginástica, como aconteceu nesta segunda-feira (1º), em Vitória da Conquista e outras cidades da Bahia, onde o governador ampliou restrições e mandou fechar, temporariamente, estabelecimentos e serviços considerados não essenciais, visando conter o aumento de óbitos e de ocupação de UTIs.

Mas, supermercados, de raro registro, senão inexistência – ao menos em Vitória da Conquista – de doações para ajudar no combate ao coronavírus, não têm motivo para protestar. Estão cheios – não cumprem determinações de ocupação por metro quadrado, constante do protocolo de higiene -, com preços dos produtos mudando a cada semana (ou dia) e lucrando na pandemia.

Pesquisa no Google não localiza registro de doações, como já dito, mas está lá o registro dos ganhos dos supermercados. Com o título de “Gôndolas Cheias”, notícia reproduzida no site oficial da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) dá conta dos ganhos do setor em tempos de novo coronavírus:

“O setor supermercadista também tem lucrado mais nessa pandemia, a exemplo das farmácias. Dados da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) passados à Coluna registram leve alta em comparação com 2019. O primeiro semestre foi positivo para o setor, que registrou crescimento real (deflacionado pelo IPCA/IBGE) de 3,47%, de janeiro a junho, de acordo com o Índice Nacional de Vendas da ABRAS. No mês de junho, os Supermercados apresentaram alta de 2,78% em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a maio o setor supermercadista acumulou alta real de 5,63% na comparação com o mesmo período de 2019”.

Ainda no site, a entidade nacional comemora o lucro e destaca que os resultados superam, em muito, os do ano anterior, antes da pandemia, quando o setor teve perdas de R$ 6,9 bilhões. “O ano de 2020 foi positivo para o setor supermercadista, que acumulou alta real (deflacionada pelo IPCA/IBGE) de 9,36%, de janeiro a dezembro, em relação ao mesmo período de 2019, de acordo com o Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), apurado pelo Departamento de Economia e Pesquisa da entidade. O estudo, divulgado nesta quinta-feira (11/02), em coletiva de imprensa online, também mostrou que as vendas de dezembro avançaram 18,13% em relação a novembro, e quando comparadas ao mês de dezembro de 2019, o crescimento foi de 11,54%.”

Um setor essencial, é obrigatório reconhecer, mas também privilegiado, o de supermercados – pelo menos os maiores ou as grandes redes. Poderiam contribuir mais do que vender caro.

Para entender melhor: Fase vermelha em SP beneficia ainda mais os supermercados


Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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