Herzem | Foram 102 dias em que angústia e esperança se misturaram, até dar lugar à dor da perda


Desde que o prefeito Herzem Gusmão, de 72 anos, foi diagnosticado com Covid-19, em 7 de dezembro do ano passado, vários episódios relacionados à saúde do gestor foram marcantes e mexeram com as emoções do conquistense. Cada momento registrado trouxe um sentimento e estreitou, ainda mais a ligação de Vitória da Conquista com o seu prefeito, reeleito para mais quatro anos.

O primeiro foi a internação no Hospital Samur, no dia 18 de dezembro, que pegou todo mundo de surpresa, pois a notícia era de que Herzem estava evoluindo no tratamento que fazia em casa havia 11 dias, já próximo do fim do período em que a maioria das pessoas é dada como recuperada da doença.

A primeira-dama, Dona Luci, também contraiu o novo coronavírus, mas não precisou ser internada.

O segundo impacto foi a transferência para o Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, depois de nove dias no Samur. Na época, não houve nenhum esclarecimento sobre a necessidade da mudança para o hospital paulista. A informação é de que foi apenas por conveniência pessoal, não teria ocorrido qualquer gravidade.

O terceiro episódio traz junto um inusitado acontecimento político. Era o dia da posse de prefeitos, vices e vereadores em todo o país, 1º de janeiro. Em Vitória da Conquista, o advogado Ademir Ismerim, amigo de Herzem e procurador jurídico nomeado em seu governo anterior, compareceu à solenidade de posse e se apresentou para prestar juramento e ser empossado no lugar do prefeito. Naquele momento, Herzem estava na UTI do Sírio-Libanês pela primeira vez, aguçando a preocupação da população.

Foi na UTI que, uma semana depois, o prefeito de Vitória da Conquista foi empossado, por meio virtual, depois de dias de debate e polêmicas sobre a forma e a oportunidade da posse. Foi o quarto episódio relacionado ao difícil momento que vivia Herzem.

Ele saiu da UTI em 14 de janeiro, após dez dias. Daí em diante, as notícias eram de que se recuperava da Covid-19 (foto ao lado), com fisioterapia e exercícios físicos, inclusive 10 a 20 minutos de bicicleta ergométrica.

Outro episódio, com tons de celeuma política, e que durou uma semana, foi a votação de sua licença pela Câmara de Vereadores.

No dia seguinte, quase três meses após ter descoberto que tinha Covid-19, Herzem enviou áudio em que informava seu retorno à UTI. Era mais um capítulo de uma jornada começou com o diagnóstico em 7 de dezembro e seguiu recheada de um misto de angústia e esperança e de informações desencontradas que deram motivação para uma indústria de boatos que incluíram a antecipação da morte do ex-prefeito várias vezes.

O fato é que a partir da mensagem daquele sábado (6), Vitória da Conquista passou a temer pelo pior. O que se sabia, até então, é que Herzem vinha melhorando, fazendo fisioterapia e, como ele dizia, a cada áudio enviada, confiante no tratamento médico, em Deus e no retorno para casa o mais breve possível.

Por isso, a notícia de que ele havia sido intubado caiu como uma tempestade de medo sobre familiares, amigos, correligionários e todas as pessoas que acompanhavam o seu caso e foi o momento mais cruciante de um longo período de sofrimento e expectativa. A corrente de esperança, energia e orações por Herzem aumentaram, foi para a praça pública e comoveu a cidade.

Mas, à medida que as horas passavam, mesmo com toda fé, a cidade sussurrava a dor de perceber que silenciava a voz do radialista que, além de ajudar a fazer a história de sua terra natal, tornou-se parte indelével dela.

Na quinta-feira, 18 de março de 2021, perto de nove de noite, Herzem Gusmão Pereira, filho de Vitória da Conquista, Eunildo e Zilda, marido de Luci, pai de Thayse, Danilo e Erica, avô de Arthur e referência de milhares, o desportista, radialista, jornalista, bacharel em Direito, político e gestor municipal eleito duas vezes, quebrando todos os paradigmas, saiu do plano terreno. Deixa marcas pelo município e o ecoar de uma vida que não foi uma vida qualquer.



Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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