Pode faltar medicamento para UTIs de Covid-19 em Conquista, constata comissão da Câmara de Vereadores


A Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores visitou, nesta terça-feira (23), os três hospitais de Vitória da Conquista que mantêm leitos SUS exclusivos para pacientes com Covid-19 e constatou que, além da taxa de ocupação acima de 90%, aparece no horizonte uma nova preocupação: podem faltar medicamentos básicos e de uso contínuo em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

A escassez de medicamentos impede o tratamento eficaz das pessoas mais gravemente afetadas pelo novo coronavírus. Esse cenário agrava-se com a falta de leitos em Unidades de Terapia Intensiva e de um calendário consistente de vacinação. Nesse contexto, o diretor administrativo do HCC, Felipe Nery, apresentou uma relação de medicamentos que estão em falta e afirmou que o estoque consegue manter as atividades intensivistas por mais 30 dias, caso não haja aumento no número de pacientes graves . “Essa situação já foi comunicada a Secretaria Estadual da Saúde. Se não fizermos nada agora, teremos daqui a alguns dias uma tragédia anunciada”, alertou Felipe Nery.  O hospital teve que suspender as atividades do centro cirúrgico e de endoscopia para controle dos insumos.

No Hospital São Vicente, os vereadores da Comissão de Saúde se reuniram com o diretor administrativo, Paulo Gadas. Ele informou que o hospital dispõe de oxigênio e que não pretende ampliar o número de leitos de UTI para manter estável o atual consumo de insumos. Porém, Paulo afirmou que o hospital também está tendo dificuldades na aquisição de medicamentos de uso contínuo em UTI. Os motivos são os mesmos: a escassez provocada pelo alto consumo, seguido por uma hiperinflação.

“Nós comprávamos Fetanil a R$ 8 a ampola, agora custa 48 reais a mesma unidade. E tem outro agravante. A quantidade oferecida é insuficiente para manutenção dos nossos trabalhos”, afirmou Paulo Gadas. Ele sugeriu que a Câmara de Vereadores promova um debate juntamente com os deputados estaduais e federais a fim de deliberar outras medidas para facilitar a aquisição de insumos.

Diferente do Hospital São Vicente e do HCC, o Hospital Regional de Vitória da Conquista (HGVC/Hospital e Base) adquire medicamentos da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), que faz a reposição semanalmente, de acordo com a média de consumo da unidade. O diretor do Hospital, Giovanni Moreno, informou que devido à falta de alguns medicamentos, modificações medicamentosas são adotadas para alcançar os objetivos terapêuticos. Apesar do esforço, ele demonstrou preocupação com a taxa de transmissão do vírus, que afeta diretamente a taxa de ocupação nos leitos de UTI. “Nosso receio é que a taxa de ocupação com pacientes graves continue alta e que isso aumente ainda mais o consumo de medicamentos, cada vez mais escassos”, alertou Giovanni.

A presidente da Comissão de Saúde, vereadora Viviane Sampaio (PT), e o vereador Ricardo Babão (PCdoB) prometeram ampliar essa discussão na Câmara Municipal. Viviane também ressaltou que, sem esses medicamentos, “não é possível oferecer atendimento adequado para salvar vidas”, e que a falta de qualquer elemento numa UTI – máquinas, médicos ou medicamentos – inviabiliza o atendimento correto.


Author: Giorlando Lima

Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 58 anos de idade, 42 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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