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Um conto para Denzel

dezembro 21, 2015

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I O ônibus vencia veloz os dois últimos quilômetros da estrada. Sentado na poltrona 27, ele podia ver as primeiras casas, miúdas, telhados meia água e coloridas. No entorno delas, uma vegetação rala e rochas. A cidade é incrustrada em um vale e o trecho que ele avista fica por trás das serras que a […]

Die mär von Ulenspiegel und Lamme Goedzak e algumas das minhas lembranças

julho 21, 2015

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Guardo um livro em minha estante, que eu e meus irmãos chamávamos de O Livrão de Papai. Nas suas páginas estão curtas anotações feitas pelo meu pai ou pela minha mãe, sobre pequenas coisas do dia a dia da família, do tempo em que meu pai era vivo. São contas de somar, lembretes e até […]

Pessoas que vi recentemente: a menina que pedia fraldas para a avó

maio 15, 2015

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O comportamento de algumas pessoas nestes tempos líquidos, como diria minha querida Naudielle, nos faz desconfiados. Não que essa desconfiança seja uma coisa nova. Eu me lembro de um episódio comigo, ocorrido na Estação Rodoviária de Salvador, no longínquo 1979. Um episódio que ajudou a me moldar como pessoa. Naquele ano, fui a Salvador com […]

Sobre uma velha saudade, nada mais

maio 1, 2015

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– Não vai doer. A voz parecia distante, quase um sussurro, mas soava clara. Dizia para ele ficar tranquilo porque acabaria rápido. – Você quase não vai sentir. Tentando manter os olhos abertos ele se via deitado, nu e cercado de sombras. Sombras vestindo luvas. Luvas brancas. Lembrou-se do quadro de Rembrandt, A Lição de […]

Antes que as pontadinhas me calem. Uma carta

novembro 4, 2014

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Eu adoeço pouco, a última gripe de que me lembro eu estava com uns 14 anos. Nem dor de cabeça me incomoda. Já tive algumas muito chatas, depois de beber barris de cerveja misturados com tonéis de rum. Fora isso, se uma pontadinha se insinua, coloco as pontas dos dedos indicador e médio no local […]

Às minhas ex-crianças, no Dia das Crianças

outubro 12, 2013

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Tenho duas maravilhosas razões para não querer ser criança de novo. Qualquer que seja a lembrança boa da minha infância ou da minha adolescência, por mais feliz que eu tenha sido na minha meninice; quaisquer que sejam as razões para eu me queixar da vida adulta, nada me faria desejar ser criança outra vez. Tenho […]

Ah, essa velha limerência…

setembro 17, 2013

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(Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre; só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas) Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas. (E.E. Cumming. Tradução de Augusto de Campos. Ouvido na música de Zeca Baleiro) O que um […]