Um conto para Denzel

I O ônibus vencia veloz os dois últimos quilômetros da estrada. Sentado na poltrona 27, ele podia ver as primeiras casas, miúdas, telhados meia água e coloridas. No entorno delas, uma vegetação rala e rochas. A cidade é incrustrada em um vale e o trecho…

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Die mär von Ulenspiegel und Lamme Goedzak e algumas das minhas lembranças

Guardo um livro em minha estante, que eu e meus irmãos chamávamos de O Livrão de Papai. Nas suas páginas estão curtas anotações feitas pelo meu pai ou pela minha mãe, sobre pequenas coisas do dia a dia da família, do tempo em que meu…

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Pessoas que vi recentemente: a menina que pedia fraldas para a avó

O comportamento de algumas pessoas nestes tempos líquidos, como diria minha querida Naudielle, nos faz desconfiados. Não que essa desconfiança seja uma coisa nova. Eu me lembro de um episódio comigo, ocorrido na Estação Rodoviária de Salvador, no longínquo 1979. Um episódio que ajudou a…

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Sobre uma velha saudade, nada mais

– Não vai doer. A voz parecia distante, quase um sussurro, mas soava clara. Dizia para ele ficar tranquilo porque acabaria rápido. – Você quase não vai sentir. Tentando manter os olhos abertos se via deitado, nu e cercado de sombras. Sombras vestindo luvas. Luvas…

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Antes que as pontadinhas me calem. Uma carta

Eu adoeço pouco, a última gripe de que me lembro eu estava com uns 14 anos. Nem dor de cabeça me incomoda. Já tive algumas muito chatas, depois de beber barris de cerveja misturados com tonéis de rum. Fora isso, se uma pontadinha se insinua,…

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Às minhas ex-crianças, no Dia das Crianças

Tenho duas maravilhosas razões para não querer ser criança de novo. Qualquer que seja a lembrança boa da minha infância ou da minha adolescência, por mais feliz que eu tenha sido na minha meninice; quaisquer que sejam as razões para eu me queixar da vida…

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Ah, essa velha limerência…

(Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre; só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas) Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas. (E.E. Cumming. Tradução de Augusto de…

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Leão, a transa dos cachorros, o besouro, a loucura e Florbela

“Escreva. Em setembro não há nada.” Não há nada mais imperativo que a paixão. Dá ordens na mesma medida em que causa desordem. Na cabeça da gente, na vida, nas horas, nos dias e, principalmente, nas noites. Quando há paixão, as noites precisam ser completas….

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Seu olhar vale a pena. Ou: eu já amei assim II.

Olá: Meu nome é Ben Hur Costa. Moro em Conquista. Gostaria de ter a sua consideração de ler o e-mail até o final. Não é vírus, nem é proposta de pirâmide. Rs. Imagino que esteja surpresa por receber um e-mail de alguém que você não…

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Um pierrot sem colombina. Ou: eu já amei assim

Eu a conheço há tão pouco tempo, mas sinto como se eu fosse me juntar a você por toda a vida. É que acho seu fardo leve. Não vou dizer que tenho essa certeza desde o primeiro dia, mas neste carnaval, depois que corremos na…

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Um papo com a bruxinha que tem quatro corações

– Você é sensível, poética, sincera, mas não é romântica, como nos romances de amor… é? – Sou sim. Muito. Acho que o que me difere das outras pessoas sensíveis, poéticas e românticas é que tenho a particularidade de não ter um coração apenas. Nasci…

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Se ela disser que sim eu prossigo…

Hoje eu posso confessar: sim, já tive muitos amores. Porque não se pode amar a um amor menos do que se amou ao que se foi ou ao amor que ainda virá.  Amar é uma coisa plena, ainda que nem sempre realizada. O meu primeiro…

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